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THE MIKE WALLACE INTERVIEW - GUEST: ALDOUS HUXLEY - 05/18/1958. ENTREVISTA DE MIKE WALLACE -  CONVIDADO: ALDOUS HUXLEY - 18/05/1958....

01 setembro 2023

O IMORTAL - CONTO DE MACHADO DE ASSIS (Parte 1 de 2)

Publicado originalmente em "A ESTAÇÃO" em 1882.

Domínio público.

PARTE 1 DE 2.



EDIÇÃO: OBRAS COMPLETAS DE MACHADO DE ASSIS - RELÍQUIAS DE CASA VELHA - 2º VOLUME

W. M. JACKSON INC. EDITÔRES - RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, PÔRTO ALEGRE - 1957.


Segue abaixo o conto na nova ortografia da língua portuguesa que está em vigor desde 01/01/2009.


O IMORTAL - MACHADO DE ASSIS

— MEU PAI NASCEU em 1600... — Perdão, em 1800, naturalmente... — Não, senhor, replicou o dr. Leão, de um modo grave e triste; foi em 1600. Estupefação dos ouvintes, que eram dous, o coronel Bertioga, e o tabelião da vila, João Linhares. A vila era na província fluminense; suponhamos Itaboraí ou Sapucaia. Quanto à data, não tenho dúvida em dizer que foi no ano de 1855, uma noite de novembro, escura como breu, quente como um forno, passante de nove horas. Tudo silêncio. O lugar em que os três estavam era a varanda que dava para o terreiro. Um lampião de luz frouxa, pendurado de um prego, sublinhava a escuridão exterior. De quando em quando, gania um seco e áspero vento, mesclando-se ao som monótono de uma cachoeira próxima. Tal era o quadro e o momento, quando o dr. Leão insistiu nas primeiras palavras da narrativa.

— Não, senhor; nasceu em 1600.

Médico homeopata — a homeopatia começava a entrar nos domínios da nossa civilização —, este dr. Leão chegara à vila, dez ou doze dias antes, provido de boas cartas de recomendação, pessoais e políticas. Era um homem inteligente, de fino trato e coração benigno. A gente da vila notou-lhe certa tristeza no gesto, algum retraimento nos hábitos, e até uma tal ou qual sequidão de palavras, sem embargo da perfeita cortesia; mas tudo foi atribuído ao acanho dos primeiros dias e às saudades da Corte. Contava trinta anos, tinha um princípio de calva, olhar baço e mãos episcopais. Andava propagando o novo sistema.

Os dois ouvintes continuavam pasmados. A dúvida fora posta pelo dono da casa, o coronel Bertioga, e o tabelião ainda insistiu no caso, mostrando ao médico a impossibilidade de ter o pai nascido em 1600. Duzentos e cinqüenta e cinco anos antes! dois séculos e meio! Era impossível. Então, que idade tinha ele? e de que idade morreu o pai?

— Não tenho interesse em contar-lhes a vida de meu pai, respondeu o dr. Leão. Falaram-me no macróbio que mora nos fundos da matriz; disse-lhes que, em negócio de macróbios, conheci o que há mais espantoso no mundo, um homem imortal...

— Mas seu pai não morreu? disse o coronel.

— Morreu.

— Logo, não era imortal, concluiu o tabelião triunfante. Imortal se diz quando uma pessoa não morre, mas seu pai morreu.

— Querem ouvir-me?

— Homem, pode ser, observou o coronel meio abalado. O melhor é ouvir a história. Só o que digo é que mais velho do que o Capataz nunca vi ninguém. Está mesmo caindo de maduro. Seu pai devia estar também muito velho...?

— Tão moço como eu. Mas para que me fazem perguntas soltas? Para se espantarem cada vez mais, porque na verdade a história de meu pai não é fácil de crer. Posso contála em poucos minutos.

Excitada a curiosidade, não foi difícil impor-lhes silêncio. A família toda estava acomodada, os três eram sós na varanda, o dr. Leão contou enfim a vida do pai, nos termos em que o leitor vai ver, se se der o trabalho de ler o segundo e os outros capítulos.

CAPÍTULO II

— MEU PAI NASCEU em 1600, na cidade de Recife.

Aos vinte e cinco anos tomou o hábito franciscano, por vontade de minha avó, que era profundamente religiosa. Tanto ela como o marido eram pessoas de bom nascimento — “bom sangue”, como dizia meu pai, afetando a linguagem antiga.

Meu avô descendia da nobreza de Espanha, e minha avó era de uma grande casa do Alentejo. Casaram-se ainda na Europa, e, anos depois, por motivos que não vêm ao caso dizer, transportaram-se ao Brasil, onde ficaram e morreram. Meu pai dizia que poucas mulheres tinha visto tão bonitas como minha avó. E olhem que ele amou as mais esplêndidas mulheres do mundo. Mas não antecipemos.

Tomou meu pai o hábito, no convento de Iguaraçu, onde ficou até 1639, ano em que os holandeses, ainda uma vez, assaltaram a povoação. Os frades deixaram precipitadamente o convento; meu pai, mais remisso do que os outros (ou já com o intento de deitar o hábito às urtigas), deixou-se ficar na cela, de maneira que os holandeses o foram achar no momento em que recolhia alguns livros pios e objetos de uso pessoal. Os holandeses não o trataram mal. Ele os regalou com o melhor da ucharia franciscana, onde a pobreza é de regra. Sendo uso daqueles frades alternarem-se no serviço da cozinha, meu pai entendia da arte, e esse talento foi mais um encanto ao aparecer do inimigo.

No fim de duas semanas, o oficial holandês ofereceu-lhe um salvo-conduto, para ir aonde lhe parecesse; mas meu pai não o aceitou logo, querendo primeiro considerar se devia ficar com os holandeses, e, à sombra deles desamparar a Ordem, ou se lhe era melhor buscar vida por si mesmo. Adotou o segundo alvitre, não só por ter o espírito aventureiro, curioso e audaz, como porque era patriota, e bom católico, apesar da repugnância à vida monástica, e não quisera misturar-se com o herege invasor. Aceitou o salvo-conduto e deixou Iguaraçu.

Não se lembrava ele, quando me contou essas cousas, não se lembrava mais do número de dias que despendeu sozinho por lugares ermos, fugindo de propósito ao povoado, não querendo ir a Olinda ou Recife, onde estavam os holandeses. Comidas as provisões que levava, ficou dependente de alguma caça silvestre e frutas. Deitara, com efeito, o hábito às urtigas; vestia uns calções flamengos, que o oficial lhe dera, e uma camisola ou jaquetão de couro. Para encurtar razões, foi ter a uma aldeia de gentio, que o recebeu muito bem, com grandes carinhos e obséquios. Meu pai era talvez o mais insinuante dos homens. Os índios ficaram embeiçados por ele, mormente o chefe, um guerreiro velho, bravo e generoso, que chegou a dar-lhe a filha em casamento. Já então minha avó era morta, e meu avô desterrado para a Holanda, notícias que meu pai teve, casualmente, por um antigo servo da casa. Deixou-se estar, pois, na aldeia, o gentio, até o ano de 1642, em que o guerreiro faleceu. Este caso do falecimento é que é maravilhoso: peço-lhes a maior atenção.

O coronel e o tabelião aguçaram os ouvidos, enquanto o dr. Leão extraía pausadamente uma pitada e inseria-a no nariz, com a pachorra de quem está negaceando uma cousa extraordinária.

CAPÍTULO III

UMA NOITE, o chefe indígena — chamava-se Pirajuá — foi à rede de meu pai, anuncioulhe que tinha de morrer, pouco depois de nascer o sol, e que ele estivesse pronto para acompanhá-lo fora, antes do momento último. Meu pai ficou alvoroçado, não por lhe dar crédito, mas por supô-lo delirante. Sobre a madrugada, o sogro veio ter com ele.

— Vamos, disse-lhe.

— Não, agora não: estás fraco, muito fraco...

— Vamos! repetiu o guerreiro.

E, à luz de uma fogueira expirante, viu-lhe meu pai a expressão intimativa do rosto, e um certo ar diabólico, em todo caso extraordinário, que o aterrou. Levantou-se, acompanhou-o na direção de um córrego. Chegando ao córrego, seguiram pela margem esquerda, acima, durante um tempo que meu pai calculou ter sido um quarto de hora. A madrugada acentuava-se; a lua fugia diante dos primeiros anúncios do sol. Contudo, e apesar da vida do sertão que meu pai levava desde alguns tempos, a aventura assustavao; seguia vigiando o sogro, com receio de alguma traição. Pirajuá ia calado, com os olhos no chão, e a fronte carregada de pensamentos, que podiam ser cruéis ou somente tristes. E andaram, andaram, até que Pirajuá disse:

— Aqui.

