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THE MIKE WALLACE INTERVIEW - GUEST: ALDOUS HUXLEY - 05/18/1958. ENTREVISTA DE MIKE WALLACE -  CONVIDADO: ALDOUS HUXLEY - 18/05/1958....

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15 março 2026

DESACELERAÇÃO DO NÚCLEO TERRESTRE

O que chamamos de "desaceleração" é, tecnicamente, uma mudança na velocidade angular relativa do núcleo interno em relação ao manto. Para entender a complexidade disso, precisamos olhar para três pilares:


1. O Mecanismo de Acoplamento (A "Cabo de Guerra")

O movimento do núcleo interno não é livre; ele é ditado por um equilíbrio delicado de forças:

* Acoplamento Eletromagnético: O núcleo externo (líquido e condutor) gera correntes elétricas e campos magnéticos. Esse fluxo age como um motor magnético que empurra o núcleo interno, induzindo a sua rotação.

* Acoplamento Gravitacional: O manto da Terra não é perfeitamente homogêneo; ele tem variações de densidade. Essas "irregularidades" exercem uma atração gravitacional sobre o núcleo interno, agindo como um freio ou uma âncora que tenta sincronizar a rotação do núcleo com a do manto.

A desaceleração atual indica que o torque gravitacional do manto está vencendo a força eletromagnética, puxando o núcleo para uma velocidade menor.


2. A Evidência Sísmica (O "Raio-X" do Planeta)

Como não podemos enviar sondas ao centro da Terra, usamos o tempo de viagem de ondas sísmicas geradas por terremotos repetitivos (terremotos "gêmeos" que ocorrem no mesmo lugar com anos de diferença).

* Se o núcleo fosse estático em relação ao manto, as ondas que o atravessam levariam exatamente o mesmo tempo em 1990 e em 2020.

* Os estudos mostram que o tempo de viagem dessas ondas mudou sistematicamente ao longo das décadas, o que prova que a estrutura interna do núcleo (que é anisotrópica, ou seja, tem propriedades diferentes em direções diferentes) está mudando de posição em relação à superfície.



3. A Teoria da Oscilação de 70 Anos

A maior complexidade está na periodicidade. Os dados sugerem que o núcleo interno não está simplesmente parando, mas sim oscilando.

* Anos 70: O núcleo estava em sub-rotação (mais lento).

* Anos 90/2000: Ele acelerou, ultrapassando a velocidade da crosta (super-rotação).

* 2010 - Presente: Ele voltou a desacelerar e agora está quase em sincronia ou ligeiramente mais lento que o manto.

Isso sugere um sistema de retroalimentação geodinâmica. Quando o núcleo desacelera, ele altera levemente o fluxo do metal líquido no núcleo externo, o que, por sua vez, pode alterar o campo magnético e, eventualmente, aplicar um novo torque para acelerá-lo novamente.


Por que isso importa para a Geofísica?

Essa descoberta desafia os modelos tradicionais que previam uma rotação constante. Ela revela que o interior da Terra é muito mais dinâmico e interconectado do que se pensava. Pequenas variações na rotação do núcleo podem causar mudanças na Duração do Dia (LOD - Length of Day) em milissegundos, o que exige ajustes constantes em sistemas de GPS de altíssima precisão.



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11 fevereiro 2026

Chernobyl & Hiroshima

A principal diferença entre a contaminação de Hiroshima e Chernobyl reside na quantidade de material nuclear envolvido e na forma como ele foi dispersado no ambiente. Enquanto Hiroshima é hoje uma cidade moderna e habitável, a Zona de Exclusão de Chernobyl permanece restrita devido à persistência de isótopos radioativos no solo. 


Principais Diferenças de Contaminação

Quantidade de Material: A bomba de Hiroshima continha aproximadamente 63 kg de urânio. Já o reator 4 de Chernobyl possuía cerca de 180 toneladas de combustível nuclear. Estima-se que Chernobyl tenha liberado cerca de 400 vezes mais material radioativo do que a bomba atômica.

Local da Detonação: Em Hiroshima, a bomba foi detonada a cerca de 600 metros de altura para maximizar a destruição física por pressão e calor. Isso fez com que a maioria das partículas radioativas subisse para a atmosfera e fosse dispersada pelo vento, reduzindo a contaminação local direta no solo. Em Chernobyl, o núcleo do reator estava no nível do solo, e o incêndio de grafite que durou dias lançou material radioativo diretamente na terra e na água da região.

Duração da Emissão: A fissão em Hiroshima foi um evento de microssegundos; uma vez detonada, não havia mais fonte contínua de radiação. Em Chernobyl, a liberação de isótopos foi prolongada, durando mais de uma semana enquanto o reator queimava, o que causou um acúmulo massivo de subprodutos de fissão como o Césio-137 e o Estrôncio-90.

Estado do Material: O urânio da bomba era "limpo" (não havia passado por fissão prévia). Em Chernobyl, o material era combustível exaurido, que já continha uma mistura letal de isótopos altamente radioativos acumulados durante anos de operação do reator. 


Comparativo Direto


Explicação - Canal Matematizei


Por que Hiroshima é habitável e Chernobyl não? (Matematizei YouTube).



Veja também: CHERNOBYL, HIROSHIMA E NAGASAKI.




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22 setembro 2025

O que aconteceu com os corpos após a explosão da bomba de Hiroshima?

O QUE ACONTECEU COM OS CORPOS APÓS A EXPLOSÃO DA BOMBA DE HIROSHIMA?


Extraído do canal Dark History Português.


Canal Dark History Português CLIQUE AQUI: O Que Aconteceu Com Os Corpos Após A Explosão Da Bomba De Hiroshima?


Em seis de agosto, Às oito e quinze, tudo em Hiroshima parou e o mundo mudou para sempre. Em questão de momentos, uma cidade outrora próspera se tornou um deserto, com ruínas e corpos sem vida espalhados pelas ruas. Sombras gravadas em pedra são tudo o que resta de algumas das vítimas. A devastação foi sem precedentes, como se todos os horrores da Segunda Guerra Mundial tivessem se concentrado naquele instante. E para Hiroshima e seus habitantes, isso foi apenas o começo. Muitos caminhos levaram a esse momento decisivo. Das ambições expansionistas da Terra do Sol Nascente à ofensiva incansável dos Estados Unidos, os Estados Unidos desenvolveram a arma definitiva para encerrar a guerra de forma definitiva. Quase setenta mil pessoas morreram instantaneamente, marcando uma virada sombria na história da humanidade. As consequências da devastação acompanharam os habitantes locais por décadas. Mesmo hoje, Hiroshima continua sendo um testemunho de destruição, e os resultados parecem justificar as ações. O que aconteceu com os corpos logo após a explosão da bomba em Hiroshima?

