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THE MIKE WALLACE INTERVIEW - GUEST: ALDOUS HUXLEY - 05/18/1958. ENTREVISTA DE MIKE WALLACE -  CONVIDADO: ALDOUS HUXLEY - 18/05/1958....

12 agosto 2015

CHERNOBYL, HIROSHIMA E NAGASAKI

Hiroshima e Nagasaki são habitáveis, mas Chernobyl ainda não

Há 70 anos, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki protagonizaram duas das maiores tragédias mundiais com as bombas lançadas pelos Estados Unidos, que causaram uma devastação e destruição jamais vistas.



Hiroshima, no Japão, após a explosão da bomba atômica em 1945.


Em Hiroshima, viviam cerca de 350.000 pessoas. Calcula-se que a bomba que caiu no dia 6 de agosto de 1945 matou por volta de 80.000 pessoas. Quase 80% dos edifícios foram destruídos ou sofreram danos irreparáveis. Atualmente, em 2015, a cidade tem cerca de 1.170.000 habitantes.

No entanto, ainda é incerto o número de mortes na cidade em decorrência das feridas sofridas depois da explosão e dos efeitos da radiação. Estima-se que o número varie entre 90.000 e 166.000 pessoas (as fontes variam).



Nagasaki, no Japão, após a explosão da bomba atômica em 1945.


Em Nagasaki, viviam cerca de 263.000 pessoas no dia da explosão nuclear, em 9 de agosto de 1945.

Calcula-se que entre 39.000 e 80.000 pessoas tenham morrido menos de um segundo após a detonação da bomba. Atualmente, em 2015, a população da cidade é de cerca de 450.000 pessoas.


Pior desastre nuclear

Agora avancemos 41 anos no tempo. Na madrugada de 26 de abril de 1986, ocorreu o que foi classificado como "pior desastre nuclear da história".

Um dos quatro reatores da usina de Chernobyl, na Ucrânia (que na época era parte da União Soviética), explodiu e causou um incêndio que liberou enormes quantidades de partículas radioativas na atmosfera.



O acidente na usina nuclear de Chernobyl em 1986 na Ucrânia (parte da antiga União Soviética).


Como consequência direta do acidente, morreram 31 pessoas. Mas as investigações sobre os efeitos da radiação a longo prazo (como câncer) continuam até hoje.

Depois do acidente, foi decretada uma zona de exclusão de 30 km ao redor da usina nuclear, que cobre uma área de aproximadamente 2.600 km² na Ucrânia. Ainda há restos de contaminação radioativa na atmosfera.


Reconstrução e exclusão

Como foi possível, então, que Hiroshima e Nagasaki, que sofreram explosões nucleares tão devastadoras e com tantas vítimas fatais, se tornassem cidades prósperas e habitáveis, enquanto Chernobyl virou um lugar completamente inabitado e assim seguirá por muitos anos?

Algumas explicações seguem abaixo.


1 - Quantidade de combustível nuclear

A bomba "Little Boy" (que caiu em Hiroshima) transportava 64 kg de urânio enriquecido. "Fat Man" (a bomba de Nagasaki) continha cerca de 6,2 kg de plutônio.

Hiroshima e Nagasaki foram reconstruídas um ano depois das explosões das 2 bombas atômicas.

O reator número quatro de Chernobyl tinha 180.000 kg de combustível nuclear, dos quais 2% (3.600 kg) eram urânio puro.

Quando o reator explodiu, calcula-se que foram liberadas 7.000 kg de combustível nuclear. No total, o desastre emitiu 100 vezes mais radiação que as bombas que caíram sobre Hirohima e Nagasaki.


2 - Diferenças na reação nuclear

Em Chernobyl, cerca de 7.000 kg de combustível nuclear (com enormes quantidades de partículas radioativas) escaparam para a atmosfera.

Quando o combustível nuclear se fundiu, foram liberados isótopos radioativos que incluíam xenônio, iodo radioativo e césio.


3 - Localização

As bombas que caíram em Hiroshima e Nagasaki foram detonadas no ar, centenas de metros acima da superfície da Terra. Como resultado, os depósitos radioativos se dispersaram como efeito da nuvem criada pela explosão.

Em Chernobyl, no entanto, o reator quatro se fundiu na superfície, produzindo uma ativação de nêutrons que fizeram com que a terra se tornasse radioativa.


4 - Tempo de liberação de energia

Ainda que funcionem na base dos mesmos princípios, a detonação de uma bomba atômica e o colapso de uma usina nuclear são processos muito diferentes.

Uma bomba atômica está baseada na ideia de liberar a maior energia possível da reação de uma fissão nuclear no menor tempo possível. A ideia é criar o maior dano e devastação possíveis para anular as forças inimigas. Assim, os isótopos radioativos que se criam em uma explosão atômica têm um período de vida relativamente curto.

Um reator nuclear está desenhado para produzir energia em um processo de reação lento, isso resulta na criação de materiais de resíduos nucleares que possuem uma vida mais longa, ou seja, a radiação inicial de um acidente nuclear pode ser muito mais baixa que a de uma bomba, mas seu tempo de vida será muito mais longo.

Calcula-se que milhares de anos se passarão (estimativas citam até 20.000 anos) para que a zona de exclusão de Chernobyl possa voltar a ser habitável.

Fonte: UOL (agosto 2015).

25 julho 2015

ORIGEM DA VIDA COMPLEXA

Junção de micróbios teria dado início à vida complexa

Extraído: The New York Times – 25/07/2015

Como foi que as pedras, o ar e a água se uniram para formar as primeiras criaturas vivas na Terra primitiva? Por que a vida complexa como a dos animais e das plantas surgiu de um só ancestral somente uma vez na História de nosso planeta? Por que dois sexos e não três, quatro ou 12? Por que envelhecemos e morremos?

No livro "The Vital Question: Energy, Evolution, and the Origins of Complex Life" (A questão vital: energia, evolução e as origens da vida complexa), Nick Lane pretende responder a essas perguntas e muitas mais com um novo conjunto de ideias sobre o surgimento e a evolução da vida. Bioquímico da University College London, Lane sustenta que com alguns princípios da física, podemos presumir por que a vida é assim – na Terra e no resto do cosmos.

O livro anterior de Lane, "Life Ascending: The Ten Great Inventions of Evolution" (Vida ascendente: as dez grandes invenções da evolução), ganhou o Prêmio da Real Sociedade para livros científicos, e novamente ele se mostra um guia capaz em meio a terreno científico traiçoeiro. O autor escreve com prosa lúcida, acessível e, embora a ciência possa se tornar densa, o leitor será recompensado com uma visão impressionantemente anticonvencional da biologia.

A ideia mais surpreendente de Lane tem a ver com como a vida complexa surgiu. Durante a maior parte da História terrestre, a vida era microbiana: nada de árvores, cogumelos nem mamíferos. Embora os micróbios exibam diversidade bioquímica espantosa, vivendo em qualquer coisa, de concreto a ácido de bateria, eles nunca evoluíram para se tornar algo mais complicado do que uma única célula.

Então, o que tornou possível o grande florescer da biodiversidade? Partindo de ideias desenvolvidas com o biólogo da evolução William Martin, Lance localiza as origens da vida em um acaso bizarro há bilhões anos, quando um micróbio passou a viver dentro de outro. Segundo ele, esse evento não foi uma divisão da árvore evolucionária, mas uma fusão com consequências profundas.

O novo inquilino forneceu energia para o hospedeiro, pagando aluguel químico em troca de habitação segura. Com a renda extra, a célula hospedeira pôde se dar ao luxo de fazer investimentos em comodidades biológicas mais complexas. A união prosperou, replicou e evoluiu.