Estavam diante de três pedras, dispostas em triângulo. Pirajuá sentou-se numa, meu pai noutra. Depois de alguns minutos de descanso:

— Arreda aquela pedra, disse o guerreiro, apontando para a terceira, que era a maior.

Meu pai levantou-se e foi à pedra. Era pesada, resistiu ao primeiro impulso; mas meu pai teimou, aplicou todas as forças, a pedra cedeu um pouco, depois mais, enfim foi removida do lugar.

— Cava o chão, disse o guerreiro.

Meu pai foi buscar uma lasca de pau, uma taquara ou não sei quê, e começou a cavar o chão. Já então estava curioso de ver o que era. Tinha-lhe nascido uma idéia — algum tesouro enterrado, que o guerreiro, receoso de morrer, quisesse entregar-lhe. Cavou, cavou, cavou, até que sentiu um objeto rijo; era um vaso tosco, talvez uma igaçaba. Não o tirou, não chegou mesmo a arredar a terra em volta dele. O guerreiro aproximou-se, desatou o pedaço de couro de anta que lhe cobria a boca, meteu dentro o braço, e tirou um boião. Este boião tinha a boca tapada com outro pedaço de couro.

— Vem cá, disse o guerreiro.

Sentaram-se outra vez. O guerreiro tinha o boião sobre os joelhos, tapado, misterioso, aguçando a curiosidade de meu pai, que ardia por saber o que havia ali dentro.

— Pirajuá vai morrer, disse ele; vai morrer para nunca mais. Pirajuá ama guerreiro branco, esposo de Maracujá, sua filha; e vai mostrar um segredo como não há outro.

Meu pai estava trêmulo. O guerreiro desatou lentamente o couro que tapava o boião.

Destapado, olhou para dentro, levantou-se, e veio mostrá-lo a meu pai. Era um líquido amarelado, de um cheiro acre e singular.

— Quem bebe isto, um gole só, nunca mais morre.

— Oh! bebe, bebe! exclamou meu pai com vivacidade.

Foi um movimento de afeto, um ato irrefletido de verdadeira amizade filial, porque só um instante depois é que meu pai advertiu que não tinha, para crer na notícia que o sogro lhe dava, senão a palavra do mesmo sogro, cuja razão supunha perturbada pela moléstia.

Pirajuá sentiu o espontâneo da palavra de meu pai, e agradeceu-lha; mas abanou a cabeça.

— Não, disse ele; Pirajuá não bebe, Pirajuá quer morrer. Está cansado, viu muita lua, muita lua. Pirajuá quer descansar na terra, está aborrecido. Mas Pirajuá quer deixar este segredo a guerreiro branco; está aqui; foi feito por um velho pajé de longe, muito longe...

Guerreiro branco bebe, não morre mais.

Dizendo isto, tornou a tapar a boca do boião, e foi metê-lo outra vez dentro da igaçaba.

Meu pai fechou depois a boca da mesma igaçaba, e repôs a pedra em cima. O primeiro clarão do sol vinha apontando. Voltaram para casa depressa; antes mesmo de tomar a rede, Pirajuá faleceu.

Meu pai não acreditou na virtude do elixir. Era absurdo supor que um tal líquido pudesse abrir uma exceção na lei da morte. Era naturalmente algum remédio, se não fosse algum veneno; e neste caso, a mentira do índio estava explicada pela turvação mental que meu pai lhe atribuiu. Mas, apesar de tudo, nada disse aos demais índios da aldeia, nem à própria esposa. Calou-se; — nunca me revelou o motivo do silêncio: creio que não podia ser outro senão o próprio influxo do mistério.

Tempos depois, adoeceu, e tão gravemente que foi dado por perdido. O curandeiro do lugar anunciou a Maracujá que ia ficar viúva. Meu pai não ouviu a notícia, mas leu-a em uma página de lágrimas, no rosto da consorte, e sentiu em si mesmo que estava acabado. Era forte, valoroso, capaz de encarar todos os perigos; não se aterrou, pois, com a idéia de morrer,despediu-se dos vivos, fez algumas recomendações e preparou-se para a grande viagem.

Alta noite, lembrou-se do elixir, e perguntou a si mesmo se não era acertado tentá-lo.

Já agora a morte era certa, que perderia ele com a experiência? A ciência de um século não sabia tudo; outro século vem e passa adiante. Quem sabe, dizia ele consigo, se os homens não descobrirão um dia a imortalidade, e se o elixir científico não será esta mesma drogaselvática? O primeiro que curou a febre maligna fez um prodígio. Tudo é incrível antes de divulgado. E, pensando assim, resolveu transportar-se ao lugar da pedra, à margem do arroio; mas não quis ir de dia, com medo de ser visto. De noite, ergueu-se, e foi, trôpego, vacilante, batendo o queixo. Chegou à pedra, arredou-a, tirou o boião, e bebeu metade do conteúdo. Depois sentou-se para descansar. Ou o descanso, ou o remédio, alentou-o logo. Ele tornou a guardar o boião; daí a meia hora estava outra vez na rede. Na seguinte manhã estava bom...

— Bom de todo? perguntou o tabelião João Linhares, interrompendo o narrador.

— De todo.

— Era algum remédio para febre...

— Foi isto mesmo o que ele pensou, quando se viu bom. Era algum remédio para febre e outras doenças; e nisto ficou; mas, apesar do efeito da droga, não a descobriu a ninguém. Entretanto, os anos passaram, sem que meu pai envelhecesse; qual era no tempo da moléstia, tal ficou. Nenhuma ruga, nenhum cabelo branco. Moço, perpetuamente moço. A vida do matocomeçara a aborrecê-lo; ficara ali por gratidão ao sogro; as saudades da civilização vieram tomá-lo. Um dia, a aldeia foi invadida por uma horda de índios de outra, não se sabe por que motivo, nem importa ao nosso caso. Na luta pereceram muitos, meu pai foi ferido, e fugiu para o mato. No dia seguinte veio à aldeia, achou a mulher morta. As feridas eram profundas; curou-as com o emprego de remédios usuais; e restabeleceu-se dentro de poucos dias. Mas os sucessos confirmaram-no no propósito de deixar a vida semi-selvagem e tornar à vida civilizada e cristã. Muitos anos se tinhampassado depois da fuga do convento de Iguaraçu; ninguém mais o reconheceria. Um dia de manhã deixou a aldeia, com o pretexto de ir caçar; foi primeiro ao arroio, desviou a pedra, abriu a igaçaba, tirou o boião, onde deixara um resto do elixir. A idéia dele era fazer analisar a droga na Europa, ou mesmo em Olinda ou no Recife, ou na Bahia, por algum entendido emcousas de química e farmácia. Ao mesmo tempo não podia furtar-se a um sentimento de gratidão; devia àquele remédio a saúde. Com o boião ao lado, a mocidade nas pernas e a resolução no peito, saiu dali, caminho de Olinda e da eternidade.

CAPÍTULO IV

— NÃO POSSO demorar-me em pormenores, disse o dr. Leão aceitando o café que o coronel mandara trazer. São quase dez horas...

— Que tem? perguntou o coronel. A noite é nossa; e, para o que temos de fazer amanhã, podemos dormir quando bem nos parecer. Eu por mim não tenho sono. E você, sr. João Linhares?

— Nem um pingo, respondeu o tabelião. E teimou com o dr. Leão para contar tudo, acrescentando que nunca ouvira nada tão extraordinário. Note-se que o tabelião presumia ser lido em histórias antigas, e passava na vila por um dos homens mais ilustrados do Império; não obstante, estava pasmado.

Ele contou ali mesmo, entre dous goles de café, o caso de Matusalém, que viveu novecentos e sessenta e nove anos, e o de Lameque, que morreu com setecentos e setenta e sete; mas, explicou logo, porque era um espírito forte, que esses e outros exemplos da cronologia hebraica não tinham fundamento científico...

— Vamos, vamos ver agora o que aconteceu a seu pai, interrompeu o coronel.