Este vídeo faz parte da adaptação oficial em português do conteúdo original de DarkHistory, produzido e localizado pela nossa equipe editorial como parte de uma rede internacional de canais educativos.


VEJA TAMBÉM

No canal SALA DE GUERRA:

HIROSHIMA e NAGASAKI 80 ANOS (Parte 1 de 2);

HIROSHIMA e NAGASAKI 80 ANOS (Parte 2 de 2).



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08 junho 2025

HIROSHIMA e NAGASAKI 80 ANOS (Parte 2 de 2)

NAGASAKI - Fat Man



Vista de como era a bomba atômica de plutônio - Fat Man - que foi lançada em Nagasaki, no Japão.


NO CANAL - SALA DE GUERRA



NAGASAKI: a história completa minuto a minuto - CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR no canal SALA DE GUERRA.


Apenas três dias depois da missão de Hiroshima, uma nova bomba atômica foi preparada para ser lançada sobre a cidade de Nagasaki. Entenda aqui os pormenores minuto a minuto desta segunda e última missão atômica da Segunda Guerra Mundial.


PRODUÇÃO: Júlio César Guedes

ROTEIRO: Júlio César Guedes


Veja no site:

O QUE ACONTECEU COM OS CORPOS APÓS A EXPLOSÃO DA BOMBA DE HIROSHIMA?



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HIROSHIMA e NAGASAKI 80 ANOS (Parte 1 de 2)

HIROSHIMA - Little Boy



Vista de como era a bomba atômica de urânio - Little Boy - que foi lançada em Hiroshima, no Japão.


NO CANAL - SALA DE GUERRA



HIROSHIMA: a história completa minuto a minuto - CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR no canal SALA DE GUERRA.


Em 1945 o mundo foi surpreendido pelo lançamento do primeiro ataque atômico da história, desfechado pelos norte-americanos contra a cidade japonesa de Hiroshima. Saiba agora como tudo aconteceu, minuto a minuto.


PRODUÇÃO: Júlio César Guedes

ROTEIRO: Júlio César Guedes


Veja no site:

O QUE ACONTECEU COM OS CORPOS APÓS A EXPLOSÃO DA BOMBA DE HIROSHIMA?



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20 janeiro 2025

A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 3 de 3)

A COBRA VAI FUMAR

25 de Abril de 2015, Festa de 70 anos da Libertação de Montese - Itália.

Homenagem a FEB,


2015 - Festa de 70 anos da Libertação de Montese - Itália.


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Veja também: A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 2 de 3).


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15 janeiro 2025

A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 2 de 3)

Força Expedicionária Brasileira


FEB.


A Força Expedicionária Brasileira (FEB), apelidada de Cobras Fumantes, foi uma divisão militar do Exército e da Força Aérea Brasileira que lutou como parte das Forças Aliadas no Teatro Mediterrâneo da Segunda Guerra Mundial. Contava com cerca de 25 mil homens, incluindo uma divisão de infantaria completa, esquadrilha de ligação e esquadrão de caças.

Colocadas sob o comando dos Estados Unidos, as tropas brasileiras lutaram principalmente na libertação da Itália de setembro de 1944 a maio de 1945, enquanto a Marinha e a Força Aérea participaram da Batalha do Atlântico de meados de 1942 até o final da guerra. A FEB operou principalmente em nível de pelotão, presenciando combates pesados na árdua Linha Gótica e durante a ofensiva final de 1945. Ao final da guerra, foram feitos 20.573 prisioneiros do Eixo, incluindo dois generais e cerca de 900 oficiais. A divisão perdeu 948 homens mortos em combate em todas as três forças.

O Brasil da Era Vargas foi o único país sul-americano independente a enviar tropas de combate ao exterior durante a Segunda Guerra Mundial. Conhecida por sua tenacidade e bravura, a FEB era bem vista tanto por aliados quanto por adversários; serviu com distinção em diversas batalhas, principalmente em Collecchio, Camaiore, Monte Prano e Vale do Serchio. A Marinha e a Força Aérea do Brasil desempenharam papeis importantes na proteção da navegação aliada e na paralisação do poder marítimo do Eixo, infligindo perdas desproporcionalmente elevadas às munições, suprimentos e infraestrutura inimigas.

Contexto histórico

Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve-se neutro, numa continuação da política do presidente Getúlio Vargas de não se definir por nenhuma das grandes potências, somente tentando se aproveitar das vantagens oferecidas por elas. Tal "pragmatismo" foi interrompido no início de 1942, quando os Estados Unidos e o governo brasileiro acertaram a cessão de bases aéreas na ilha de Fernando de Noronha e ao longo da costa norte-nordeste brasileira para o recebimento de bases militares americanas (caso as negociações não tivessem efetuado resultado, com Vargas e os militares insistindo em manter a neutralidade, os EUA tinham planos para invadir o nordeste brasileiro, com o codinome Plan Rubber).

A partir de janeiro do mesmo ano começa uma série de torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos ítalo-alemães na costa litorânea brasileira, numa ofensiva idealizada pelo próprio Adolf Hitler, que visava isolar o Reino Unido, impedindo-o de receber os suprimentos (equipamentos, armas e matéria-prima) exportados do continente americano (como consta nos diários de Goebbels e nas memórias do almirante Donitz). Considerados vitais para o esforço de guerra dos Aliados, estes suprimentos a partir de 1942 via Atlântico norte, se destinavam também à então União Soviética.

Tinha também por objetivo a ofensiva submarina do Eixo em águas brasileiras intimidar o governo do Brasil a se manter na neutralidade, ao mesmo tempo que seus agentes no país e simpatizantes fascistas brasileiros, pejorativamente denominados pela população pela alcunha de Quinta coluna, espalhavam boatos que os afundamentos de navios mercantes seriam obra dos anglo-americanos interessados em que o país entrasse no conflito do lado Aliado.