Hoje, chamamos esses micróbios internos de mitocôndria; quase toda célula em nosso organismo tem milhares dessas fábricas energéticas. Lane e Martin argumentam que em função da mitocôndria, células complexas têm quase 200 mil vezes mais energia por gene, abrindo espaço para genomas maiores e evolução irrestrita.

Dentro da célula, a mitocôndria guarda seus próprios anéis minúsculos de DNA, postos genéticos avançados distintos do centro de comando genético no núcleo da célula.

Embora a relação agora seja de simbiose, no começo o DNA mitocondrial vivia sendo bombardeado pelo genoma nuclear, provocando mutações frequentes. Sob essas condições, assegura Lane, somente a evolução do sexo permitiria à seleção natural manter a função de genes individuais em grandes genomas que sofrem ataques.

Mas por que dois sexos? O índice de mutação no DNA mitocondrial é elevado, o que pode abalar fatalmente a função celular. O desafio para qualquer organismo é manter baixo esse índice e, com dois sexos, argumenta Lane, nos quais somente um deles passa as mitocôndrias à descendência, o problema é atenuado.

Nós vemos isso em quase todos os organismos complexos. Por exemplo, os humanos recebem a mitocôndria exclusivamente das mães.

Com a idade, as mutações mitocondriais se acumulam. Em outro lugar, Lane destacou pesquisa mostrando que variantes em um único gene mitocondrial reduziram pela metade a perspectiva de ser internado por doenças causadas pela idade em pacientes que as tem, e duplicaram a perspectiva de viver até os cem anos. Lane acredita que esse achado poderia levar a progressos médicos se nós compreendêssemos como proteger o DNA mitocondrial.

"Como podemos esperar compreender a doença se não temos ideia do motivo de as células funcionarem assim?", ele questiona.

Mas e as origens da vida, antes de existirem células? Lane também tem algo a dizer a esse respeito. Livros didáticos contam que a origem da vida tem raízes na especulação de Darwin de que em algum "laguinho quente" a matéria inanimada, talvez energizada por um raio de sorte, formou moléculas complexas que terminaram se replicando sozinhas.

Isso faz Lane pensar para trás. Segundo ele, a matéria inanimada nunca poderia se agrupar em moléculas maiores com apenas um raio, da mesma forma que uma pilha de tijolos não poderia se montar como uma casa durante a tempestade. O surgimento da vida deve ter sido impulsionado por uma fonte de energia confiável e contínua.

A visão alternativa de Lane se origina com o geólogo Mike Russell, que décadas atrás propôs que a vida surgiu em formações rochosas elevadas no leito oceânico, onde a agua aquecida e carregada de minerais era cuspida do centro da Terra por meio de uma rede oca de compartimentos do tamanho de células. Essas rochas continham os ingredientes necessários para a vida começar e, o mais importante, sua temperatura natural e gradientes de energia favoreciam a formação de moléculas maiores. Ao tirar proveito da energia de uma Terra inquieta, no entender de Lane, uma pilha de tijolos só pode ser tornar uma casa.

Esse cenário gera uma previsão inesperada sobre como os organismos geram energia. Nas células de quase toda criatura, incluindo os humanos, os prótons estão presos em um dos lados de uma membrana. A única saída é com a ajuda de proteína notável, com formato de turbina, a ATP sintase. Os prótons caem pela proteína rotatória, convertendo aquela energia em um formato útil para a célula, análoga a uma roda d'água.

Esse mecanismo bizarro, tão universal quanto o DNA, é totalmente inesperado na ciência. Porém, é baseado nas rochas porosas de Russell, que separam a água pobre em próton de seu interior do oceano rico em prótons. A vida tirou proveito dessa dinâmica natural do próton, Lane afirma: os gradientes do próton devem ser uma "propriedade universal da vida no cosmos".

A ampla perspectiva de Lane, que tenta abordar as origens da vida, sexo e morte, é sedutora e muitas vezes convincente, embora a especulação muitas vezes supere os fatos em muitas das passagens do livro. Todavia, talvez para uma teoria biológica de tudo, isso é esperado, até mesmo bem-vindo.

Ainda não se sabe se a pesquisa irá confirmar Lane, mas suas muitas previsões, por mais incríveis que pareçam, podem ser testadas e poderiam manter os cientistas ocupados durante anos. Vamos aguardar novas rodadas e avanços das pesquisas científicas.

O escritor Nick Lane autor de "The Vital Question: Energy, Evolution, and the Origins of Complex Life" (A questão vital: energia, evolução e as origens da vida complexa).

24 julho 2015

GOODBYE BLUE SKY

PINK FLOYD

Video from the movie "PINK FLOYD THE WALL" (1982).



"Goodbye Blue Sky" (1979)

[Childs voice:]
Look, Mummy. There's an airplane up in the sky.

Oooooooo ooo ooo ooooh 
Did you see the frightened ones 
Did you hear the falling bombs 
Did you ever wonder 
Why we had to run for shelter 
When the promise of a brave new world 
Unfurled beneath a clear blue sky 
Oooooooo ooo ooooo oooh 
Did you see the frightened ones 
Did you hear the falling bombs 
The flames are all long gone 
But the pain lingers on 
Goodbye blue sky 
Goodbye blue sky 
Goodbye 
Goodbye

19 julho 2015

MAIOR APROXIMAÇÃO COM PLUTÃO (2)

SONDA EM PLUTÃO

Imagem mostra superfície de Plutão feita pela New Horizons (Foto: Nasa TV/Divulgação).

"Eu pensava que esta missão poderia terminar como uma das mais chatas do mundo, e que Plutão acabaria sendo como nossa Lua ou Mercúrio, um planeta cheio de crateras em que nada acontece", afirmou à BBC Nigel Henbest, astrônomo britânico da Universidade de Leicester e conhecido divulgador científico.

"Ficamos todos de queixo caído com o que vimos, toda a atividade nesses mundos (Plutão e suas luas), mas ainda não temos ideia do que está realmente ocorrendo ali."

A região em forma de coração é chamada de Região de Tombaugh, em homenagem ao descobridor do planeta anão.

Henbest fala sobre a paisagem de montanhas geladas, sem crateras e com evidências de processos geológicos encontrada no planeta anão nos confins do Sistema Solar.

Sua surpresa é compartilhada pelo restante da comunidade científica que, graças à sonda New Horizons da Nasa (agência espacial americana) que sobrevoou Plutão em 14 de julho, pode, pela primeira vez, conferir imagens em alta resolução do planeta.

A geografia dinâmica e variada revelada pelas imagens muda a perspectiva que tínhamos sobre esse corpo celeste desde seu descobrimento, há 85 anos.

E essas informações também podem trazer respostas sobre como se formam os planetas e, inclusive, sobre as origens de alguns elementos fundamentais da vida.

Altas como os Alpes

Um dos traços que mais surpreendeu os pesquisadores é a topografia acidentada de Plutão.

As imagens mostram montanhas nos extremos da região que tem forma de coração – batizada informalmente como Região de Tombaugh, em homenagem ao descobridor de Plutão, Clyde Tombaugh – com cerca de 3.300 metros, altitude superior à dos Alpes na Europa ou à das Montanhas Rochosas no oeste dos Estados Unidos.

"E pode ser que existam montanhas mais altas em outra parte", explica John Spencer, um dos pesquisadores da missão.

Segundo Spencer, a capa relativamente fina de metano, monóxido de carbono e nitrogênio congelado que cobre a superfície do planeta anão é forte o suficiente para formar montanhas.

Por isso os cientistas acreditam que elas se formaram com a água congelada do subsolo, já que o gelo se comporta como rocha sob as temperaturas gélidas de Plutão.

Curiosamente, as observações feitas do planeta desde a Terra não haviam detectado sinais de água gelada.