O vento, de esfalfado, morrera; e a chuva começava a rufar nas folhas das árvores, a princípio com intermitências, depois mais contínua e basta. A noite refrescou um pouco. O dr. Leão continuou a narração, e, apesar de dizer que não podia demorar-se nos pormenores, contou-os com tanta miudeza, que não me atrevo a pô-los tais quais nestas páginas; seria fastidioso. O melhor é resumi-lo.

Rui de Leão, ou antes Rui Garcia de Meireles e Castro Azevedo de Leão, que assim se chamava o pai do médico, pouco tempo se demorou em Pernambuco. Um ano depois, em 1654, cessava o domínio holandês. Rui de Leão assistiu às alegrias da vitória, e passou-se ao reino, onde casou com uma senhora nobre de Lisboa. Teve um filho; e perdeu o filho e a mulher no mesmo mês de março de 1661. A dor que então padeceu foi profunda; para distrair-se visitou a França e a Holanda. Mas na Holanda, ou por motivo de uns amores secretos, ou por ódio de alguns judeus descendentes ou naturais de Portugal, com quem entreteve relações comerciais na Haia, ou enfim por outros motivos desconhecidos, Rui de Leão não pôde viver tranqüilo muito tempo; foi preso e conduzido para a Alemanha, de onde passou à Hungria, a algumas cidades italianas, à França, e finalmente à Inglaterra. Na Inglaterra estudou o inglês profundamente; e, como sabia o latim, aprendido no convento, o hebraico, que lhe ensinara na Haia o famoso Spinoza, de quem foi amigo, e que talvez deu causa ao ódio que os outros judeus lhe criaram; — o francês e o italiano, parte do alemão e do húngaro, tornou-se em Londres objeto de verdadeira curiosidade e veneração. Era buscado, consultado, ouvido, não só por pessoas do vulgo ou idiotas, como por letrados, políticos e personagens da corte.

Convém dizer que em todos os países por onde andara tinha ele exercido os mais contrários ofícios: soldado, advogado, sacristão, mestre de dança, comerciante e livreiro. Chegou a ser agente secreto da Áustria, guarda pontifício e armador de navios. Era ativo, engenhoso, mas pouco persistente, a julgar pela variedade das cousas que empreendeu; ele, porém, dizia que não, que a sorte é que sempre lhe foi adversa. Em Londres, onde o vemos agora, limitou-se ao mister de letrado e gamenho; mas não tardou que voltasse a Haia, onde o esperavam alguns dos amores velhos, e não poucos recentes.

Que o amor, força é dizê-lo, foi uma das causas da vida agitada e turbulenta do nosso herói. Ele era pessoalmente um homem galhardo, insinuante, dotado de um olhar cheio de força e magia. Segundo ele mesmo contou ao filho, deixou muito longe o algarismo dom-juanesco das mille e tre. Não podia dizer o número exato das mulheres a quem amara, em todas as latitudes e línguas, desde a selvagem Maracujá de Pernambuco, até à bela cipriota ou à fidalga dos salões de Paris e Londres; mas calculava em não menos de cinco mil mulheres. Imagina-se facilmente que uma tal multidão devia conter todos os gêneros possíveis da beleza feminil: louras, morenas, pálidas, coradas, altas, meãs, baixinhas, magras ou cheias, ardentes ou lânguidas, ambiciosas, devotas, lascivas, poéticas, prosaicas, inteligentes, estúpidas; — sim, também estúpidas, e era opinião dele que a estupidez das mulheres tinha o sexo feminino, era graciosa, ao contrário da dos homens, que participava da aspereza viril.

— Há casos, dizia ele, em que uma mulher estúpida tem o seu lugar.

Na Haia, entre os novos amores, deparou-se-lhe um que o prendeu por longo tempo: lady Emma Sterling, senhora inglesa, ou antes escocesa, pois descendia de uma família de Dublin. Era formosa, resoluta, e audaz; — tão audaz que chegou a propor ao amante uma expedição a Pernambuco para conquistar a capitania, e aclamarem-se reis do novo Estado. Tinha dinheiro, podia levantar muito mais, chegou mesmo a sondar alguns armadores e comerciantes, e antigos militares que ardiam por uma desforra. Rui de Leão ficou aterrado com a proposta da amante, e não lhe deu crédito; mas lady Ema insistiu e mostrou-se tão de rocha, que ele reconheceu enfim achar-se diante de uma ambiciosa verdadeira. Era, todavia, homem de senso; viu que a empresa, por mais bem organizada que fosse, não passaria de tentativa desgraçada; disse-lho a ela; mostrou-lhe que, se a Holanda inteira tinha recuado, não era fácil que um particular chegasse a obter ali domínio seguro,nem ainda instantâneo. Lady Ema abriu mão do plano, mas não perdeu a idéia de o exalçar a alguma grande situação.

— Tu serás rei ou duque...

— Ou cardeal, acrescentava ele rindo.

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LEIA TAMBÉM: O IMORTAL - CONTO DE MACHADO DE ASSIS (Parte 2 de 2)


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10 agosto 2023

A tribute to STIRLING MOSS / Mille Miglia 1955

SIR STIRLING CRAWFORD MOSS e seu navegador DENIS SARGENT JENKINSON

MILLE MIGLIA 1955

Jenkinson and Moss 1955 Mille Miglia Victory.

MOTOR SPORT - June 1955.

Veja neste link o vídeo da MOTOR SPORT no YouTube: Stirling Moss on the 1955 Mille Miglia win and Denis Jenkinson.


1955 Mille Miglia - Footage.


Os dez primeiros.






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23 julho 2023

PRIMEIRA FOTO DO PLANETA TERRA

FOTO - TERRA

A primeira imagem registrada de nosso planeta do espaço foi uma fotografia a preto e branco granulada. Tirada em 24 de outubro de 1946, foi produzida por uma câmera de cinema acoplada a um míssil V2 (míssil alemão da Segunda Guerra Mundial) lançado da base de White Sands no estado do Novo México, Estados Unidos. Várias fotografias foram capturadas a 65 milhas de altitude (104 km). A câmera registrava uma foto a cada 1.5 segundo.


O míssil V2 caiu no solo terrestre a uma velocidade de 500 km por hora e somente sobrou o filme que estava protegido por aço. Uma equipe de busca localizou os restos no deserto e as fotos foram projetadas para um grupo de cientistas e militares na base.

Antes do V2, as fotos mais distantes da Terra vinham do balão Explorer II, feitas a pouco mais de 20 km da superfície, mas que já foram suficientes para visualizar a curvatura do planeta.


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23 junho 2023

JIM CLARK - The Natural F1 Driver

- JIM CLARK -

The Natural Formula 1 Driver

THE MOST NATURALLY GIFTED FORMULA ONE DRIVER OF ALL TIME

The legendary Scottish racing driver Jimmy Clark is often overlooked when people list their greatest Formula One drivers of all time. Names like Michael Schumacher, Ayrton Senna, and Juan Manuel Fangio are thrown around with consummate ease but it is rare for Clark to be mentioned among even the top three drivers of all time.

Nobody is arguing he was the most successful but some do believe he was the most naturally gifted.

2008 marked 40 years since his tragic death, and this writer wants to make a case for James Clark Junior, the most naturally gifted F1 driver of all time.

He grew up close to the small Fife town of Kilmany as the only son of a farmer and as such, would have had many a chore growing up. Therefore, his father, at first, had little time for his fast paced hobby.

Ironically his father eventually said, "make it pay or give it up"—and make it pay he certainly did, and all during the life time of a very proud dad.

Two Time Drivers World Champion Clark made his F1 debut at 24 years of age driving a Lotus, like he would throughout his career, in the 1960 Dutch Grand Prix at Zandvoort.

It wasn’t to be a blistering start to life in F1 but he did finish fifth in his first race at the famous 8.7 mile Spa-Francorchamps circuit in Belgium in only his second outing. A race in which fellow drivers Chris Bristow and Alan Stacey sadly lost their lives.

He didn’t win an F1 championship at his first attempt or even his second in 1961, during which he is remembered more for his coming together with Ferrari’s Wolfgang von Trips, which left the driver and 15 spectators dead at the Italian GP, than his success on the track.

Success was to come, however, and the flying Scot won his first GP at Spa in 1962.

It was the first of 25 career wins which famously passed the previous record of 24 GP victories held by Fangio. Even more impressive was the fact Clark would go on to win four successive GP’s in Belgium, arguably the toughest grand prix in the championship at the time.