No entanto, a opinião pública não se deixou confundir. Comovida pelas mortes de civis e instigada também pelos pronunciamentos provocativos e arrogantes, emitidos pela Rádio de Berlim, passou a exigir que o Brasil reconhecesse o estado de beligerância com os países do Eixo. O que só foi oficializado no final de agosto do mesmo ano, quando foi declarada guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista. Após a declaração de guerra, diante da contínua passividade do então governo, a mesma opinião pública passa a se mobilizar para o envio à Europa de uma força expedicionária como contribuição à derrota do fascismo. É notória a mobilização do Partido Comunista Brasileiro e da União da Juventude Comunista para a inserção do Brasil na guerra, tendo orientado seus militantes a priorizarem a luta antifascista e apresentar-se como voluntários após a realização do VII congresso da Internacional Comunista e da Conferência da Mantiqueira. Posteriormente organizaram-se células comunistas na FEB, que contava com a participação de dois dirigentes nacionais do PCB (Salomão Malina e Jacob Gorender) e lutaram tanto na Guerra Civil Espanhola quanto na Resistência Francesa.

Porém, por diversas razões de ordem política e operacional (internas e com o governo americano), somente quase dois anos depois em 2 de julho de 1944, teve início o transporte rumo ao front do primeiro contingente da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do general Zenóbio da Costa. O General João Batista Mascarenhas de Morais assumiria oficial e posteriormente o comando da FEB, quando esta já estivesse em sua formação completa. As primeiras semanas foram ocupadas se aclimatando ao local, assim como recebendo o mínimo equipamento e treinamento necessário, sob a supervisão do comando americano, ao qual a FEB estava subordinada, já que a preparação no Brasil demonstrou ser deficiente, apesar dos quase 2 anos de intervalo entre a declaração de guerra e o envio das primeiras tropas a frente. Muito embora entre os expedicionários combatentes se formasse um consenso no decorrer e após o conflito de que somente o combate é adequadamente capaz de preparar um soldado, independente da qualidade do treinamento recebido anteriormente.

Embora o Brasil já tivesse declarado guerra, estava despreparado para a natureza fluida daquele conflito. A Aeronáutica estava apenas começando a se modernizar, com a aquisição de aviões de fabricação americana. A Marinha tinha uma série de embarcações obsoletas, pouco aptas à guerra submarina de então (modalidade de combate ao qual mesmo as modernas marinhas britânica, americana e soviética só se adequariam a partir do final de 1942, início de 1943). Além de igualmente mal equipado, o Exército carregava ainda uma filosofia elitista arcaica e focada em reprimir movimentos políticos internos que pouco havia mudado desde o século XIX e que levara ao fracasso a tentativa de modernizar seus métodos de treinamento para o combate externo e filosofia de ação, entre o final da década de 1910 e o início da década de 1920, tentativa esta trazida por uma missão contratada ao exército francês.

Os brasileiros constituíam uma das vinte divisões aliadas presentes na frente italiana naquele momento, uma verdadeira torre de Babel, constituída por: norte-americanos (incluindo as tropas segregadas da 92ª divisão e do 442º regimento, ambas unidades de infantaria formadas respectivamente por afro-descendentes e nipo-descendentes, comandadas por oficiais brancos), italianos antifascistas, exilados europeus (poloneses, tchecos e gregos), tropas coloniais britânicas (canadenses, neozelandeses, australianos, sul-africanos, indianos, quenianos, judeus e árabes) e francesas (marroquinos, argelinos e senegaleses), em uma diversidade étnica que muito se assemelhava à da frente ocidental em 1918.

A FEB foi criada no dia 9 de agosto de 1943 através da Portaria Ministerial Nº 4 744, após o Brasil ter declarado guerra as potências do Eixo.

Segundo a denominação da época utilizada pelo exército americano; a composição dos elementos terrestres da FEB se subdividia em Três Regimentos de Infantaria (equivalente ao que se classifica contemporaneamente como Brigada)[30]. Estes eram: o 6º Regimento de Infantaria de Caçapava, o 1º Regimento de Infantaria, baseado na então capital federal, Rio de Janeiro, e o 11º Regimento de Infantaria de São João del Rey. Dentro destes, no total se abrigavam nove companhias de fuzileiros.

A FEB também incluía um regimento de artilharia transportada por caminhões, o 9º Batalhão de Engenharia de Combate de Aquidauana, um Batalhão de Saúde, além de unidades de apoio e de Cavalaria, das quais se destacou o Esquadrão de Reconhecimento. A 1ª Divisão Brasileira foi integrada ao IV Corpo de Exército americano, sob o comando do general Willis D. Crittenberger, este por sua vez adscrito ao V Exército dos Estados Unidos comandado pelo general Mark W. Clark, que por sua vez estava inserido no XV Grupo de Exércitos Aliados.

Devido ao forte sexismo presente na sociedade brasileira da época, a participação de mulheres na FEB não era vista com bons olhos pelas autoridades, sendo desencorajada oficial e extraoficialmente até mesmo na retaguarda em setores essenciais como enfermaria, sendo que nesta houve tentativa de boicote não apenas masculino, por parte de médicos militares brasileiros, mas inclusive de mulheres que se encontravam em posição de influência na política nacional. Apesar do latente racismo de parte do alto oficialato da FEB e da própria doutrina de então do exército brasileiro referente à formação de oficiais, a mesma era ao final de 1944 a única força miscigenada não oficialmente segregacionista entre as tropas aliadas combatentes na Europa.

Campanha

A 1ª etapa da campanha da FEB na Itália iniciou-se a partir de meados do mês de setembro de 1944; com seu primeiro contingente a chegar à Itália (o 6º regimento) atuando junto com o 371º regimento afro-americano e outras unidades americanas menores (principalmente as de apoio da 1ª divisão blindada), formando a Task Force 45, liberando da ocupação alemã o Vale do rio Serchio (ao norte da cidade de Lucca, datando desta época suas primeiras vitórias ainda em setembro, com as tomadas de Massarosa, Camaiore e Monte Prano), e a maior parte da região de Gallicano-Barga, onde sofreu seus primeiros reveses.