Essa teoria poderá ser corroborada pelas medições feitas por sete equipamentos a bordo da New Horizons, cujos resultados irão chegar ao centro de controle de Maryland (EUA) nos próximos 16 meses. "Podemos estar certos de que existe água em abundância", avalia de antemão Alan Stern, chefe da missão.

Ausência de crateras

Nada de crateras. Essa foi a segunda grande surpresa que a missão trouxe aos cientistas. A sonda New Horizons demorou 9 anos e meio para chegar a Plutão, passando por todo o Sistema Solar.

As crateras permitem aos astrônomos determinar a idade de uma superfície: se é muito antiga terá marcas deixadas por impactos de colisões e se for mais nova será mais lisa, já que a formação recente apaga as impressões anteriores.

As novas imagens, apontou Stern, mostram um terreno que parece ter passado por processos vulcânicos ocorridos nos últimos 100 milhões de anos.

Isso implicaria numa idade extremamente jovem para a superfície, se considerarmos que o Sistema Solar tem 4,5 bilhões de anos.

Tal atividade geológica demanda alguma fonte de calor. Isso foi visto antes apenas em luas congeladas, onde tais processos se explicam pelas "marés de calor" causadas por interações gravitacionais com o planeta mais próximo.

"Marés de calor não são imprescindíveis para gerar calor geológico em corpos congelados. Essa foi uma descoberta importante que fizemos nesta semana", afirmou Spencer.

Mais gelo e menos rocha

Plutão se localiza no Cinturão de Kuiper, uma zona periférica do Sistema Solar onde o Sol deixa de influenciar os corpos celestes que o rodeiam. O tamanho de Plutão também não era o que se pensava: demonstrou ter alguns quilômetros a mais de diâmetro, agora definido em 2.370 km, o que equivale a aproximadamente dois terços do tamanho de nossa Lua.

Isso quer dizer que Plutão tem mais gelo e menos rochas abaixo de sua superfície do que se pensava.

A falta de precisão na medição de Plutão desde a Terra ocorre porque, em primeiro lugar, o corpo celeste está muito longe daqui (4,8 bilhões de km). E também porque sua atmosfera cria reflexos capazes de confundir o telescópio terrestre mais avançado.

E existe neve no planeta gelado? Os sensores da New Horizons detectaram que a fina atmosfera de nitrogênio se estende até o espaço, e pesquisadores acreditam que ela possa gerar flocos que atinjam a superfície antes de evaporar na atmosfera.

Caronte

As surpresas não acabam em Plutão. Caronte, sua maior lua, também deixou cientistas perplexos. As imagens mostram penhascos tão profundos como o do Grand Canyon, no oeste dos Estados Unidos.

Imagem feita pela New Horizons mostra Caronte, uma das luas de Plutão (Foto: Nasa TV/Divulgação).

"Pensava que Caronte poderia ter um terreno antigo coberto de crateras… mas ficamos boquiabertos quando vimos a nova imagem", explicou Cathy Olkin, cientista da missão, citando uma cadeia de desfiladeiros de 800 km.

Até agora os pesquisadores contam apenas com uma parte ínfima dos dados que a sonda já recolheu.
Certamente, ao longo desses 16 meses em que toda a informação será enviada, continuaremos a ser presenteados com surpresas e imagens maravilhosas.

De: globo.com

15 julho 2015

MAIOR APROXIMAÇÃO COM PLUTÃO (1)

PLUTÃO

Do UOL, em São Paulo - 14/07/2015

- A face de Plutão -

Por volta da 08h49 (horário de Brasília) do dia 14/07/2015, a sonda New Horizons passou a menos de 12.500 quilômetros da superfície de Plutão, ponto mais próximo que uma missão espacial chegou do planeta anão até hoje, de acordo com a NASA.

A aproximação foi feita a uma velocidade de mais de 49.300 km/h, depois de uma viagem de 5 bilhões quilômetros. Comentaristas da TV da NASA chamaram a missão de "histórica" e de "uma incrível viagem".

Allan Stern, chefe da missão, disse que a equipe espera que até as 21h00 (do horário local, 22h00 em Brasília) desta terça-feira eles saibam se a sonda sobreviveu a missão. "É um pequeno drama, já que é uma verdadeira exploração", disse. O perigo é considerado baixo, de um para 10 mil, mas há chances da sonda ser atingida por algum material espacial na região próxima a Netuno, conhecida como o cinturão de Kuiper.

No entanto, as primeiras informações sobre o planeta anão devem demorar horas para serem enviadas à NASA e as primeiras imagens podem ser vistas somente no dia seguinte.

Em parte pela simplicidade, em parte por conta da economia local, os instrumentos e a antena da sonda estão presos ao corpo da espaçonave, e não em uma plataforma móvel. Isso significa que a New Horizons não é capaz de tirar fotos e conversar com a Terra ao mesmo tempo. Ela fará apenas uma pausa breve para enviar uma mensagem de volta e informar os cientistas e engenheiros de que sobreviveu ao encontro, além de fornecer alguns detalhes de engenharia a respeito dos eventos daquele dia.

Quatro horas e meia depois, que é o tempo que a luz demora para viajar os quase 5 bilhões de quilômetros de Plutão até aqui, a mensagem chegará ao centro de controle. As primeiras fotos serão enviadas para a Terra no dia seguinte. Por conta do grande volume de dados, o ritmo lento da transferência e a necessidade de compartilhar a Rede de Espaço Profundo da NASA com outra espaçonave, será necessário um ano e meio para que toda a informação seja transmitida por rádio até a Terra.

Stern disse que espera ter coletado o máximo de dados sobre o planeta anão até novembro deste ano.

1. Longe e pequeno
O planeta-anão fica a cerca de 4 bilhões de quilômetros da Terra. Ele tem cerca de 2.360 quilômetros de largura, menor que a nossa Lua. A nave espacial não tripulada passa por Plutão a uma velocidade de 49,6 mil quilômetros por hora.

2. Fotos e medições
Durante a passagem, os sete instrumentos a bordo da New Horizons vão analisar Plutão e suas luas, tanto com medições topográficas quanto de composição de sua atmosfera. A chegada foi calculada para que a lua Charon estivesse do lado noturno de Plutão, ou seja, se alguém estivesse na superfície de Plutão, veria Charon do lado escuro e a luz refletida de Charon a Plutão, é forte o bastante para iluminar as fotografias.

3. Coração de Plutão
Na parte inferior direita da foto é possível enxergar um formato de coração. A imagem foi feita a 6,7 milhões de quilômetros de distância. A ideia de chegar mais próximo é conhecer melhor a formação do planeta.

4. Vista de muito, muito perto
Alan Stern, o pesquisador chefe da missão, gosta de dizer que se a New Horizons fosse observar Manhattan, em Nova York, de uma distância similar, suas lentes telescópicas seriam capazes de observar os lagos do Central Park.

5. Conhecido há 85 anos
Plutão foi descoberto pelo astrônomo Clyde W. Tombaugh há 85 anos. O Observatório Lowell, que tinha o direito de nomear o novo planeta, recebeu mais de 1.000 sugestões de nomes de todo o mundo, mas o vencedor veio de uma menina de onze anos em homenagem ao deus romano do submundo, Plutão, adequado para um objeto presumivelmente escuro e gelado.

6. Vulcões de gelo em erupção
A fina atmosfera de Plutão é feita de nitrogênio e metano, com tempestades de gelo e neve. Sua superfície provavelmente tem vulcões de gelo em erupção.