1962 would see the first championship assault by the man from Fife, but he lost the title in the final race of the season after mechanical issues had forced him to retire. It wouldn’t be the only time Clark would suffer this travesty. In 1964, he would lose the title due to his engine seizing on the final lap of the final race of the season.

In the 60’s, prestige was measured at tracks like Spa, which would kill a man with half a lapse of concentration—and Clark won four successive races there. Today and in recent times, such prestige has been saved for Monaco, with tracks like the old Spa and Nurburgring banished to the driving enthusiast.

Clark never won at Monaco, for what reason we’ll never know. Maybe it didn’t suit is free-flowing driving style, but more than likely mechanical issues once again came into play, and the event often fell in May. But as we'll discuss later, Clark had one eye on another prize.

Not winning in Monte Carlo, though, cannot diminish the fact Jim Clark of Scotland became World Champion in 1963, winning seven out of ten GP’s with seven pole positions. He won his second title in 1965, the same year he won America’s famous Indianapolis 500, which we’ll get to a little later.

His second title still contains a record which has gone unmatched in the 43 subsequent F1 seasons, and is likely to stay unmatched for decades to come:

Jimmy Clark not only won the title but he did so by leading every single lap of every race he finished in the 1965 season. Therefore, he won every race he finished with what we now call lights to flag victories.

It was an incredible feat which is unmatched by Fangio, Senna, or Schumacher.

The following two years saw a downturn in Lotus' fortunes but Clark was able to steer three unreliable cars to third in the 1967 championship.

And fans at Monza for the 1967 Italian GP possibly saw his finest performance, and possibly the greatest performance in a Grand Prix car. Clark was forced to pit from the lead with a puncture and rejoined a lap down only to be leading again by the start of the last lap. It was a staggering drive which ended, unluckily, with a third place finish after his car faltered due to a lack of fuel.

In those days, top racing drivers could turn their hand to any type of racing car or motorcycle for that matter (John Surtees won world titles on a motorbike and in an F1 car) and Clark was no different.

Tragically, Clark wasn’t to win another world title. Despite a strong start to the 1968 season, during which he won his last ever GP in South Africa, he was killed not in an F1 car but in a Formula Two race at Hockenheim in Germany on 7 April, 1968, aged just 32. Although the accident, where Clark veered off course and crashed into the trees which line the Hockenheim circuit, has never been explained, it is widely expected a mechanical failure played its part.

This is not because enthusiasts felt he was immortal (which he clearly wasn’t), but because they believed he was too good to crash.

And it was not just fans of F1 who mourned his passing. Clark was as admired across the Atlantic as he was in F1 circles.

The Scot won the Indy 500 in 1965, leading the race for 190 of the 200 scheduled laps and left a lasting impression on those who saw him drive. This was the only time a man has won both the Indy 500 and F1 Drivers’ Championship in the same year.

A driver revered in the world of Formula One and the top echelons of American motor sport. Clark won two titles, was cruelly denied two more by no fault of his own, and may well have gone on to win the 1968 championship had he not sadly lost his life.

It has been claimed since then by people close to him that Clark was ready to move on from his career in F1 after the 1968 season, so to speculate about further success may be even more futile than such an effort already is.

His success in America did not come without a cost. Clark took May out of the F1 championship to travel and compete there including during his World Championship victories in '63 and '65. Can you imagine in modern times, not competing in every race and winning a title? Or even putting one's carefully built reputation on the line in what is effectively a different sport?

He won the 1964 British Touring Car championship (Saloon cars) while at the same time competing in F1.

The racer also tried his hand at Rallying, IndyCar, NASCAR, the 24 Hours of LeMans, and various sports car events. Clark was in every way a racer and often wondered why fellow drivers were not as quick as him.

In the 60’s there were far fewer races in a season and for this reason Clark only raced a total of 72 GP’s, spanning over nine seasons as a Lotus driver. Of those races he won 25 (more than a third), had 33 pole positions, 28 fastest laps, and garnered a whopping 274 Championship points.

Amazingly, he would often just get into a car without setting it up in any way and post competitive times before asking for the car to be left alone for the race.

But the stat which jumps out most to this writer is the fact he only ever finished second once.

When you count the large number of races in which his car never got him to the finish and add the fact he won over a third of the GP’s he competed in, it isn’t too hard to come to the conclusion:

When Jim Clark finished, he won.

And as fellow driver, New Zealander Chris Amon, said about his fatal accident: “If this can happen to Jimmy, what chance do the rest of us have?”

Jim Clark, the most naturally gifted racing driver of all time.

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SEE THE ORIGINAL TEXT:

ANDREW MCNAIR – MAY 15, 2009




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23 maio 2023

TECNIRAMA - Ciência e Tecnologia.

TECNIRAMA

Enciclopédia de Ciência e Tecnologia (década de 1960)



Capa do fascículo 1 de TECNIRAMA em espanhol.


TECNIRAMA - Enciclopédia da Ciência e Tecnologia, Editorial Codex, 1963, redigida por eminentes homens da ciência, encabeçada por dois prêmios Nobel, relatando as conquistas da Ciência, desde a acústica, aeronáutica até a termodinâmica e a zoologia, composta por 11 Tomos, ricamente ilustrados e e encadernados em 04 volumes.

No site - Viejas TECNIRAMA - Você pode acessar todos os 130 fascículos de TECNIRAMA (em espanhol).



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17 abril 2023

UTOPIA - Short movie

UTOPIA

Utopia, by OMELETO, the world's best short films.



Is this the world of tomorrow?


UTOPIA (15 minutes) Synopsis (by OMELETO)

Jack has just come back to his homeland of Australia after over a decade away in paradise. But after being met at the airport by his brother Frank, Jack discovers that the country has radically changed. Citizens report and fine one another for various civil infractions, using their mobile phones to record and upload offenses to a government app.

Jack is in disbelief as he arrives at Frank's home with his wife Margaret, and he can't even believe that swearing is fined and alcohol is banned. There are cameras everywhere, and the only safe place in people's homes is the bathroom. Unable to adapt or accept the changes, Jack attempts to leave the country -- a much harder feat to accomplish than he thought.

Written and directed by Kosta Nikas, this sci-fi short may be named after an ideal paradise of balance and peace, but its title is deeply satirical in how the film portrays the absurdity of the new surveillance state. It constructs a fascinating world that seems only a few steps removed from our phone-saturated society, telling its cautionary tale in an ironically jaunty way.

The writing takes time in its world-building, which is often one of the pleasures of the sci-fi genre. The narrative action at the beginning catalogs the myriad ways that control and order are exerted over people, and there's dour, wry humor embedded in how Frank escorts his increasingly skeptical brother through this brave new world. The bright sunniness of the cinematography and the percolating, cheerful musical score that peppers itself throughout the film also add touches of stylish buoyancy to what is an increasingly dark story.

The aesthetic approach offers a counterpoint to the often horrifying reality shown on screen, in which citizens are incentivized to document one another's offenses through their omnipresent phones. Jack is a stand-in for the audience, looking increasingly askance at how even the most intimate recesses of everyday life can't escape the pitiless lens of a camera and the desperate people wielding them.

It takes some time for the dramatic conflict to emerge, but the world-building is fascinating enough to carry interest through, and is substantial and detailed enough to power an entire series or feature. By the time Jack finally decides that he must escape, the building blocks of the world and story have been carefully laid into place, forming a chain of obstacles that make it harder for him to leave. He seems trapped indefinitely, but then he gets an unexpected chance -- though one that comes at considerable cost.

That cost, however, doesn't seem so bad by the time we conclude "Utopia," which we realize is anything but. Its sense of horror derives not from perversity or violence, but from how the world that the film constructs is only a few clicks from our current reality.

Practically everyone has a smartphone, and the devices are deeply integrated with almost all aspects of our lives, from banking to romance to communication to entertainment. At many levels, we're still reckoning with how mobile technology is transforming our lives and our relationships. A population armed with phones -- and imbued with increasingly knee-jerk punitiveness towards fellow humans -- seems ludicrous, but with deeper reflection, viewers realize those pieces are already in place in other aspects of our culture. Are human beings so weak that they could be weaponized to do a government's surveillance for them? "Utopia" imagines that day isn't as far as one would think.


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About OMELETO.