Posteriormente, a partir de novembro daquele ano, já atuando como uma Divisão completa; por seu desempenho na 1.ª etapa foi deslocada para o leste da ala do V Exército americano com a missão de expulsar dos Apeninos setentrionais as tropas alemãs que através do fogo de artilharia, dessas posições impediam o avanço dos aliados no setor principal da frente italiana sob responsabilidade do VIII Exército britânico (localizado entre o centro da Itália e o mar Adriático). Iniciava-se assim, a 2ª e mais longa etapa da FEB na Itália, quando é incumbida de tomar o complexo formado por Monte Castello,[39] Belvedere e outros posições montanhosas em seus arredores, no espaço de alguns dias. Após algumas tentativas fracassadas nos meses de novembro e dezembro, ficou claro que para a obtenção do sucesso em tal empreitada seria necessário um ataque conjunto pelo efetivo de duas divisões simultaneamente a Belvedere, Della Torraccia, Monte Castello e a Castelnuovo di Vergato, o que mesmo assim, alertava o comando brasileiro, não poderia ser levado a cabo em menos de uma semana.

Durante o rigoroso inverno entre 1944 e 1945, nos Apeninos a FEB enfrentou temperaturas de até vinte graus negativos, não contando a sensação térmica. Muita neve, umidade e contínuos ataques de caráter exploratório por parte do inimigo, que através de pequenas escaramuças procurava tanto minar a resistência física, quanto a psicológica das tropas brasileiras, não acostumadas às baixas temperaturas. Condições climáticas e reações físicas se somavam aos mais de três meses de campanha ininterrupta, sem pausa para recuperação. Testou-se ainda possíveis pontos fracos no setor ocupado pelos brasileiros para uma contraofensiva no inverno. Entretanto, neste aspecto, a atitude involuntariamente agressiva das duas tentativas de tomar Monte Castello no final de 1944, somada à atitude voluntária de responder às incursões exploratórias do inimigo no território ocupado pela FEB, com incursões exploratórias da FEB realizadas em território inimigo, fez com que os alemães e seus aliados escolhessem outro setor da frente italiana, ocupada pela 92ª divisão estadunidense, para sua contraofensiva.

Entre o fim de fevereiro e meados de março de 1945, como havia sugerido o comandante da FEB, se deu a Operação Encore, um avanço em conjunto com a recém-chegada 10.ª divisão de montanha estadunidense. Assim, foram finalmente tomados, entre outras posições, por parte dos brasileiros: Monte Castello e Castelnuovo, enquanto os americanos tomavam: Belvedere e Della Torraccia. A conquista destas posições pela divisão brasileira e a divisão de montanha estadunidense neste setor secundário, mas vital, possibilitou o início da ofensiva final de primavera. Ofensiva na qual, ocorreu tanto a última etapa da campanha da FEB (quando a divisão brasileira travaria em Montese, o combate que lhe causou mais baixas num mesmo dia), como as forças sob o comando do VIII exército britânico, mais à leste no setor principal da frente italiana, após meses de combate, por se verem finalmente livres do pesado e constante fogo de artilharia inimiga (que partia dos pontos tomados pela 1ª divisão brasileira e 10ª de montanha americana), puderam avançar sobre Bolonha, ultrapassando as últimas posições da Linha Gótica.

Na 1ª semana de abril iniciou-se a fase final da ofensiva de primavera com o intuito de romper definitivamente esta linha de defesas, que recuara constantemente desde setembro do ano anterior, mas impedia o avanço das tropas aliadas na Itália rumo à Europa Central. No 1º dia da ofensiva no setor do IV Corpo do V Exército americano, ao qual a FEB estava incorporada (iniciada uma semana após o início da ofensiva no setor do VIII Exército britânico, que seguia sem progressos); após sem grandes dificuldades ter sustado o ataque aliado principal naquele setor, efetuado pela 10ª Divisão de Montanha americana, causando expressivas baixas naquela unidade estadunidense; os alemães cometeram um erro ao considerar o ataque da divisão brasileira à região de Montese (que neste ataque, além do apoio de blindados americanos, também utilizou seus próprios carros de combate M8, M4 e M10); como sendo o principal alvo aliado naquele setor; tendo por conta disso disparado somente contra a FEB cerca de 1,8 mil tiros de artilharia (64%) do total dos 2,8 mil tiros empregados contra todas as 4 divisões aliadas naquele setor da frente italiana, nos dias de luta que se seguiram pela posse daquela localidade (no que foi o combate mais sangrento travado pela FEB). Com a fracassada tentativa alemã de retomar Montese e o consequente avanço das tropas das 10ª Divisão de Montanha e 1ª Divisão Blindada estadunidenses, efetivou-se o desmoronamento das defesas germânicas naquele setor central, do ponto de vista geográfico, embora secundário estrategicamente, ficando claro a impossibilidade por parte das tropas alemãs de manterem a partir daquele momento a linha gótica, tanto no setor terciário a oeste, próximo ao Mar da Ligúria, quanto no setor principal à leste, próximo ao Mar Adriático.

Ainda nesta última etapa de sua campanha, em combates travados em Collecchio e Fornovo di Taro, em perfeita manobra e jogada ousada de seu comandante, os efetivos da FEB que se encontravam naquela região em inferioridade numérica cercaram e, após combates oriundos da infrutífera tentativa de rompimento do cerco por parte do inimigo seguidos de rápida negociação, obtiveram a rendição dos efetivos remanescentes de quatro divisões inimigas: uma alemã (a 148ª Divisão de Infantaria comandada pelo general Otto Fretter-Pico, e remanescentes da 90ª Panzergrenadier-Division) e duas italianas fascistas (a 1ª divisão bersaglieri "Italia", comandada pelo general Mario Carloni, e a 4ª divisão de montanha "Monte Rosa"). Isso impediu que essas unidades que (sob o abrigo e comando único da 148ª), se retiravam da região de La Spezia e Gênova (que havia sido liberada pela 92ª Divisão "Búfalo"), se unissem às forças ítalo-alemãs da Ligúria, que as esperavam para desfechar um contra-ataque contra as forças do V Exército americano, que avançavam, como é inevitável nestas situações, de forma rápida, porém difusa e descoordenada, inclusive do apoio aéreo, tendo deixado vários clarões em sua ala esquerda e na retaguarda. Muitas pontes ao longo do rio Pó foram deixadas intactas pelas forças nazifascistas com esse intento. O comando do Grupo de Exércitos C alemão, que já se encontrava em negociações de paz em Caserta há alguns dias com o comando Aliado na Itália, esperava com isso obter um triunfo a fim de conseguir melhores condições para rendição. Os acontecimentos em Fornovo di Taro involuntariamente impediram a execução de tal plano tanto pelo desfalque de tropas, como pelo atraso causado, o que aliado às notícias da morte de Hitler e a tomada final de Berlim pelas forças do Exército Vermelho, não deixou ao comando alemão outra opção senão ratificar a rápida rendição de suas tropas na Itália. Em sua arrancada final, a FEB ainda chegou a cidade de Turim, e em 2 de maio de 1945, na cidade de Susa, onde fez junção com as tropas francesas na fronteira franco-italiana.