7. Região cheia de planetas anões
Plutão se converteu no arquétipo do que os astrônomos chamam de "terceira zona" do Sistema Solar. Além de planetas rochosos como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte e dos gigantes de gás como Júpiter (e Saturno, Urano e Netuno), é possível que existam milhões de mundos gelados dando voltas em torno do Sol no Cinturão de Kuiper. Plutão é o maior dos astros desta região.

8. Lembranças da Terra
A New Horizons leva uma série de lembranças sentimentais da Terra, incluindo as cinzas de Tombaugh, que morreu em 1997; um CD-ROM com os nomes de 434.000 pessoas que responderam a um chamado feito pela Nasa para que as pessoas enviassem seus nomes a Plutão; algumas moedas de Maryland (onde a nave foi construída) e da Flórida (de onde foi lançada).

9. Missão durou 14 anos
Demorou muito tempo para chegar até Plutão: 14 anos desde a proposta inicial e 9 anos e meio desde que a New Horizons deixou a Terra em janeiro de 2006.

10. Planeta anão
Em 2006, foi descoberto um corpo celeste mais distante que Plutão e que parecia ser maior. Ou esse mundo, chamado de Éris, em homenagem à deusa grega do caos e da discórdia, também seria considerado um planeta, ou Plutão teria que ser rebaixado. A União Astronômica Internacional então decidiu que para que um objeto fosse um planeta ele teria que puxar todos os objetos ao seu redor para sua órbita. Plutão é pequeno demais para ter muita força gravitacional, de forma que a organização criou uma nova classificação para Plutão.

03 julho 2015

WALDO VIEIRA (nota do dia) (2)

Nota de falecimento do Professor Waldo Vieira (extraído do site do IIPC)

Personalidade aglutinadora e considerado gênio multidotado, Vieira liderava uma comunidade de 841 voluntários dedicados à Conscienciologia.

O Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC) informa, com pesar, o falecimento do professor Waldo Vieira, aos 83 anos de idade, às 17h50 desta quinta-feira, dia 2, no Hospital Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu.Vieira sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) na madrugada do dia 26 de junho e estava internado em estado de coma. O corpo será cremado e não haverá velório.

O professor foi internado no dia 25 de junho após ser detectada a presença de líquido no pulmão. O problema foi contornado, mas na sequência ele sofreu o AVC, considerado irreversível. Antes de ser internado, Waldo Vieira estava em casa e se recuperava de uma revascularização miocárdia, realizada em São Paulo.

Waldo Vieira nasceu em 12 de abril de 1932 em Monte Carmelo (MG). Era graduado em Medicina e Odontologia. Foi propositor das ciências Projeciologia e Conscienciologia, sistematizadas nos tratados Projeciologia: Panorama das Experiências Fora do Corpo Humano (1986) e 700 Experimentos da Conscienciologia (1994).

Escreveu mais de 60 obras, entre livros, tratados, dicionários e centenas de artigos relacionados à pesquisa da consciência e ao parapsiquismo. Em 1995, fundou o CEAEC, o primeiro campus da Conscienciologia. No ano 2000, trocou o Rio de Janeiro por Foz do Iguaçu para atuar em tempo integral no CEAEC e acelerar a escrita da Enciclopédia da Conscienciologia, obra coletiva com textos dele e de outros 500 verbetógrafos.

Nos últimos anos, o trabalho da Conscienciologia cresceu e Vieira propôs a criação do Bairro Cognópolis, onde fica o CEAEC e outras 21 instituições conscienciológicas. Também conhecido por “Cidade do Conhecimento” e Bairro do Voluntariado, Cognópolis foi oficializado pelo Decreto Municipal 18.887, publicado em 2009.

Personalidade aglutinadora e considerado gênio multidotado, Vieira liderava uma comunidade de 841 voluntários dedicados à Conscienciologia, residentes em Foz do Iguaçu, entre os quais médicos, professores e empresários, vindos de diversas partes do Brasil e do exterior.

Nos últimos meses, o professor ministrava, diariamente, minitertúlias conscienciológicas no CEAEC e trabalhava no terceiro volume da obra “Léxico de Ortopensatas”, no prelo. As atividades da Conscienciologia no Brasil e exterior serão mantidas normalmente com o compromisso dos voluntários de preservar e expandir o legado deixado por Vieira. O CEAEC e as demais instituições conscienciológicas mantêm as portas abertas para visitas, cursos, debates e palestras.

Foto Crédito - Simone Di Domenico

Informações biográficas:

Waldo Vieira nasceu em Monte Carmelo, Minas Gerais, em 12 de abril de 1932, filho do dentista Armante Vieira e da professora Aristina Rocha. Pesquisador independente, escritor e professor, graduou-se em Odontologia (1954) e em Medicina (1960), com pós-graduação em Plástica e Cosmética em Tóquio, Japão. Foi o propositor das neociências Projeciologia e Conscienciologia, sistematizadas nos tratados “Projeciologia: Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano” (1986) e “700 Experimentos da Conscienciologia” (1994). Sensitivo, ainda na infância iniciou seus estudos sobre as habilidades parapsíquicas (percepção extrassensorial, mediunidade, paranormalidade) e tornou-se, posteriormente, membro das principais instituições internacionais e nacionais de pesquisa do parapsiquismo, a exemplo da SPR – Society for Psychical Research (Londres, Reino Unido), ASPR – American Society for Psychical Research (Nova York, EUA), Associação Brasileira de Parapsicologia (Rio de Janeiro – RJ) e CEAEC – Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (Foz do Iguaçu – PR).

O pesquisador escreveu dezenas de livros e centenas de artigos relacionados à pesquisa da consciência, de caráter científico, porém sempre apontando a necessidade de um paradigma que considerasse o fenômeno consciencial (e, portanto, o parapsiquismo humano) para além da matéria ou do cérebro biológico apenas. Antes disso, nas décadas de 1950 e 1960, atuou no Movimento Espírita.

A psicografia (escrita mediúnica), manifesta aos 13 anos, foi aperfeiçoada e, já com 23 anos, quando conheceu o famoso médium Chico Xavier, já estava plenamente desenvolvida. Desde o início, o encontro de Vieira e Xavier sinalizava ser promissor: o primeiro livro psicografado em coautoria foi “Evolução em Dois Mundos”, publicado em 1958. No Espiritismo, Vieira psicografou dezenas de obras solo ou em parceria com Chico Xavier, além de várias outras ações assistenciais, como a fundação do centro “Comunhão Espírita Cristã”, na cidade de Uberaba (MG). Em 1966, desliga-se do Movimento Espírita e passa a dedicar-se à pesquisa independente, radicando-se na cidade do Rio de Janeiro.

Projetor consciente desde os nove anos, o que equivale a dizer que tinha experiências lúcidas fora do corpo desde o início da década de 1940, tornou-se a referência mundial quando o assunto é Projeciologia, o estudo técnico deste fenômeno, principalmente após a publicação, em 1981, do livro “Projeções da Consciência”, onde propõe publicamente, de maneira inédita, a especialidade. Ainda na década de 80, é um dos fundadores do IIP, atual IIPC – Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia, instituição de educação e pesquisa reconhecida como de utilidade pública federal a partir de 1998 e que completou 27 anos de existência no último mês de janeiro.

Em 2000, Vieira muda residência para Foz do Iguaçu e passa a morar no campus do CEAEC. A partir de então, concentrou os esforços pessoais na aglutinação de pesquisadores interessados na expansão dos trabalhos da Conscienciologia na Tríplice Fronteira, visando à instalação do bairro Cognópolis, também conhecido por Bairro do Saber ou Cidade do Conhecimento, de modo semelhante ao que havia feito em Uberaba décadas atrás com o Parque das Américas. Oficialmente criado através do Decreto Municipal 18.887, de 20 de maio de 2009, possui seis condomínios residenciais, quatro em implantação, vinte instituições de pesquisa da Conscienciologia (várias delas fundadas pelo próprio Vieira), o Hotel Mabu Interludium Iguassu Convention, além de projetos em construção, a exemplo da Ágora Cognopolita e o Megacentro Cultural Holoteca, projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Na sustentação destes megaempreendimentos, está o aporte humano de mais de 800 voluntários, que transferiram domicílio para Foz do Iguaçu, afora os iguaçuenses com colaboração diária.