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30 março 2023

Mystic Queen - CAMEL - 1973

CAMEL 1973

have you seen the mystic queen

riding in her limousine?

over hills and over dales 'til morning

if you like i'll take you there

we'll find some colors you can wear

colors that you've only seen while sleeping

Composer: Peter Bardens


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22 março 2023

PLANETAS TELÚRICOS

Um planeta telúrico (do latim "tellus", um sinónimo de Terra) ou planeta sólido é um planeta rochoso assim como a Terra. Os planetas telúricos do Sistema Solar são Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Estão mais próximos do Sol e por isso estão situados no Sistema Solar interior e têm maior densidade que os planetas gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). Esta relação planetária tem a ver com a formação do Sistema Solar, em que os materiais mais densos tendem a se concentrar mais perto do Sol e os mais leves mais longe do Sol. Sua composição interna é basicamente de rochas (silicatos), ferro e outros metais pesados.


Mercúrio, Vênus, Terra e Marte - Planetas Telúricos.

COLONIZAÇÃO DE PLANETAS TELÚRICOS

Ao se falar de Colonização espacial, quase sempre se fala dos planetas telúricos (esquecendo os asteroides e satélites naturais), pois estes planetas são, em teoria, habitáveis e exploráveis se sofrerem uma Terraformação, pois de acordo com este conceito são os únicos plausíveis de aplicação desta técnica e, além disto, facilitaria pela sua proximidade física com a Terra, o que não criaria tantas diferenças. Sua composição se baseia em metais e recursos exploráveis e, desde que a atmosfera e superfície não se demonstrem hostis, poderiam ser habitados.

PLANETAS TELÚRICOS EXTRASSOLARES

Devido a tecnologia atual para observação de planetas extrassolares, dos mais de 300 planetas extrassolares já descobertos, uma dúzia são corpos rochosos, mas é possível que vários desses planetas estejam orbitando os planetas gasosos na forma de satélites naturais; como os gasosos são bem maiores, sua descoberta é muito mais facilitada em comparação com os rochosos, por isso o número de telúricos extrassolares conhecidos é tão pequeno ainda.

TIPOS

Várias classificações possíveis para planetas terrestres foram propostas:

Planeta silicato

O tipo padrão de planeta terrestre visto no Sistema Solar, feito principalmente de manto rochoso à base de silício com um núcleo metálico (ferro).

Planeta carbono (também chamado "planeta diamante")

Uma classe teórica de planetas, composta por um núcleo de metal cercado principalmente por minerais à base de carbono. Eles podem ser considerados um tipo de planeta telúrico se o conteúdo de metal dominar. O Sistema Solar não contém planetas de carbono, mas possui asteroides carbonáceos.

Planeta de ferro

Um tipo teórico de planeta terrestre que consiste quase inteiramente de ferro e, portanto, tem uma densidade maior e um raio menor que outros planetas telúricos de massa comparável. Mercúrio no sistema solar possui um núcleo metálico igual a 60-70% de sua massa planetária. Pensa-se que os planetas de ferro se formem nas regiões de alta temperatura próximas a uma estrela, como Mercúrio, e se o disco protoplanetário for rico em ferro.

Planeta sem núcleo

Um tipo teórico de planeta terrestre que consiste em rocha de silicato, mas não possui núcleo metálico, isto é, o oposto de um planeta de ferro. Embora o Sistema Solar não contenha planetas sem núcleo, asteroides condritos e meteoritos são comuns no Sistema Solar. Pensa-se que os planetas sem núcleo se formem mais longe da estrela, onde o material oxidante volátil é mais comum.


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VEJA TAMBÉM:

TEMAS DE ASTRONOMIA, ASTROFÍSICA E COSMOLOGIA;


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18 março 2023

PURCELL - RONDEAU (ABDELAZER)

PURCELL - RONDEAU (ABDELAZER) - ORGAN SOLO - JONATHAN SCOTT

Organist Jonathan Scott performs his solo organ arrangement of Henry Purcell (1659-1695) Rondeau (Rondo also known as Round O) from Abdelazer Z.570 on the pipe organ of the historic Middleton Parish Church.

For more information about Scott Brothers Duo please click here.


Filmed at St Leonard's, Middleton (Middleton Parish Church), UK. See on YouTube.

Film & Sound TOM SCOTT


THE ORGAN OF ST. LEONARD'S - MIDDLETON PARISH CHURCH

Rushworth & Dreaper, Liverpool 1920

(Rebuilt by Pendlebury Organ Co.  Cleveleys, Blackpool 1965)


A pipe organ drawing.


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17 fevereiro 2023

PLANETAS

O que são Planetas?

Um planeta [do grego πλανήτης (planεːtεːs) que significa viajante] é um corpo celeste que orbita uma estrela ou um remanescente de estrela, com massa suficiente para se tornar esférico pela sua própria gravidade, mas não ao ponto de causar fusão termonuclear, e que tenha limpado de planetesimais a sua região vizinha (dominância orbital). O termo planeta é antigo, com ligações com a história, astrologia, ciência, mitologia e religião. Os planetas eram vistos por muitas culturas antigas como divinos ou emissários de deuses. À medida que o conhecimento científico evoluiu, a percepção humana sobre os planetas mudou, incorporando diversos tipos de objetos. Em 2006, a União Astronômica Internacional (UAI) adotou oficialmente uma resolução definindo planetas dentro do Sistema Solar, a qual tem sido elogiada e criticada, permanecendo em discussão entre alguns cientistas (por exemplo: tinhamos 9 planetas no sistema solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Após a nova classificação a lista ficou com 8 planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).

Planetas do nosso sistema solar - objetos de tamanho planetário em escala (do maior para o menor):

Imagem superior: Urano, Netuno, Terra, estrela anã branca Sirius B e Vênus;

Imagem inferior (ampliação): Marte, Mercúrio, Lua, planetas anões Plutão e Haumea.

Ptolomeu imaginava que os planetas orbitavam a Terra, em movimentos do epiciclo e círculo deferente. Embora a ideia de que os planetas orbitavam o Sol tivesse sido sugerida muitas vezes, somente no século XVII esta visão foi suportada por evidências pelas primeiras observações telescópicas, realizadas por Galileu Galilei. Através da cuidadosa análise dos dados das observações, Johannes Kepler descobriu que as órbitas dos planetas não são circulares, mas elípticas. À medida que as ferramentas de observação foram desenvolvidas, os astrônomos perceberam que os planetas, como a Terra, giravam em torno de eixos inclinados e que alguns compartilhavam características como calotas polares e estações do ano. Desde o início da era espacial, observações mais próximas por meio de sondas demonstraram que a Terra e os outros planetas também compartilham características como vulcanismo, furacões, tectônica e até mesmo hidrologia.

Os planetas do Sistema Solar são divididos em dois tipos principais: os grandes planetas gigantes gasosos (ou jovianos), de baixa densidade, e os menores e rochosos planetas telúricos ou terrestres. Pelas definições da UAI, há oito planetas no Sistema Solar: em ordem crescente de distância do Sol, são os quatro planetas telúricos Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, e depois os quatro gigantes gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Seis dos planetas são orbitados por um ou mais satélites naturais. Além disso, o Sistema Solar possui pelo menos cinco planetas anões e centenas de milhares de corpos menores.

Vários milhares de planetas orbitando outras estrelas (“planetas extrassolares” ou exoplanetas”) foram descobertos na Via Láctea. Até 1º de março de 2021, foram descobertos 4 687 planetas extrassolares, em 3 463 sistemas planetários (incluindo 770 sistemas multiplanetários), variando em tamanho desde mais ou menos o tamanho da Lua até gigantes gasosos com aproximadamente duas vezes o tamanho de Júpiter, dos quais mais de cem com o mesmo tamanho da Terra, nove dos quais estão à mesma distância relativa de suas estrelas que a Terra do Sol, isto é, estão na zona habitável circunstelar. Em 20 de dezembro de 2011, a equipe do telescópio espacial Kepler registrou a descoberta dos primeiros planetas extrassolares do tamanho da Terra, Kepler-20e e Kepler-20f, orbitando uma estrela similar ao Sol, Kepler-20. Um estudo de 2012, analisando dados de microlente gravitacional, estima uma média de 1,6 planeta ligado a cada estrela da Via Láctea. Acredita-se que uma em cada cinco estrelas similares ao Sol possui um planeta do tamanho da Terra em sua zona habitável. Os planetas são mais numerosos que as estrelas.