Saldo da Campanha

Antes da rendição das forças alemãs ser oficializada a 2 de maio de 1945, a 148ª divisão foi a única divisão alemã capturada integralmente, incluindo seu comando, por uma força aliada (no caso, a 1ª Divisão Brasileira) durante toda a campanha da Itália. Pois desde a invasão da Sicília em julho de 1943 até a ofensiva na primavera de 1945, todas as demais divisões alemãs, independente das perdas sofridas, conseguiram se retirar ao norte sem se renderem.

A FEB permaneceu ininterruptamente duzentos e trinta e nove dias em combate. Como exemplo de comparação, das quarenta e quatro divisões americanas que combateram nos teatros de operações do norte da África e Europa (frentes italiana e ocidental) entre novembro de 1942 e maio de 1945, apenas doze estiveram ininterruptamente mais dias em combate que a divisão brasileira.

O Brasil perdeu nesta campanha, mortos em ação, quatrocentos e cinquenta e quatro homens do exército, e cinco pilotos da força aérea. A divisão brasileira ainda teve cerca de duas mil mortes decorrentes dos ferimentos de combate, e mais de doze mil baixas em campanha por mutilação ou outras diversas causas incapacitantes para a continuidade no campo de batalha. Tendo assim, somadas as substituições, turnos e rodízios, dos cerca de vinte e cinco mil homens enviados, mais de vinte e dois mil participado das ações. O que, incluso mortos e incapacitados, deu uma média de 1,7 homens usados para cada posto de combate, um grau de aproveitamento apreciável se comparado ao de outras divisões que estiveram ao mesmo tempo em campanha em condições semelhantes. Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, quatorze mil, setecentos e setenta e nove só em Fornovo di Taro, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e quatro mil cavalos.

Com a recusa do então governo brasileiro ao convite do comando aliado em colaborar com tropas para a ocupação da Áustria, em 6 de junho de 1945, enquanto a divisão brasileira ainda atuava na ocupação pós-guerra das províncias de Piacenza, Lodi e Alessandria, o Ministério da Guerra ordenou que as unidades da FEB se subordinassem ao comandante da primeira região militar (1ª RM), sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que, em última análise, significava a dissolução do contingente. Mesmo com sua desmobilização relâmpago, o regresso da FEB após o final da guerra contra o fascismo, ao longo do segundo semestre de 1945, ajudou a precipitar a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo no Brasil.

Em 1960, as cinzas dos brasileiros mortos na campanha da Itália foram transladadas do cemitério de Pistoia para o Brasil, e hoje jazem no monumento aos mortos que foi erguido no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, em homenagem e lembrança aos sacrifícios dos mesmos.

Força Aérea

Na campanha da Itália, a FAB atuou com duas unidades aéreas, a 1ª E.L.O., e o 1º Grupo de Aviação de Caça. O Esquadrão de caça teve abatidos dezesseis aviões, com morte em ação de cinco de seus aviadores, além da morte de mais três por acidentes. Apesar de, entre novembro de 1944 e abril de 1945, ter voado apenas 5% do total das missões efetuadas por todos os esquadrões sob o XXII comando aéreo tático aliado, neste período foi responsável (entre outras tarefas) pela destruição de 85% dos depósitos de munição, 36% dos depósitos de combustível, e 15% dos veículos motorizados (caminhões, tanques e locomotivas) inimigos destruídos por este comando aéreo aliado, tendo por este desempenho, recebido honrosa citação do congresso dos Estados Unidos. Já ao final da campanha, devido às baixas sofridas, estava reduzido ao tamanho padrão de um esquadrão convencional.

Embora tenha dado cobertura aérea à divisão brasileira em várias ocasiões, ao contrário da Esquadrilha de Reconhecimento aéreo (E.L.O.), o esquadrão de caças brasileiro não estava subordinado ao comando da FEB e sim (sendo um dos quatro esquadrões do 350º Grupo de caças da 62ª Ala da 12ª Força aérea do exército americano), subordinado ao XXII Comando Aéreo Tático Aliado.

Marinha

A participação da Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial não esteve diretamente ligada à FEB e à Campanha Italiana, pois esteve em grande parte engajada na Batalha do Atlântico. Os ataques navais do Eixo causaram quase 1,6 mil mortes, incluindo 500 civis, 470 marinheiros mercantes e 570 marinheiros da Marinha; cerca de um em cada sete marinheiros brasileiros morreria na campanha. Um total de 36 navios foram afundados pelos alemães, com mais três afundados (e 350 mortos) em naufrágios acidentais.

A principal tarefa da Marinha do Brasil era, em conjunto com os Aliados, garantir a segurança dos navios que navegavam entre o Atlântico central e sul até Gibraltar. Sozinha ou em coordenação com as forças aliadas, a Marinha do Brasil escoltou 614 comboios que protegeram 3.164 navios mercantes e de transporte de tropas.

Confirma-se que a Marinha do Brasil destruiu doze submarinos do Eixo ao longo de sua costa: o submarino italiano Archimede e os alemães U-128, U-161, U-164, U-199, U-507, U-513, U-590, U-591, U-598, U-604 e U-662.

Entre os navios de guerra perdidos pela Marinha do Brasil estavam o BZ Camaqua, que virou durante uma tempestade enquanto escoltava um comboio em julho de 1944, e o cruzador leve BZ Bahia devido a um acidente de artilharia; a maioria da tripulação deste último foi perdida. Dos três navios militares brasileiros perdidos durante a guerra, apenas o cargueiro Vital de Oliveira foi devido à ação de um submarino inimigo, sendo afundado pelo U-861 em 20 de julho de 1944.