Com a vida inteira dedicada à pesquisa, docência, autorado e interassistência, nos últimos meses dedicava-se às minitertúlias conscienciológicas, que aconteciam diariamente no Tertuliarium, no campus do CEAEC, e ao terceiro volume de sua obra “Léxico de Ortopensatas”, que deixa no prelo. Conforme sempre fazia questão de enfatizar, todas as atividades intelectuais que desenvolvia eram inteiramente orientadas pelo Princípio da Descrença, que enuncia que “não se deve acreditar em nada”, pois o mais importante para cada indivíduo é usar o senso crítico, o raciocínio e aprender com as próprias experiências.

Waldo Vieira veio a óbito no dia 02 de julho de 2015, em Foz do Iguaçu (PR) depois de sofrer um AVC.



WALDO VIEIRA (nota do dia) (1)

WALDO VIEIRA - Dessoma

Foz do Iguaçu

Dessoma, aos 83 anos, Waldo Vieira, o propositor da Conscienciologia

Às 17 horas e 50 minutos do dia 2 de julho (ontem), no Hospital Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu (PR), o médico, professor e pesquisador Waldo Vieira, o propositor da Conscienciologia não resistiu a um acidente vascular cerebral (AVC).

Waldo foi fundador do "CEAEC - Centro de Altos Estudos da Conscienciologia" em Foz do Iguaçu e escreveu dezenas de livros. Uma das suas obras mais importantes é a "Enciclopédia da Conscienciologia, que possui mais de 20 mil páginas escritas e continua sendo elaborada com o auxílio de pesquisadores do mundo inteiro.

Waldo Vieira no CEAEC em Foz do Iguaçu.

O tratado "PROJECIOLOGIA - Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano", que teve sua primeira edição em 1986, ocupa as prateleiras das principais bibliotecas mundiais e oferece 1907 menções bibliográficas mundiais sobre a Projeciologia, consagrada como ciência a partir da difusão desta obra. Outro tratado escrito por Waldo Vieira, "700 EXPERIMENTOS DA CONSCIENCIOLOGIA", lançado em 1994, consolidou a Conscienciologia como disciplina científica.

No início deste ano de 2015, Waldo foi homenageado com a produção do filme "Waldo Vieira - Vida e Obra".

A pedido do próprio Waldo, não haverá velório ou cortejo. Seu corpo foi encaminhado diretamente ao crematório. Para ele, a morte era apenas uma viagenzinha.


26 junho 2015

ASSISTÊNCIA PELO ESCLARECIMENTO

Tarefa do esclarecimento (TARES)

A Conscienciologia possui uma especialidade chamada Assistenciologia que visa o estudo e o desenvolvimento de técnicas para realizar assistência, ajuda ou auxílio para si próprio e principalmente para as outras pessoas. Esse tema é um dos pilares dessa ciência pois, do ponto de vista evolutivo de todos os seres, admitimos a seguinte hipótese: todas as pessoas nascem para praticar a assistencialidade.

No entanto, para evoluirmos com maior qualidade não basta fazermos qualquer tipo de assistência. Por mais que seja gratificante dar sopa aos pobres, doar gorjetas ao “criança esperança” ou emprestar seu ombro para quem precisa de consolo, atitudes como essas não são suficientes para quem quer praticar assistencialidade avançada.

- ESCLARECIMENTO -

Um novo conceito proposto pela Conscienciologia é a tares (abreviação de tarefa do esclarecimento). Essa tarefa de assistência libertária visa à fraternidade fundamentada na informação, conhecimento e autenticidade na abordagem por ir ao cerne do problema ao invés de ficar apenas no processo consolatório. Fazer tares é exaltar a autocrítica, ajudar sendo menos vaidoso, priorizar o discernimento e, em determinados casos, dizer mais não do que sim.

Apesar de ser uma postura menos simpática, a tarefa do esclarecimento não visa simplesmente apontar erros alheios ou “ferir” com o pretexto de ser sincero. A tares é o resultado do amor maduro, um sentimento nobre proveniente de nossa essência mental, que nos permite auxiliar sem criar dependências ou idolatrias. Quem ajuda desse modo contribui para que os assistidos consigam autonomia, ou seja, que cresçam a partir de suas capacidades.

Entre as vantagens de utilizar a tares como conduta está o fato de passar a informação com sinceridade e realismo, sem insistir ou convencer o outro, e de levar as pessoas a pensar o que antes era ‘impensável’. Quem pratica a tares adota os binômios autenticidade-despojamento e franqueza-educação. O esclarecimento também gera estresse positivo e crises de crescimento, levando o indivíduo a sair da condição da mediocridade evolutiva. A tares favorece ainda o predomínio da racionalidade em detrimento do instinto animal.

Se você, caro leitor, entendeu a importância dessa postura assistencial e tem o interesse de ser menos paliativo, atuando com mais propriedade, é importante estar ciente que devido às suas particularidades, é recomendado ao praticante:

1. Saber que provavelmente verá 99 “sobrancelhas cerradas” e apenas um sorrisão aberto depois de cada tares realizada.

2. Esperar ingratidões e decepções de onde, e de quem, jamais se esperaria.

3. Buscar sempre ser justificadamente otimista, dentro de si mesmo, pelo conhecimento útil, sem se deixar contaminar pelo pessimismo a volta.

4. Entender que o primeiro esclarecimento vem com a nossa melhoria através do exemplarismo silencioso de nossas mudanças íntimas. Isto é, aplicar o que sabe, antes de tudo em si mesmo.

5. Superar as incompreensões geradas pela instabilidade da nossa renovação constante.

O intuito dessa análise não é menosprezar as ajudas do tipo consolação ou o assistencialismo ainda importantes e necessários em nossa sociedade. Porém, percebemos que faltam pessoas preparadas para fazer a tares, ou o esclarecimento avançado.

Ainda precisamos descobrir nosso verdadeiro potencial assistencial. Consideramos que todos nascemos para praticar a assistencialidade qualificada na Terra, sendo necessário por isso reparar as imaturidades. Dessa forma, a Conscienciologia convida a todos a fazer suas renovações íntimas e vivenciar a tarefa do esclarecimento, uma postura de heterocrítica qualificada que contribui para a evolução tanto de quem a pratica como de quem a recebe.


Alexandre Pereira é educador físico, professor, pesquisador e voluntário do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), instituição de educação e pesquisa científica, laica, sem fins de lucro, que objetiva estudar a consciência humana e todas as formas de sua manifestação, incluindo as bioenergias e o parapsiquismo. O IIPC atende também em Curitiba na Av. Deputado Joaquim Jo´se Pedrosa, 1505, sala 905, Centro. Palestras gratuitas todos os sábados, 14h00, e terças-feiras, 19h30. Mais informações pelo site www.iipc.org ou pelo fone (41) 3233-5736.

30 maio 2015

EVOLUÇÃO HUMANA (Parte 6) Homo

Homo

Homo é o gênero que inclui os humanos modernos (Homo sapiens) e espécies estreitamente relacionadas com eles. Estima-se que o gênero tenha se iniciado há cerca de 2,5-3,2 milhões de anos, evoluindo de ancestrais australopitecíneos com o surgimento do Homo habilis. O H. habilis, especificamente, é considerado descendente direto do Australopithecus garhi, que viveu cerca de 2,5 milhões de anos atrás. No entanto, em maio de 2010, o Homo gautengensis foi descoberto, uma espécie que acredita-se ser ainda mais antiga que o H. habilis.