A ideia de planeta evoluiu ao longo da história, das luzes divinas da antiguidade aos objetos concretos da era científica. O conceito se expandiu para incluir mundos não apenas no Sistema Solar, mas em centenas de sistemas extrassolares. As ambiguidades inerentes à definição de planeta levaram a muita controvérsia científica.


Um pouco de História dos Planetas

Os cinco planetas clássicos do Sistema Solar, sendo visíveis a olho nu, são conhecidos desde a antiguidade e tiveram um impacto significativo na mitologia, cosmologia religiosa e astronomia antiga. Na antiguidade, os astrônomos notaram como certas luzes se moviam no céu em relação às outras estrelas. Os antigos gregos chamaram essas luzes "πλάνητες ἀστέρες" (planetes asteres: “estrelas errantes”) ou simplesmente "πλανήτοι" (planētoi: “errantes”), a partir do que derivou a palavra atual "planeta". Nas antigas Grécia, China e Babilônia e em quase todas as civilizações pré-modernas, acreditava-se quase universalmente que a Terra era o centro do universo e que todos os planetas a circundavam. A razão para esta percepção era que todos os dias as estrelas e planetas pareciam girar em torno da Terra, e o aparente senso comum da percepção de que a Terra era sólida e estável e que estava em repouso e não se movendo.


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VEJA TAMBÉM: TEMAS DE ASTRONOMIA, ASTROFÍSICA E COSMOLOGIA.


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09 janeiro 2023

SISTEMA PLANETÁRIO / PLANETARY SYSTEM


SISTEMA PLANETÁRIO / PLANETARY SYSTEM.

Um sistema planetário é um conjunto de objetos não estelares ligados gravitacionalmente dentro ou fora da órbita em torno de uma estrela ou sistema estelar. De um modo geral, sistemas com um ou mais planetas constituem um sistema planetário, embora tais sistemas também possam consistir em corpos como planetas anões, asteróides, satélites naturais, meteoróides, cometas, planetesimais e discos circunstelares. O Sol junto com o sistema planetário que gira em torno dele, incluindo a Terra, forma o Sistema Solar. O termo sistema exoplanetário às vezes é usado em referência a outros sistemas planetários.


Em 1º de janeiro de 2023, havia 5.297 exoplanetas confirmados em 3.904 sistemas planetários, com 850 sistemas com mais de um planeta. Discos de detritos também são conhecidos por serem comuns, embora outros objetos sejam mais difíceis de observar.

De particular interesse para a astrobiologia é a zona habitável dos sistemas planetários, onde os planetas podem ter água líquida superficial e, portanto, a capacidade de suportar vida semelhante à da Terra.

HISTÓRIA

Heliocentrismo

Historicamente, o heliocentrismo (a doutrina de que o Sol está no centro do universo) se opôs ao geocentrismo (colocar a Terra no centro do universo).

A noção de um Sistema Solar heliocêntrico com o Sol em seu centro é possivelmente sugerida pela primeira vez na literatura védica da Índia antiga, que frequentemente se refere ao Sol como o "centro das esferas". Alguns interpretam os escritos de Aryabhatta em Āryabhaṭīya como implicitamente heliocêntricos.

A ideia foi proposta pela primeira vez na filosofia ocidental e na astronomia grega já no século III aC por Aristarco de Samos, mas não recebeu apoio da maioria dos outros astrônomos antigos.

Descoberta do Sistema Solar

De Revolutionibus Orbium Coelestium de Nicolau Copérnico, publicado em 1543, apresentou o primeiro modelo heliocêntrico matematicamente preditivo de um sistema planetário. Os sucessores do século XVII Galileu Galilei, Johannes Kepler e Sir Isaac Newton desenvolveram uma compreensão da física que levou à aceitação gradual da ideia de que a Terra se move em torno do Sol e que os planetas são governados pelas mesmas leis físicas que governavam a Terra.

Especulação Sobre Sistemas Planetários Extra-Solares

No século 16, o filósofo italiano Giordano Bruno, um dos primeiros defensores da teoria copernicana de que a Terra e outros planetas orbitam o Sol, apresentou a visão de que as estrelas fixas são semelhantes ao Sol e também são acompanhadas por planetas. Ele foi queimado na fogueira por suas idéias pela Inquisição Romana.

No século 18, a mesma possibilidade foi mencionada por Sir Isaac Newton no "General Scholium" que conclui seus Principia. Fazendo uma comparação com os planetas do Sol, ele escreveu: "E se as estrelas fixas são os centros de sistemas semelhantes, todas elas serão construídas de acordo com um design semelhante e sujeitas ao domínio de Um".

Suas teorias ganharam força ao longo dos séculos 19 e 20, apesar da falta de evidências de apoio. Muito antes de sua confirmação pelos astrônomos, a conjectura sobre a natureza dos sistemas planetários havia sido o foco da busca por inteligência extraterrestre e tem sido um tema predominante na ficção, particularmente na ficção científica.

Detecção de Exoplanetas

A primeira detecção confirmada de um exoplaneta foi em 1992, com a descoberta de vários planetas de massa terrestre orbitando o pulsar PSR B1257+12. A primeira detecção confirmada de exoplanetas de uma estrela da sequência principal foi feita em 1995, quando um planeta gigante, 51 Pegasi b, foi encontrado em uma órbita de quatro dias ao redor da estrela próxima do tipo G 51 Pegasi. A frequência das detecções aumentou desde então, principalmente por meio de avanços nos métodos de detecção de planetas extrasolares e programas dedicados de localização de planetas, como a missão Kepler.

Origem e Evolução

Os sistemas planetários vêm de discos protoplanetários que se formam em torno de estrelas como parte do processo de formação estelar.

Durante a formação de um sistema, muito material é espalhado gravitacionalmente em órbitas distantes, e alguns planetas são ejetados completamente do sistema, tornando-se planetas desonestos.

SISTEMAS EVOLUÍDOS

Estrelas de Grande Massa

Planetas orbitando pulsares foram descobertos. Os pulsares são os remanescentes das explosões de supernova de estrelas de grande massa, mas um sistema planetário que existia antes da supernova provavelmente seria destruído em sua maior parte. Os planetas evaporariam, seriam empurrados para fora de suas órbitas pelas massas de gás da explosão da estrela, ou a perda repentina da maior parte da massa da estrela central os faria escapar do domínio gravitacional da estrela ou, em alguns casos, do a supernova chutaria o próprio pulsar para fora do sistema em alta velocidade, de modo que quaisquer planetas que tivessem sobrevivido à explosão seriam deixados para trás como objetos flutuantes. Planetas encontrados em torno de pulsares podem ter se formado como resultado de companheiras estelares pré-existentes que foram quase totalmente evaporadas pela explosão da supernova, deixando para trás corpos do tamanho de planetas. Alternativamente, os planetas podem se formar em um disco de acreção de matéria alternativa em torno de um pulsar. Discos alternativos de matéria que falharam em escapar da órbita durante uma supernova também podem formar planetas ao redor de buracos negros.

Estrelas de Menor Massa

À medida que as estrelas evoluem e se transformam em gigantes vermelhas, estrelas ramificadas gigantes assintóticas e nebulosas planetárias, elas engolem os planetas internos, evaporando-os ou evaporando-os parcialmente, dependendo de sua massa. À medida que a estrela perde massa, os planetas que não são engolfados se afastam da estrela.

Se uma estrela evoluída estiver em um sistema binário ou múltiplo, a massa que ela perde pode ser transferida para outra estrela, formando novos discos protoplanetários e planetas de segunda e terceira geração que podem diferir em composição dos planetas originais, que também podem ser afetados. pela transferência de massa.

Arquiteturas do Sistema

O Sistema Solar consiste em uma região interna de pequenos planetas rochosos e uma região externa de grandes gigantes gasosos. No entanto, outros sistemas planetários podem ter arquiteturas bem diferentes. Estudos sugerem que as arquiteturas dos sistemas planetários são dependentes das condições de sua formação inicial. Muitos sistemas com um gigante gasoso de Júpiter quente muito próximo da estrela foram encontrados. Teorias, como migração planetária ou dispersão, foram propostas para a formação de grandes planetas próximos de suas estrelas-mãe. Atualmente, poucos sistemas são análogos ao Sistema Solar com planetas terrestres próximos à estrela-mãe. Mais comumente, sistemas que consistem em múltiplas Super-Terras foram detectados.