Ao final da guerra, todo o comboio do Atlântico Sul havia sido entregue à Marinha do Brasil, liberando assim navios estadunidenses e britânicos para serviços urgentemente necessários em outros lugares.

Pós-Guerra

Associação dos Veteranos da FEB

A partir de Outubro de 1945, formaram-se as primeiras Associações de Ex-Combatentes. O não planejamento por parte das autoridades militares brasileiras da época, em relação a uma política de assistência e reintegração social de seus veteranos, em especial a grande maioria de civis sem alta qualificação profissional, colaborou para o crescimento de tais associações que, a partir da desvinculação deste objetivo do órgão público que havia sido criado para tal (a LBA), passaram a funcionar como único ponto de apoio social para os veteranos.

Entre 1946 e 1950, a disputa política entre grupos de veteranos comunistas e conservadores pela liderança nas Associações, que girou entre - se as Associações deveriam buscar uma maior participação na política nacional ou se ater às reivindicações imediatas dos veteranos; e que foi vencida pelos conservadores, com o apoio das lideranças militares da época, antecipou certas práticas que se tornariam padrão nas discussões de questões internas do Exército e demais Forças Armadas, nas décadas de 1950-1960.

Uma pensão aos veteranos que suprisse a sobrevivência veio apenas em 1988, com a Constituinte de 1988, quando todos os veteranos brasileiros sobreviventes da Segunda Guerra passaram a ter direito legal a uma compensação especial, equivalente à pensão deixada por um segundo-tenente do exército. Tal benefício não apenas se estendia também aos veteranos que não haviam estado nas campanhas da Itália ou do Atlântico, como não os diferenciava entre si ou daqueles que haviam servido no território continental brasileiro durante a guerra. O debate que o antecedeu, somado a ressentimentos acumulados em quatro décadas, também serviu para aumentar a rixa já existente entre veteranos que tiveram participação ativa nas campanhas citadas e aqueles que serviram na retaguarda.

No tempo decorrido entre o término da guerra e a concessão desta pensão, os veteranos conseguiram algumas pequenas vitórias, como o acesso ao funcionalismo público para os não analfabetos (o que excluía um número apreciável de veteranos), e a construção de um Conjunto Habitacional para ex-combatentes (no Bairro de Benfica), no Rio de Janeiro, inaugurado no início da década de 1960. Àqueles que não conseguiram se readaptar à vida civil, não tiveram outra alternativa que não a de "se virar", depender da caridade alheia, muitas vezes ficando na dependência das próprias associações, ou definhar.


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Fonte: Wikipedia.

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Veja também: A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 1 de 3).

Veja também: A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 3 de 3).


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11 janeiro 2025

A COBRA VAI FUMAR - FEB (Parte 1 de 3)

FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA


Exército Brasileiro - FEB - na Itália na Segunda Guerra Mundial. Na época, foram mais de 25.000 jovens recrutados, chamados para combater o nazifascismo na Europa. 467 pracinhas brasileiros morreram nos campos de batalha contra o EIXO.


SMOKING SNAKES - SABATON.

Homenagem de SABATON ao Brasil na Segunda Guerra Mundial.



SABATON - Smoking Snakes - São Paulo 2016.



Sabaton 2013 Heroes.



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07 dezembro 2024

Undergångens Arkitektur (Arquitetura da Destruição) (Architecture of Doom)

Undergångens Arkitektur

Undergångens Arkitektur (Arquitetura da Destruição) (Architecture of Doom). Considerado um dos melhores estudos sobre o Nazismo, o filme "Arquitetura da Destruição" lembra que chamar Adolf Hitler de artista medíocre não elimina os estragos causados por sua estratégia de conquista universal.

O arquiteto da destruição tinha grandes pretensões e queria dar uma dimensão absoluta à sua megalomania. O princípio fundamental do nazismo era embelezar o mundo, nem que para isso tivesse que destruí-lo.

O documentário traça um panorama sobre a trajetória de Hitler e de alguns de seus mais próximos colaboradores com a arte. Muito antes de chegar ao poder, o líder nazista sonhou em tornar-se artista. Ele produziu várias gravuras que posteriormente foram utilizadas como modelo em obras arquitetônicas.



Undergångens Arkitektur (Arquitetura da Destruição) 119 minutos (1989).


A produção sueca de 1989 destaca ainda a importância da arte na propaganda, que por sua vez teve papel fundamental no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.

Numa época de grave crise, no período entre guerras, a arte moderna foi apresentada como degenerada, relacionada ao bolchevismo e aos judeus. Para os nazistas, as obras modernas distorciam o valor humano e, na verdade, representavam as deformações genéticas existentes na sociedade.

O regime, em oposição, defendia o ideal de beleza como sinônimo de saúde e consequentemente com a eliminação de todas as doenças que pudessem deformar o "corpo" do povo. Era um discurso biológico condizente com as concepções estéticas de uma raça ariana.

Nasce assim uma "medicina nazista" que valoriza o corpo, o belo e estava disposta a erradicar os males que pudessem afetar essa obra.

Dirigido pelo cineasta sueco Peter Cohen, o filme resgata dados desde os tempos em que Adolf Hitler, filho de um oficial da alfândega, vivia em uma aldeia austríaca. A produção explica que os insucessos na vida artística (ele sonhava ser pintor ou arquiteto) acabou levando-o à vida política.



Undergångens Arkitektur / Arquitetura da Destruição / Architecture of Doom (1989) - Parte 1 de 4.



Undergångens Arkitektur / Arquitetura da Destruição / Architecture of Doom (1989) - Parte 2 de 4.



Undergångens Arkitektur / Arquitetura da Destruição / Architecture of Doom (1989) - Parte 3 de 4.



Undergångens Arkitektur / Arquitetura da Destruição / Architecture of Doom (1989) - Parte 4 de 4.