O mais saliente desenvolvimento fisiológico entre as duas espécies é o aumento da capacidade encefálica (ou craniana), de cerca de 450 cm³ no A. garhi para 600 cm³ no H. habilis. Dentro do gênero Homo, a capacidade craniana novamente foi duplicada entre o H. habilis e o Homo ergaster, ou através do H. erectus ao Homo heidelbergensis, de 0,6 milhões de anos atrás. A capacidade craniana do H. heidelbergensis sobrepôs-se com a variação encontrada nos humanos modernos.

Acreditava-se que o advento do gênero Homo tinha coincidido com a primeira evidência do uso ferramentas de pedra (a indústria Olduvaiense) e assim, por definição, com o início do período Paleolítico Inferior. No entanto, uma recente evidência encontrada na Etiópia indicou que a primeira vez que houve a utilização de ferramentas de pedra ocorreu há 3,39 milhões de anos. O surgimento do gênero Homo coincide aproximadamente com o início da glaciação do Quaternário, o início da era do gelo atual.

Todas as espécies desse gênero, exceto o Homo sapiens (os humanos modernos) estão extintas. O Homo neanderthalensis, tradicionalmente considerado o último parente humano vivo, extinguiu-se há cerca de 24 mil anos. No entanto, uma recente descoberta sugere que uma outra espécie, o Homo floresiensis, descoberto em 2003, pode ter vivido tão recentemente como há 12 mil anos. Os outros Homininae sobreviventes - os chimpanzés e gorilas - têm um alcance geográfico limitado. Em contraste, a evolução dos seres humanos é uma história de migrações e miscigenações. De acordo com estudos genéticos, os humanos modernos foram criados a partir de "pelo menos dois grupos" de seres humanos antigos: os Neandertais e os Denisovanos. Os seres humanos deixaram a África várias vezes para ocupar a Eurásia e, finalmente, Américas, Oceania e o resto do mundo.

Etimologia

Nas ciências biológicas, em particular na antropologia e na paleontologia, o nome comum para todos os membros do gênero Homo é "humano".

A palavra homo é latina, no sentido original de "ser humano", ou "homem" (no sentido de gênero-neutro). A palavra "humano" em si vem do latim humanus, um cognato adjetivo para homo, que acredita-se ter sido derivada de uma palavra proto-indo-européia para "terra", reconstruída como *dhǵhem-.

O nome binominal Homo sapiens é atribuído a Carl Linnaeus (1758).

Nomes de outras espécies começaram a ser cunhados na segunda metade do século XIX (H. neanderthalensis - 1864, H. erectus - 1892).

Espécies

O estatuto de espécies como o Homo rudolfensis, H. ergaster, H. georgicus, H. antecessor, H. cepranensis, H. rhodesiensis e H. floresiensis permanece em debate. O H. heidelbergensis e o H. neanderthalensis estão estreitamente relacionados uns aos outros e têm sido considerados como uma subespécie de H. sapiens. Recentemente, o DNA nuclear de um espécime Neanderthal da Caverna Vindija foi sequenciado utilizando dois métodos diferentes que produziram resultados semelhantes em relação às linhagens do Neanderthal e do H. sapiens, com ambas as análises, sugerindo uma data para a divisão entre 460.000 e 700.000 anos atrás, embora uma fração de população de cerca de 370.000 anos seja inferida. Os resultados de DNA nucleares indicam que cerca de 30% dos alelos derivados no H. sapiens também estão na linhagem do Neanderthal. Esta alta frequência pode sugerir algum fluxo gênico entre ancestrais humanos e populações neandertais.

Tabela das espécies Homo (clique na imagem para ampliar).

Espécies Homo:
  • Homo gautengensis
  • Homo habilis
  • Homo erectus (entre eles Pithecanthropus erectus)
  • Homo antecessor
  • Homo ergaster
  • Homo heidelbergensis
  • Homo neanderthalensis
  • Homo floresiensis
  • Homo sapiens (Homo sapiens sapiens)


H. gautengensis: É uma espécie de hominídeo descoberta na África do Sul. Os restos fósseis descobertos em 1977 nas cavernas Sterkfontein, próxima a Johannesburg, só foram descritos em 2010. Viveu entre cerca de 1,9 - 0,6 milhões de anos.

H. habilis: Viveu entre cerca de 2,4 a 1,8 milhões de anos atrás (MAA). O H. habilis, a primeira espécie do gênero Homo, evoluiu no sul e no leste da África no final do Plioceno ou início do Pleistoceno, 2,5 - 2,0 MAA, quando divergiu do Australopithecines. O H. habilis tinha molares menores e cérebro maior que os Australopithecines, e faziam ferramentas de pedra e talvez de ossos de animais.

H. erectus: Viveu entre cerca de 1,8 (incluindo o ergaster) ou de 1,25 (excluindo o ergaster) a 0,70 MAA. No Pleistoceno Inferior, 1,5 - 1,0 MAA, na África, Ásia, e Europa, provavelmente Homo habilis possuía um cérebro maior e fabricou ferramentas de pedra mais elaboradas; essas e outras diferenças são suficientes para que os antropólogos possam classificá-los como uma nova espécie, H. erectus. Um exemplo famoso de Homo erectus é o Homem de Pequim; outros foram encontrados na Ásia (notadamente na Indonésia - antes chamados de Pithecanthropus erectus), África, e Europa. Muitos paleoantropólogos atualmente utilizam o termo Homo ergaster para as formas não asiáticas desse grupo, e a denominação H. erectus apenas para os fósseis encontrados na região da Ásia e que possuam certas exigências esqueléticas e dentárias que diferem levemente das do ergaster.

H. antecessor: É um hominídeo extinto que surgiu há cerca de 1,2 milhão de anos e perdurou, pelo menos, até cerca de 800 mil anos (Pleistoceno inferior). É considerado o hominídeo mais antigo da Europa.

H. ergaster: Viveu entre 1,8 a 1,25 Milhões de anos. Também conhecido como Homo erectus ergaster.

H. heidelbergensis: O Homem de Heidelberg viveu entre cerca de 800 a 300 mil anos atrás. Também conhecido como Homo sapiens heidelbergensis e Homo sapiens paleohungaricus.

H. floresiensis: Viveu há cerca de 12 mil anos (anunciado em 28 de Outubro de 2004 no periódico científico Nature). Apelidado de "hobbit" por causa de seu pequeno tamanho.

H. neanderthalensis: Viveu entre 250 e 30 mil anos atrás. Também conhecido como Homo sapiens neanderthalensis. Há um debate recente sobre se o "Homem de Neanderthal" foi uma espécie separada, Homo neanderthalensis, ou uma subespécie de H. sapiens. As evidências de análises do DNA mitocondrial e do Y-cromosomal DNA, atualmente indicam que não houve fluxo genético entre o H. neanderthalensis e o H. sapiens, e, eram espécies diferentes. Investigações de uma segunda fonte de DNA de Neanderthal confirmaram esses achados. Em 2010 um estudo do Projeto do Genoma do Neandertal foi publicado na revista Science e afirma que ocorreram cruzamentos entre as duas espécies.