COMPONENTES

Planetas e Estrelas

A maioria dos exoplanetas conhecidos orbitam estrelas mais ou menos semelhantes ao Sol: isto é, estrelas da sequência principal das categorias espectrais F, G ou K. Uma razão é que os programas de busca de planetas tendem a se concentrar nessas estrelas. Além disso, análises estatísticas indicam que estrelas de menor massa (anãs vermelhas, de categoria espectral M) são menos propensas a ter planetas massivos o suficiente para serem detectados pelo método de velocidade radial. No entanto, várias dezenas de planetas em torno de anãs vermelhas foram descobertos pela sonda Kepler pelo método de trânsito, que pode detectar planetas menores.

Discos Circunstelares e Estruturas de Poeira

Depois dos planetas, os discos circunstelares são uma das propriedades mais comumente observadas de sistemas planetários, particularmente de estrelas jovens. O Sistema Solar possui pelo menos quatro discos circunstelares principais (o cinturão de asteróides, o cinturão de Kuiper, o disco disperso e a nuvem de Oort) e discos claramente observáveis foram detectados em torno de análogos solares próximos, incluindo Epsilon Eridani e Tau Ceti. Com base nas observações de numerosos discos semelhantes, eles são considerados atributos bastante comuns de estrelas na sequência principal.

Nuvens de poeira interplanetárias foram estudadas no Sistema Solar e acredita-se que análogos estejam presentes em outros sistemas planetários. A poeira exozodiacal, um análogo exoplanetário da poeira zodiacal, os grãos de 1 a 100 micrômetros de carbono amorfo e poeira de silicato que preenchem o plano do Sistema Solar foram detectados em torno dos 51 sistemas Ophiuchi, Fomalhaut, Tau Ceti e Vega.

Cometas

Em novembro de 2014, havia 5.253 cometas conhecidos do Sistema Solar e acredita-se que sejam componentes comuns de sistemas planetários. Os primeiros exocometas foram detectados em 1987 em torno de Beta Pictoris, uma estrela muito jovem da sequência principal do tipo A. Há agora um total de 11 estrelas em torno das quais a presença de exocometas foi observada ou suspeitada. Todos os sistemas exocometários descobertos (Beta Pictoris, HR 10, 51 Ophiuchi, HR 2174, 49 Ceti, 5 Vulpeculae, 2 Andromedae, HD 21620, HD 42111, HD 110411 e, mais recentemente, HD 172555) estão em torno de estrelas muito jovens do tipo A.

Outros Componentes

A modelagem computacional de um impacto em 2013 detectado em torno da estrela NGC 2547-ID8 pelo Telescópio Espacial Spitzer, e confirmado por observações terrestres, sugere o envolvimento de grandes asteróides ou protoplanetas semelhantes aos eventos que se acredita terem levado à formação de planetas terrestres como a Terra.

Com base nas observações da grande coleção de satélites naturais do Sistema Solar, acredita-se que eles sejam componentes comuns dos sistemas planetários; no entanto, a existência de exoluas, ainda não foi confirmada. A estrela 1SWASP J140747.93-394542.6, na constelação de Centaurus, é uma forte candidata a satélite natural. As indicações sugerem que o planeta extrassolar confirmado WASP-12b também possui pelo menos um satélite.

Configurações Orbitais

Ao contrário do Sistema Solar, que tem órbitas quase circulares, muitos dos sistemas planetários conhecidos exibem uma excentricidade orbital muito maior. Um exemplo de tal sistema é 16 Cygni.

Inclinação Mútua

A inclinação mútua entre dois planetas é o ângulo entre seus planos orbitais. Espera-se que muitos sistemas compactos com vários planetas próximos no interior da órbita equivalente de Vênus tenham inclinações mútuas muito baixas, de modo que o sistema (pelo menos a parte próxima) seria ainda mais plano que o Sistema Solar. Os planetas capturados podem ser capturados em qualquer ângulo arbitrário para o resto do sistema. A partir de 2016, existem apenas alguns sistemas onde as inclinações mútuas foram realmente medidas. Um exemplo é o sistema Upsilon Andromedae: os planetas c e d têm uma inclinação mútua de cerca de 30 graus.

Dinâmica Orbital

Os sistemas planetários podem ser categorizados de acordo com sua dinâmica orbital como ressonantes, não ressonantes, hierárquicos ou alguma combinação destes. Em sistemas ressonantes, os períodos orbitais dos planetas estão em proporções inteiras. O sistema Kepler-223 contém quatro planetas em uma ressonância orbital 8:6:4:3. Planetas gigantes são encontrados em ressonâncias de movimento médio com mais frequência do que planetas menores. Em sistemas interativos, as órbitas dos planetas estão próximas o suficiente para perturbar os parâmetros orbitais. O Sistema Solar pode ser descrito como uma interação fraca. Em sistemas fortemente interativos, as leis de Kepler não são válidas. Em sistemas hierárquicos, os planetas são arranjados de modo que o sistema possa ser considerado gravitacionalmente como um sistema aninhado de dois corpos, por ex. em uma estrela com um Júpiter quente próximo com outro gigante gasoso muito mais distante, a estrela e Júpiter quente formam um par que aparece como um único objeto para outro planeta que está longe o suficiente.

Outras possibilidades orbitais ainda não observadas incluem: planetas duplos; vários planetas coorbitais, como quase-satélites, troianos e órbitas de troca; e órbitas entrelaçadas mantidas por planos orbitais precessantes.

Número de Planetas, Parâmetros Relativos e Espaçamentos

  • Sobre os tamanhos relativos dos planetas nos sistemas múltiplos candidatos de Kepler, David R. Ciardi et al. 9 de dezembro de 2012;
  • A dicotomia Kepler entre os anões M: metade dos sistemas contém cinco ou mais planetas coplanares, Sarah Ballard, John Asher Johnson, 15 de outubro de 2014;
  • Previsões de exoplanetas baseadas na relação generalizada de Titius-Bode, Timothy Bovaird, Charles H. Lineweaver, 1º de agosto de 2013;
  • O Sistema Solar e a Excentricidade Orbital do Exoplaneta - Relação de Multiplicidade, Mary Anne Limbach, Edwin L. Turner, 9 de abril de 2014;
  • A distribuição de razão de período dos sistemas multiplanetários candidatos de Kepler, Jason H. Steffen, Jason A. Hwang, 11 de setembro de 2014;
  • Os sistemas planetários estão lotados? Um estudo baseado nos resultados do Kepler, Julia Fang, Jean-Luc Margot, 28 de fevereiro de 2013.

Captura de Planeta

Planetas flutuantes em aglomerados abertos têm velocidades semelhantes às estrelas e, portanto, podem ser recapturados. Eles são normalmente capturados em órbitas amplas entre 100 e 105 UA. A eficiência de captura diminui com o aumento do tamanho do cluster e, para um determinado tamanho de cluster, aumenta com a massa do host/primário [esclarecimento necessário]. É quase independente da massa planetária. Planetas únicos e múltiplos podem ser capturados em órbitas desalinhadas arbitrárias, não coplanares entre si ou com o giro do hospedeiro estelar ou sistema planetário pré-existente. Alguma correlação de metalicidade planeta-hospedeiro ainda pode existir devido à origem comum das estrelas do mesmo aglomerado. É improvável que os planetas sejam capturados em torno de estrelas de nêutrons porque é provável que sejam ejetados do aglomerado por um impulso de pulsar quando se formam. Os planetas podem até ser capturados em torno de outros planetas para formar binários de planetas flutuantes. Após a dispersão do aglomerado, alguns dos planetas capturados com órbitas maiores que 106 UA seriam lentamente interrompidos pela maré galáctica e provavelmente flutuariam livremente novamente através de encontros com outras estrelas de campo ou nuvens moleculares gigantes.

ZONAS

Zona Habitável

A zona habitável em torno de uma estrela é a região onde a faixa de temperatura permite a existência de água líquida em um planeta; isto é, não muito perto da estrela para que a água evapore e não muito longe da estrela para que a água congele. O calor produzido pelas estrelas varia dependendo do tamanho e idade da estrela; isso significa que a zona habitável também variará de acordo. Além disso, as condições atmosféricas do planeta influenciam a capacidade do planeta de reter calor, de modo que a localização da zona habitável também é específica para cada tipo de planeta.