Sinopse

Nos minutos iniciais do filme, é apresentada a missão assumida pelos nazistas de "purificar" a terra alemã dos males que a assolavam, definindo aquilo que os nazistas chamaram de "corpo do povo da Alemanha". Com esse discurso, os nazistas passaram a perseguir diversos grupos da sociedade, principalmente as pessoas com deficiências e os judeus, tratando-os como se fossem bactérias ou vírus, quando o documentário exibe os guetos poloneses, um verdadeiro câncer que se difundia pelo mundo a ser contido e removido da sociedade alemã. A medicina alemã deveria trabalhar em prol desse corpo do povo, e não em prol do indivíduo, e nesse sentido diversos médicos acabaram se tornando filiados ao Partido Nacional Socialista Alemão a fim de conseguirem subir na carreira. Contudo, esse discurso “higienista” acaba sendo incorporado a uma questão de ordem estética, fundindo de certa maneira padrões de beleza (a “grande arte” idealizada por Hitler, que via na Antigüidade Clássica especialmente a fusão das paixões de Esparta, Atenas e Roma bem como na obra de Richard Wagner o ápice da manifestação artística humana; sendo bastante influenciado pelo romantismo alemão da segunda metade do século XIX) com questões de ordem médica. Como exemplo disso, temos o rebaixamento da arte moderna, dentro da lógica totalitária nazista, para uma chamada "arte degenerada". Hitler chega até mesmo a elaborar duas exposições de arte, uma divulgando a "arte sadia", condizente com suas concepções estéticas da raça ariana, e outra exposição, desta vez da "arte degenerada", mostrando ao povo alemão como era a arte que eles não deveriam apreciar. Chegou-se ao ponto de comparar diversas obras modernistas com fotos de casos de deformação congênita, retiradas de revistas médicas da época, o filme mostra o acervo da cultura hitlerista apreendido pelos aliados.

Retomando o discurso estético e biológico dos nazistas, os manicômios são apresentados durante o documentário como uma subversão da ordem natural, uma vez que enquanto o "povo alemão" vivia em condições paupérrimas, pessoas doentes, loucos e toda ordem de enfermos viviam cercadas de luxo e beleza que elas nem mesmo seriam capazes de contemplar. Dentro dessa mesma lógica, já no meio do documentário, é apresentado o filme nazista intitulado "Vítimas do Passado" (1937), onde a intenção é também a de "biologizar" o discurso nazista, que defendia a eugenia através da prática da "eutanásia", termo não adequadamente empregado, uma vez que era realizada sem o consentimento do enfermo ou de sua família. "Na natureza, tudo o que não é adequado perece"; diz o documentário nazista, induzindo os telespectadores a adotarem a mesma lógica para a sociedade na qual eles viviam, onde os mais aptos deveriam ser recompensados e os menos aptos exterminados.

A prática da eugenia nazista, de acordo com o documentário de Cohen, teria começado com a esterilização de doentes e passado então para morte de crianças com algum tipo de má formação, passando num próximo momento, já no fim da Segunda Guerra Mundial, para o extermínio de judeus na chamada “solução final”. Essa prática de matar não apenas judeus "estrangeiros", mas também as próprias crianças e soldados alemães considerados inaptos, vai ao encontro do que afirma Hannah Arendt, para quem o totalitarismo seria uma forma de domínio inovadora, uma vez não se limitaria a destruir as capacidades políticas do ser humano, isolando-o em relação à vida pública, como faziam as velhas tiranias e os velhos despotismos, mas tenderia a destruir os próprios grupos e instituições que formam o tecido das relações privadas do homem, tornando-o estranho assim ao mundo e privando-o até de seu próprio eu.

A narrativa do documentário é feita por vezes de modo irônico, tratando Adolf Hitler como uma pessoa frustrada, "limitada intelectualmente" e cujos projetos por vezes de "resultados amadorísticos". Logo no início Peter Cohen apresenta Hitler como um arquiteto e pintor frustrado por sua não-admissão na Academia de Artes de Viena, criando uma subseqüente obsessão pela Antiguidade Clássica, Richard Wagner e Linz, sua cidade natal.

17 abril 2024

RADIO BIKINI

Destruição de um atol


Indicado para o Oscar em 1988 e considerado um dos melhores documentários da temporada, o documentário tem a passagem de um mundo ingênuo para uma nova era. No verão de 1946, o governo dos EUA fez sua primeira no atol de Bikini, no Pacífico.


Radio Bikini - Documentary.
Link: RADIO BIKINI - YouTube.

O teste foi também o primeiro ensaio da mídia para grandes coberturas externas. A Marinha americana filmou a experiência com a intenção de produzir um filme de propaganda. Na verdade, conseguiu registrar um grande desastre ecológico.

Acesse também a postagem Atol de Bikini.


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16 abril 2024

ATOL DE BIKINI

O Atol de Bikini é um atol do Oceano Pacífico onde se deu, em julho de 1946, uma explosão atômica experimental. Também conhecido como Atol de Pikini, é um atol desabitado de 6 km² localizado na Micronésia, no Oceano Pacífico, 11°30′N, 165°25′E. O Atol de Bikini é membro das Ilhas Marshall e é formado por 36 ilhas que rodeiam uma lagoa. O atol foi parte do programa de testes nucleares desenvolvido pelos Estados Unidos da América, após ser invadida durante a 2ª Guerra Mundial. No local foram lançadas mais de 20 bombas de hidrogênio e bombas nucleares, entre julho de 1946 e 1958.


Atol de Bikini - Ilhas Marshall (USA).

Antes da realização dos testes nucleares, a população nativa foi transferida para o Atol de Rongerik. No fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970, alguns dos antigos moradores do Atol de Bikini retornaram das Ilhas Kili, mas foram novamente transferidos, devido a alta radioatividade. O navegador e explorador Otto von Kotzebue chamou o "Atol Bikini" como Atol Eschscholtz em homenagem ao cientista Johann Friedrich von Eschscholtz.


História

Essa ilha é a localizada no extremo noroeste do Atol e é a maior das ilhas deste, sendo a mais conhecida e importante ilha. A Ilha Bikini é conhecida por dois motivos: foi alvo, junto com o resto do Atol, dos testes nucleares norte-americanos e porque a roupa de banho biquini foi batizada com o nome da ilha (ou, possivelmente, do atol inteiro).


Operation Crossroads – 25 de julho de 1946.