Homo sapiens: Surgiu há cerca de 200 mil anos. No período interglacial do Pleistoceno Médio, há cerca de 250 mil anos, a tendência de expansão craniana e a tecnologia na elaboração de ferramentas de pedra desenvolveu-se, fornecendo evidências da transição do H. erectus ao H. sapiens. As evidências sugerem que houve uma migração do H. erectus para fora da África, então uma subsequente especiação para o H. sapiens na África (há poucas evidências de que essa especiação ocorreu). Uma subsequente migração dentro e fora da África eventualmente substituiu o anteriormente disperso H. erectus. Entretanto, a evidência atual não impossibilita a especiação multirregional. Um estudo genético de um grande número de populações humanas atuais, feito desde 2003 na Universidade da Pensilvânia sugere que o "berço da humanidade" ficaria na região dos Khoisan (Hotentotes), mais próxima do litoral da Fronteira Angola-Namíbia.

Migração e Miscigenação

O Homo habilis, que é considerado o primeiro membro do gênero Homo, deu origem ao Homo ergaster. Alguns H. ergaster migraram para a Ásia, onde eles são chamados Homo erectus, e para a Europa com o Homo georgicus. O H. ergaster na África e o H. erectus na Eurásia evoluíram separadamente por quase dois milhões de anos e, presumivelmente, separaram-se em duas espécies diferentes. O Homo rhodesiensis, que era descendente do H. ergaster, migrou da África para a Europa e se tornou o Homo heidelbergensis e, mais tarde (cerca de 250.000 anos atrás), o Homo neanderthalensis e o hominídeo de Denisova na Ásia. O primeiro Homo sapiens, descendente do H. rhodesiensis, surgiu na África cerca de 250.000 anos atrás. Há cerca de 100.000 anos, alguns H. sapiens sapiens migraram da África para o Levante e se reuniram com os neandertais residentes, com alguma miscigenação genética. Mais tarde, cerca de 70.000 anos atrás, talvez depois da catástrofe de Toba, um pequeno grupo deixou o Levante para preencher a Eurásia, Austrália e, mais tarde, as Américas. Um subgrupo entre eles encontrou os Denisovanos e, depois de alguma miscigenação, migraram para preencher a Melanésia. Neste cenário, a maior parte das pessoas não-africanas de hoje têm origem africana ("hipótese da origem única"). Contudo, também houve alguma mistura entre os neandertais e os Denisovanos, que evoluíram localmente (a "evolução multirregional"). Resultados genômicos recentes do grupo de Svante Pääbo também mostram que há 30.000 anos, pelo menos, três subespécies principais co-existiram: os Denisovans, Neandertais e os Cro-magnons. Hoje, apenas o Homo sapiens sapiens sobreviveu, sem outras espécies ou subespécies existentes.

A expansão do Homo sapiens sapiens (clique na imagem para ampliar).

A África aparece como ponto inicial da migração. Ela está na parte superior à esquerda e a América do Sul, na extremidade direita (clique na imagem para ampliar).
Padrões migratórios são baseados em estudos de disfunção mitocondrial (matrilinear) no DNA.
Nesse mapa, os números representam milhares de anos antes do presente. Seus períodos estão identificados na tabela ao lado do mapa.
A linha azul representa área coberta de gelo ou tundra durante a última grande era glacial.
As letras representam grupos que apresentam o DNA mitocondrial (DNA que existe nas mitocôndrias de todas as células dos homens com a característica de terem sido herdados apenas da mãe. Raramente a herança pode ser também paterna). O DNA mitocondrial (Haplogroups) pode ser usado para definir populações genéticas e muitas vezes são orientados geneticamente.
Por exemplo, são comuns as seguintes DE mtDNA Halogroups.
       -   Africano: L, L1, L2, L3, L3;
       -   Próximo Oriente: J, N;
       -   Sul da Europa: J, K;
       -   Geral Européia: H, V;
       -   Europa do Norte: T,U,X;
       -   Ásia: A, B, C, D, E, F e G (nota: M é composto por C, D, E e G);
       -   Native American: A, B, C, D e às vezes X;
No mapa as linhas pretas determinam o caminho da espécie humana a partir da África.
As linhas coloridas determinam o tempo (quantos anos aconteceram as trajetórias).
As letras são resultados das pesquisas através de parte dos genes que são transmitidos pelo lado materno (DNA mitocondrial).

Rotas de grupos de hominídeos "Homo" (clique na imagem para ampliar).

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Fonte principal: Wikipedia.

26 maio 2015

EVOLUÇÃO HUMANA (Parte 5) Paranthropus

Paranthropus

Paranthropus é um gênero extinto de hominídeos bípedes, típicos da África Oriental e meridional, caracterizados por grande robustez das suas mandíbulas e molares. Paranthropus (Paranthropus ou australopitecíneos robustos) provavelmente descenderam do gênero Australopithecus. Alguns paleontólogos porém consideram que os Paranthropus pertencem ao gênero Australopithecus.


Australopithecus X Paranthropus.

Os fósseis encontrados são de espécies que viveram entre 2,6 e 1,1 milhões de anos atrás, no Pleistoceno inferior e Pleistoceno médio. Eles são caracterizados por um aparelho mastigador especializado, compreendendo grandes maxilares e molares com camadas de esmalte muito espessas, incisivos e caninos muito pequenos e pré-molares que se desenvolveram como se fossem molares; poderosos músculos faciais que se inseriam numa crista sagital semelhantes aos dos gorilas atuais. Suas caixas cranianas tinham volumes entre 410 centímetros cúbicos no caso dos mais antigos e cerca de 530 centímetros cúbicos nos mais recentes, evidenciando cérebros de volumes inferiores aos de espécimes do gênero Homo.


Os indivíduos do gênero Paranthropus, eram caracterizados por grande robustez das suas mandíbulas e molares, além de poderosos músculos faciais e crista sagital proeminente.

Etimologia: A palavra Paranthropus foi criada por Robert Broom, em 1938, que encontrou fósseis e classificou-os em uma nova espécie. Significa "ao lado do homem", e conviveram com espécies do gênero Homo por cerca de 1,5 milhão de anos.

Descrevem-se três espécies de Paranthropus:

  • Paranthropus aethiopicus. É a primeira espécie do gênero (surgiu há cerca de 2,5 m.a.). Tinha uma face particularmente sólida. Considera-se que pode ter dado origem às duas espécies posteriores. Ele viveu na África Oriental.
  • Paranthropus boisei. De aparência mais robusta. As características cranianas são especializadas para o consumo de vegetais duros. Eles tinham grande dimorfismo sexual, sendo os corpos dos machos muito maiores que os das fêmeas. Viveu entre 2,3 m.a. e 1,2 m.a. na África Oriental.
  • Paranthropus robustus. Foi caracterizado por ossos particularmente espessos. Seu volume craniano ficava entre 500 centímetros cúbicos e 530 centímetros cúbicos, face alta e alongada. Dentes sólidos. Tendo vivido entre 1,8 m.a. e 1,5 m.a., o Paranthropus robustus coexistiu com espécies do gênero Homo até sua extinção. Viveram na África do Sul.

Nota: os cientistas que divergem quanto à existência do gênero distinto Paranthropus, designam-os como sendo Australopithecus robustus, Australopithecus boisei e Australopithecus aethiopicus.


Localização dos fósseis encontrados de Paranthropus: Paranthropus aethiopicus, Paranthropus boisei, e Paranthropus robustus.


  • Paranthropus aethiopicus (2,8 m. a. - 2,2 m. a.)

O Paranthropus aethiopicus foi um hominídeo bípede do gênero Paranthropus que viveu entre 2,8 e 2,2 milhões de anos atrás no Plioceno. Os fósseis representando o início desse gênero incluem alguns fósseis fragmentados da Etiópia e um crânio encontrado no Lago Turkana sítio no Quênia conhecido como Caveira Negra. Esse crânio tem um volume de cerva de 410 ml, o menor cérebro de adulto já descoberto em um hominídio estabelecido. O crânio também tem a mais definida linha sagital entre os hominídeos, a face mais prognática e molares extremamente grandes (apesar de não ter sido encontrado nenhum dente com o crânio).