As zonas habitáveis geralmente são definidas em termos de temperatura da superfície; no entanto, mais da metade da biomassa da Terra é de micróbios do subsolo, e a temperatura aumenta à medida que a profundidade do subsolo aumenta, de modo que o subsolo pode ser propício para a vida quando a superfície está congelada; se isso for considerado, a zona habitável se estende muito mais longe da estrela.

Estudos em 2013 indicaram uma frequência estimada de 22±8% de estrelas semelhantes ao Sol com um planeta do tamanho da Terra na zona habitável.

Zona de Vênus

A zona de Vênus é a região ao redor de uma estrela onde um planeta terrestre teria condições de estufa descontroladas como Vênus, mas não tão perto da estrela que a atmosfera evaporasse completamente. Assim como na zona habitável, a localização da zona de Vênus depende de vários fatores, incluindo o tipo de estrela e as propriedades dos planetas, como massa, taxa de rotação e nuvens atmosféricas. Estudos dos dados da espaçonave Kepler indicam que 32% das anãs vermelhas têm planetas potencialmente semelhantes a Vênus com base no tamanho do planeta e na distância da estrela, aumentando para 45% para estrelas do tipo K e tipo G. Vários candidatos foram identificados, mas estudos espectroscópicos de acompanhamento de suas atmosferas são necessários para determinar se eles são como Vênus.

Distribuição Galáctica dos Planetas

A Via Láctea tem 100.000 anos-luz de diâmetro, mas 90% dos planetas com distâncias conhecidas estão a cerca de 2.000 anos-luz da Terra, em julho de 2014. Um método que pode detectar planetas muito mais distantes é a microlente. O próximo Nancy Grace Roman Space Telescope poderia usar microlente para medir a frequência relativa dos planetas no bojo galáctico versus o disco galáctico. Até agora, as indicações são de que os planetas são mais comuns no disco do que no bojo. Estimar a distância dos eventos de microlentes é difícil: o primeiro planeta considerado com alta probabilidade de estar no bojo é MOA-2011-BLG-293Lb a uma distância de 7,7 kiloparsecs (cerca de 25.000 anos-luz).

População I, ou estrelas ricas em metais, são aquelas estrelas jovens cuja metalicidade é mais alta. A alta metalicidade das estrelas de população I torna-as mais propensas a possuir sistemas planetários do que as populações mais antigas, porque os planetas se formam pela acreção de metais. O Sol é um exemplo de estrela rica em metais. Estes são comuns nos braços espirais da Via Láctea. Geralmente, as estrelas mais jovens, a população extrema I, são encontradas mais longe e as estrelas intermediárias da população I estão mais longe, etc. O Sol é considerado uma estrela intermediária da população I. As estrelas da População I têm órbitas elípticas regulares em torno do Centro Galáctico, com baixa velocidade relativa.

População II, ou estrelas pobres em metais, são aquelas com metalicidade relativamente baixa que podem ter centenas (por exemplo, BD +17° 3248) ou milhares (por exemplo, Estrela de Sneden) de vezes menos metalicidade que o Sol. Esses objetos se formaram durante um período anterior do universo. Estrelas intermediárias da população II são comuns no bojo perto do centro da Via Láctea, enquanto as estrelas da População II encontradas no halo galáctico são mais velhas e, portanto, mais pobres em metais. Os aglomerados globulares também contêm um grande número de estrelas de população II. Em 2014, os primeiros planetas em torno de uma estrela de halo foram anunciados em torno da estrela de Kapteyn, a estrela de halo mais próxima da Terra, a cerca de 13 anos-luz de distância. No entanto, pesquisas posteriores sugerem que Kapteyn b é apenas um artefato da atividade estelar e que Kapteyn c precisa de mais estudos para ser confirmado. Estima-se que a metalicidade da estrela de Kapteyn seja cerca de 8 vezes menor que a do Sol.

Diferentes tipos de galáxias têm diferentes histórias de formação de estrelas e, portanto, de formação de planetas. A formação dos planetas é afetada pelas idades, metalicidades e órbitas das populações estelares dentro de uma galáxia. A distribuição das populações estelares dentro de uma galáxia varia entre os diferentes tipos de galáxias. As estrelas em galáxias elípticas são muito mais velhas do que as estrelas em galáxias espirais. A maioria das galáxias elípticas contém principalmente estrelas de baixa massa, com mínima atividade de formação estelar. A distribuição dos diferentes tipos de galáxias no universo depende de sua localização dentro de aglomerados de galáxias, com galáxias elípticas encontradas principalmente perto de seus centros.


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VEJA TAMBÉM: TEMAS DE ASTRONOMIA, ASTROFÍSICA E COSMOLOGIA.



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04 janeiro 2023

SOL / SUN

SOL


O Sol é a estrela mais próxima da Terra, dista aproximadamente 150 milhões de quilômetros de nós, e é responsável por manter todo o Sistema Solar em sua interação gravitacional: oito planetas e os demais corpos celestes que o compõem, como planetas anões, asteroides e cometas.

Resumo de características gerais atuais do Sol

A composição do Sol é de 74% de hidrogênio e 24% de hélio, sendo o percentual restante formado principalmente por oxigênio, carbono e ferro. Toda a energia produzida pelo Sol é proveniente do processo de fusão nuclear decorrente das grandes temperaturas de seu núcleo (cerca de 15 milhões de kelvin) e de sua enorme pressão.

Consequentemente, nossa estrela é capaz de converter átomos de hidrogênio em hélio, e os números são incríveis: a cada segundo, o Sol funde cerca de 600 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio, convertendo parte dessa massa em energia, na forma de ondas eletromagnéticas, como os raios gama.

Ao todo, o Sol consome cerca de 4 milhões de toneladas de sua massa por segundo, uma taxa mais do que suficiente para mantê-lo brilhando pelos próximos 6 ou 7 bilhões de anos, devido à sua grande massa, que é de aproximadamente 1,98.1031 kg, mais de 330 mil vezes a massa da Terra.
           
Por conta de sua enorme massa, a gravidade na superfície do Sol chega a 274 m/s², 28 vezes maior que a da Terra. Isso faz com que a velocidade de escape por lá chegue aos 617 km/s, mais de 2 milhões de quilômetros por hora.

O período de rotação do Sol em torno do seu próprio eixo é de 27 dias para o seu equador, que gira a 7189 km/h, e de 35 dias para os seus polos. Essa diferença de período rotacional produz uma rotação diferencial (chamada de dínamo solar), responsável por sua grande atividade magnética, uma vez que toda a matéria presente na estrela encontra-se ionizada (no estado plasmático), dando origem às tempestades solares, erupções coronárias e manchas solares.


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29 julho 2022

ZERO ELEVADO A ZERO

Zero elevado a zero

A avaliação de zero elevado a zero é um problema matemático cuja resposta, por convenção, é 1. No entanto, este resultado é sempre envolto em alguma polémica devido a diferentes áreas da matemática (como Cálculo) usarem raciocínios matemáticos diferentes que assim conduzem a resultados diferentes: ou 1 ou o que se chama de forma indeterminada. Matemáticos como Euler e Cauchy pesquisaram o problema, concluindo que a existir a resposta esta teria de ser 1, mas sem uma resposta única sendo obtida para todos os casos.

Zero elevado a zero é igual a um?

Zero elevado a zero é INDETERMINADO?


Resultado = 1

Para identidades matemáticas, por convenção, a expressão 00 é considerada como sendo igual a 1.

Partindo do princípio de que

    na+b = na.nb,

segue-se o cálculo de n0no qual, para a = 0 e qualquer n e b não nulos,

    n0+b = n0.nb,

    n= n0.nb.

Sendo n e b não nulos, nb também não será nulo, o que, simplificando o resultado acima, n= 1, de forma a manter a lei fundamental acima.

Outra forma de entender o cálculo, é de que

    na-a = na.n-a,

    n0 = (na/na),

e portanto, n0 = 1. Nos cálculos acima, porém,  0. Por conveniência, adota-se que 00 = 1, seguindo-se desse cálculo, para uso em identidades como o binômio de Newton.


Resultado de forma indeterminada

A expressão n0 = 1 é uma das formas indeterminadas do Cálculo, a qual é obtida ao analisarmos o limite limx→0 f(x)g(x) quando limx→0 f(x) limx→0 g(x). Embora não haja razão para supor que uma forma indeterminada, que versa sobre o limite, seja igual ao valor exato do número 0 elevado ao número 0, muitos matemáticos desejam que haja essa concordância, justificando assim que o número 00 não deva ser definido.



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