A simulation of the boiling surface of Betelgeuse.
Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha localizada na constelação de Órion, sendo uma das maiores e mais brilhantes estrelas visíveis a olho nu. Ela marca o "ombro" do caçador mitológico e está na fase final de seu ciclo de vida.
Abaixo está a ficha técnica detalhada da estrela com base nos dados mais recentes da astronomia.
Identificação e Localização
Nome científico: Alpha Orionis (α Orionis).
Constelação: Órion (segunda estrela mais brilhante da região, atrás apenas de Rigel).
Distância da Terra: Aproximadamente 548 a 700 anos-luz.
Tipo espectral: M1-2Ia-ab (Supergigante Vermelha).
Dimensões e Propriedades Físicas
Tamanho/Raio: Cerca de 700 a 764 vezes o tamanho do Sol. Se estivesse no centro do nosso Sistema Solar, ela engoliria as órbitas de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Massa: Entre 10 e 20 vezes a massa do Sol.
Luminosidade: Cerca de 7.500 a 14.000 vezes mais brilhante que o Sol em luz visível (e ainda maior no infravermelho).
Idade estimada: Aproximadamente 10 milhões de anos. Apesar de jovem comparada ao Sol (4,6 bilhões de anos), seu tamanho massivo faz com que ela queime seu combustível de forma extremamente rápida.
Comportamento e Dinâmica Cósmica
Estrela Variável: Seu brilho muda constantemente. Ela possui ciclos principais de variação de brilho de cerca de 400 dias e ciclos secundários longos.
O Grande Escurecimento: Entre 2019 e 2020, a estrela sofreu uma queda drástica de brilho que intrigou cientistas. O mistério foi resolvido ao descobrirem que ela "espirrou" uma imensa nuvem de poeira e material de sua superfície, bloqueando temporariamente sua própria luz.
Estrela Companheira: Estudos astronômicos recentes revelaram que Betelgeuse possui uma estrela companheira menor em sua órbita interna, o que ajuda a explicar algumas de suas variações de brilho.
O Destino Final - Supernova
Betelgeuse esgotou o hidrogênio em seu núcleo e está fundindo elementos mais pesados. Por conta disso, ela explodirá em uma supernova.
Modelos matemáticos divergem sobre quando isso vai acontecer: pode levar algumas dezenas de milhares de anos ou ocorrer nas próximas décadas. Quando a explosão acontecer, o evento será tão brilhante que poderá ser visto no céu durante o dia e rivalizará com o brilho da Lua cheia por vários meses. Não há risco para a vida na Terra devido à grande distância de segurança.
Various spatially resolved observations of Betelgeuse. On each image North is up and East to the left. The spatial scale is indicated with a ruler at the bottom right corner of each image. Image inspired by presentations from P. Kervella. (First image) VLT/SPHERE adaptive optics image from January 2019 at 644.9 nm. (Second image) VLT/NACO composite image from 1.04 to 2.17 µm obtained in January 2009. (Third image) VLT/VISIR composite image from December 2019, between 9.81 and 12 µm (https://www.eso.org/public/images/eso2003d/, accessed on 21 April 2025). (Fourth image) Herschel/PACS observations of September 2010 and March 2012 between 70 and 160 µm. ESA/Herschel/PACS.
The rotating Betelgeuse. (Left) UV continuum direct image taken with HST/FOC in March 1995 [8] showing the hot spot and the direction of rotation of the star
O impacto visual que a explosão da supernova terá no céu da Terra
Quando Betelgeuse finalmente colapsar e explodir, ela proporcionará o maior espetáculo astronômico da história da humanidade.
- Brilho de Lua Cheia: A explosão gerará uma luminosidade avassaladora. No seu ápice, a supernova brilhará tanto quanto a Lua em quarto crescente ou até mesmo uma Lua cheia concentrada em um único ponto.
- Visível de Dia: O ponto de luz será tão intenso que poderá ser facilmente visto a olho nu sob a luz do sol durante o dia por várias semanas.
- Projeção de Sombras: À noite, a luz emitida pela explosão será forte o suficiente para projetar sombras na Terra, alterando temporariamente a paisagem noturna do nosso planeta.
- Duração do Show: O brilho extremo deve durar de alguns meses a um ano. Depois desse período, a luz começará a enfraquecer gradualmente.
- O Desaparecimento: Após o remanescente da explosão se dissipar, o famoso "ombro" da constelação de Órion desaparecerá para sempre do nosso mapa estelar.
Fotos diretas da superfície de Betelgeuse
- Interferometria Óptica: Astrônomos utilizaram o complexo de telescópios Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. Combinando a luz de múltiplos telescópios distantes através da técnica de interferometria, eles criaram um "super telescópio virtual".
- Imagens Diretas: Graças ao instrumento SPHERE do VLT, os cientistas conseguiram resolver o disco da estrela em alta resolução. As imagens revelaram que a superfície de Betelgeuse não é lisa, mas sim coberta por gigantescas células de convecção (bolhas de plasma fervente) e manchas térmicas que mudam de formato.
- Flagrante de Poeira: Essas fotografias diretas foram fundamentais para decifrar "O Grande Escurecimento" de 2019/2020, provando visualmente que a queda de brilho foi causada por uma imensa ejeção de material gasoso que se resfriou e virou poeira, bloqueando a estrela.
Detalhes sobre a estrela companheira
Por séculos, o ritmo secundário de variação de brilho de Betelgeuse (que oscila a cada 6 anos) intrigou a ciência. Cientistas confirmaram que o mistério era causado por uma estrela companheira apelidada carinhosamente de "Betelbuddy" e batizada oficialmente como Siwara (termo árabe para "bracelete").
- A Descoberta: A confirmação ocorreu por meio do telescópio Gemini Norte, no Havaí, utilizando o instrumento de imagem de manchas chamado 'Alopeke'. Esse equipamento tira milhares de fotos ultrarrápidas por minuto para anular a distorção causada pela atmosfera da Terra.
- O Perfil da Companheira: A Siwara é uma estrela jovem, quente, de coloração azul-branca (tipo espectral A ou B). Ela possui cerca de 1,6 vezes a massa do Sol.
- Órbita Íntima: Ela orbita extremamente perto de Betelgeuse, viajando essencialmente dentro da atmosfera externa gasosa da supergigante vermelha.
- O Efeito "Rastro": Recentemente, dados do Telescópio Espacial Hubble ajudaram a detectar o rastro hidrodinâmico (uma espécie de esteira de gás de choque) que a Siwara cria ao "arar" o envelope de matéria e poeira expelido por Betelgeuse. Esse movimento limpa periodicamente a poeira ao redor, o que explica a variação cíclica de brilho que víamos daqui da Terra.

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