Como todos os outros membros de Paranthropus, essa espécie foi uma vez colocada no gênero Australopithecus.

Histórico

O primeiro espécime de Paranthropus aethiopicus foi descoberto no sul da Etiópia pelos arqueólogos franceses Camille Arambourg e Yves Coppens em 1967. Os especialistas o batizaram de Omo 18. Ele é um antecessor do fóssil KNM-WT 17000, descoberto em 1985 por Alan Walker em West Turkana, no Quênia, KNM WT 17000 (conhecido como o "Black Skull", devido à coloração escura do osso, causada por níveis elevados de manganês). Uma característica fundamental do Omo 18 é que ele tem uma mandíbula em forma de "V" ao contrário das espécies de Australopithecus encontradas. O Omo 18 foi o primeiro crânio descoberto desta espécie.

Descrição

O nome P. aethiopicus foi proposto pela primeira vez em 1967 para descrever uma mandíbula desdentada parcial (Omo 18) encontrado na Etiópia por paleontólogos franceses. A mandíbula e os fragmentos de dentes foram descobertos. P. aethiopicus tinha uma crista grande sagital e arco zigomático adaptados para mastigação pesada (como em crânios de gorilas). Não se sabe muito sobre esta espécie desde a melhor evidência vem da "Black Skull" e da mandíbula. Não há material suficiente para fazer uma avaliação precisa, mas eles podem ter tido altura similar ao Australopithecus afarensis. Paranthropus aethiopicus é considerado um hominídeo arcaico megadonte, este termo que se refere ao enorme tamanho dos dentes pós-caninos coroas. A descoberta inicial foi uma mandíbula desdentada de adulto na formação Shungura da região Omo da Etiópia em 1967 (Omo 18). As camadas de cinzas acima e abaixo dos fósseis de dar uma data aproximada entre 2,3 e 2,5 milhões de anos atrás. Há apenas um crânio quase completo para este hominídeo, por isso é difícil fazer inferências adequadas sobre características físicas. No entanto, pode-se dizer que o crânio é similar ao P. boisei, embora os incisivos sejam maiores, e a face mais prognática.


Paranthropus aethiopicus: Réplica do crânio "Black Skull".


Reconstituição da cabeça de um Paranthropus aethiopicus.


Desenho de Paranthropus aethiopicus.


  • Paranthropus boisei (2,0 m. a. - 1,0 m. a.)

O Paranthropus boisei (originalmente chamado Zinjanthropus boisei e depois Australopithecus boisei até recentemente) foi um dos primeiros hominídeos que viveram no leste da África, de cerca de 2 até 1 milhão de anos atrás durante o Pleistoceno. Tinha um crânio altamente especializado à mastigação pesada. P. boisei habitou os pastos secos da savana da África Oriental.

Fóssil de P. boisei

O primeiro fóssil foi descoberto em um sítio arqueológico rico, FLK Zinj, no Oldupai Gorge, por Mary Leakey em 1959, de onde o nome, "Zinj man". O epíteto da espécie "boisei" é uma homenagem a Charles Boise, que contribuiu financeiramente ao trabalho de Louis e Mary Leakey no Olduvai Gorge.

Essa espécie é caracterizada por um crânio grande com uma mandíbula pesada e grandes molares. O cérebro é maior que o dos australopitecos, (cerca de 550 centímetros cúbicos). A mandíbula grande e a dentição pode ter sido uma adaptação à sua dieta. O boisei media 1 metro e meio e pesava 50 quilos. Presume-se que essas espécies lidaram com a mudança para um ambiente mais semelhante à savana que estava tomando lugar ao se especializar em uma dieta baseada em plantas de baixa qualidade. A mesma adaptação ocorreu no sul da África com a evolução do Paranthropus robustus.

Permanece incerto se essa espécie fabricava ferramentas; quando foi descoberta, ela foi tomada como um de nossos ancestrais fabricantes de ferramentas, já que o sítio também havia mostrado evidências de ferramentas de flint. Entretanto, o primeiro fóssil de Homo habilis foi depois encontrado no mesmo sítio.

Após a descoberta do Homo habilis, ele foi visto como o produtor das ferramentas. Por outro lado, é possível que outras espécies produziam ferramentas também. Pesquisas a respeito de ferramentas de mão do Paranthropus robustus, uma espécie que pensava-se ser muito semelhante ao Paranthropus boisei, mostrou que, anatomicamente, eles eram capazes de realizar a tão chamada habilidade de precisão. Então o Paranthropus boisei possuía os requerimentos anatômicos para fabricar ferramentas.


Modelo de crânio de Paranthropus boisei.


Comparação entre esqueletos de Paranthropus boisei e Homo sapiens sapiens (ser humano atual).


Comparação de arcadas dentárias de Chimpanzé atual, Paranthropus boisei (extinto) e ser humano atual.


Paranthropus boisei SKULL 'nutcracker man'.


Paranthropus boisei reconstituído.


  • Paranthropus robustus (2,0 m. a. - 1,2 m. a.)

Paranthropus robustus é um fóssil hominídeo que viveu na África do Sul faz entre 2 e 1,2 milhões de anos no Pleistoceno Inferior e no Pleistoceno Médio. Foi a primeira espécie do gênero Paranthropus a ser descoberta, embora durante algum tempo, considerou-se que a espécie pertencia ao gênero Australopithecus.

Características

O nome robustus foi dado porque os primeiros achados, na África do Sul, eram restos de mandíbula de grande tamanho, o que fez pensar que o seu corpo pudesse ser enorme. Mas descobrimentos posteriores fizeram com que se abandonasse essa hipótese, e verificou-se que o P. robustus tinha um corpo similar ao de seus antepassados Australopithecus.

Tinha um grande aparelho mastigatório, e se pensava era devido a uma especialização alimentar em raízes e sementes. Mas estudos recentes indicam que sua alimentação tinha sido mais variada, com diferentes tipos de gramíneas, sementes e talvez animais.

Seu rosto é achatado, com bochechas mais salientes e mandíbulas menos proeminente do que no Australopithecus afarensis. Tem uma crista óssea na parte superior do crânio, porém menor que a do Paranthropus boisei.

Havia uma grande diferença entre os machos e as fêmeas, especialmente no desenvolvimento das cristas sagitais, ausentes ou muito pouco marcadas no sexo feminino.

Os machos pesavam cerca de 40 quilos e as fêmeas ao redor de 32 quilos. Quanto à sua altura, havia grandes diferenças: o macho tinha estatura em torno de 1,35 m e as fêmeas cerca de 1,10 m.

A espécie Paranthropus robustus somente foi encontrada na África do Sul, e sua especialização parece ter sido menor do que no seu primo o Paranthropus boisei, talvez porque ele não viveu em ambientes tão secos, como este.

O Paranthropus robustus se desenvolveu em um período entre 2 e 1,2 milhão de anos e, portanto, também pode ter coexistido com outras espécies de nossa linhagem.

Depósitos

Os principais depósitos desta espécie são os sítios de Kromdraai, Swartkrans, Drimolen, Gondolin e Coopers. Na gruta de Swartkrans se encontraram os restos de 130 indivíduos; e estudos de suas dentições revelaram que a idade média desse grupo de hominídeos era de somente 17 anos.


Crânio de Paranthropus robustus.


(Paranthropus robustus - face) The original complete skull (without mandible) of a 1,8 million years old Paranthropus robustus (SK-48 Swartkrans (26°00'S 27°45'E), Gauteng,), discovered in South Africa . Collection of the Transvaal Museum, Northern Flagship Institute, Pretoria South Africa.

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Fonte principal: Wikipedia.