Entre 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados no Atol do Bikini. Os habitantes micronésios, que eram cerca de 200 antes de os Estados Unidos os realocarem após a II Guerra Mundial, comiam peixe, frutos do mar, bananas e cocos. Em 1968 os Estados Unidos declararam Bikini uma terra habitável e começaram a trazer os bikinianos de volta para casa no começo dos anos 70. Em 1978, no entanto, os habitantes foram removidos novamente quando o estrôncio 90 em seus corpos atingiu níveis perigosos. Eles processaram os Estados Unidos e foram indenizados em 100 milhões de dólares . A operação de limpeza retiraria uma cobertura de 16 polegadas do solo da ilha principal de Bikini, gerando um milhão de pés cúbicos de solo radioativo que não poderia ser descartado, a um custo que excede muito a indenização.

Em 1997 um grupo especial de cientistas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) ou em Inglês IAEA (International Atomic Energy Agency) determinou que seria seguro caminhar em qualquer lugar das ilhas. Embora a radioatividade residual em ilhas do Atol de Biquíni ainda fosse mais alta que em outros atóis das ilhas Marshall, os níveis medidos não eram perigosos à saúde. O risco principal de radiação seria a comida: comer produtos crescidos no local, como frutas, poderia acrescentar ao corpo radioatividade suficiente para matar uma pessoa. Comer ocasionalmente cocos ou banana da Ilha de Biquíni não seria nenhum motivo de preocupação. Mas comer muitos produtos locais durante um período longo de tempo sem tomar medidas medicinais poderia resultar em uma dose de radiação mais alta do que os níveis de segurança internacionalmente aceitáveis.

Por causa destes riscos alimentares, a AIEA recomendou não repovoar a ilha de Bikini.
Mapa das Ilhas Marshall.


Acesse outra postagem deste blog: RADIO BIKINI onde você poderá assistir o documentário "Radio Bikini" sobre "Operation Crossroads".


Referências na cultura popular

O autor Theodore Taylor escreveu uma novela infantil intitulada "The Bomb" ("A Bomba"), que conta a história da luta de um adolescente para evitar que a primeira bomba atômica fosse jogada no Atol.
Big Boss, o vilão da série de jogos de videogame Metal Gear e personagem principal no jogo Metal Gear Solid 3: Snake Eater, é dito ter se envolvido com os testes no Atol.
Bob Esponja, um desenho animado da Nickelodeon, é ambientado numa cidade chamada Fenda do Biquíni que supostamente fica debaixo do Atol de Bikini. Num dos episódios, uma bomba disfarçada de torta explode violentamente num impacto com o personagem Lula Molusco. Na ocasião, é mostrada cena de teste da bomba-H em Bikini.



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27 março 2024

MANHATTAN PROJECT - VIDEOS

Some videos about the Manhattan Project.




Manhattan Project, U.S. government research project (1942 – 1945) that produced the first atomic bombs.







See also: Distrito de Engenharia de Manhattan.



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18 março 2024

MORTES NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Mortos e crimes de guerra

As estimativas para o total de mortos na guerra variam, pois muitas mortes não foram registradas. A maioria sugere que cerca de 60 milhões de pessoas morreram no conflito, incluindo cerca de 20 milhões de soldados e 40 milhões de civis. Somente na Europa, houve 36 milhões de mortes, sendo a metade de civis. Muitos civis morreram por causa de doenças, fome, massacres, bombardeios e genocídios deliberados. A União Soviética perdeu cerca de 27 milhões de pessoas durante a guerra, quase metade de todas as mortes da Segunda Guerra Mundial. Um em cada quatro cidadãos soviéticos foram mortos ou feridos nesse conflito.


Estimativas para o total de mortes na Segunda Guerra Mundial (clique na imagem para ampliar).

Do total de óbitos na Segunda Guerra Mundial cerca de 85 por cento, na maior parte soviéticos e chineses, foram do lado dos Aliados e 15 por cento do lado do Eixo. Muitas dessas mortes foram causadas por crimes de guerra cometidos pelas forças alemãs e japonesas nos territórios ocupados. Estima-se que entre 11 e 17 milhões de civis morreram como resultado direto ou indireto das políticas ideológicas nazistas, incluindo o genocídio sistemático de cerca de seis milhões de judeus durante o Holocausto, juntamente com mais cinco milhões de ciganos, eslavos, homossexuais e outras minorias étnicas e grupos minoritários. Aproximadamente 7,5 milhões de civis morreram na China durante a ocupação japonesa e os sérvios foram alvejados pela Ustaše, organização croata alinhada ao Eixo.

A atrocidade mais conhecida cometida pelo Império do Japão foi o Massacre de Nanquim, na qual centenas de milhares de civis chineses foram estuprados e assassinados. Entre 3 milhões e 10 milhões de civis, a maioria chineses, foram mortos pelas forças de ocupação japonesas. Mitsuyoshi Himeta registrou 2,7 milhões de vítimas durante a política conhecida como Sanko Sakusen. O general Yasuji Okamura implementou a política em Heipei e Shandong.

As forças do Eixo fizeram uso de armas biológicas e químicas. Os italianos usaram gás mostarda durante a conquista da Abissínia, enquanto o Exército Imperial Japonês usou vários tipos de armas biológicas durante a invasão e ocupação da China e nos conflitos iniciais contra os soviéticos. Tanto os alemães quanto os japoneses testaram tais armas contra civis e, em alguns casos, sobre prisioneiros de guerra. A Alemanha nazista e o Império Japão realizaram experiências utilizando seres humanos como cobaias (ver: Experimentos humanos nazistas e Unidade 731) Temendo punições, vários criminosos de guerra fugiram da Europa após término do conflito. As rotas de fuga usadas por estes criminosos ficaram conhecidas como as "linhas de ratos" (Ratlines).

Embora muitos dos atos do Eixo tenham sido levados a julgamento nos primeiros tribunais internacionais, muitos dos crimes causados pelos Aliados não foram julgados. Entre os exemplos de ações dos Aliados estão as transferências populacionais na União Soviética e o internamento de estadunidenses-japoneses em campos de concentração nos Estados Unidos; a Operação Keelhaul, a expulsão dos alemães após a Segunda Guerra Mundial, os estupros em massa de mulheres alemãs pelo Exército Vermelho Soviético; o Massacre de Katyn cometido pela União Soviética, para o qual os alemães enfrentaram contra-acusações de responsabilidade. O grande número de mortes por fome também pode ser parcialmente atribuído à guerra, como a fome de 1943 em Bengala e a fome de 1945 no Vietnã.

Também tem sido sugerido como crimes de guerra por alguns historiadores o bombardeio em massa de áreas civis em território inimigo, incluindo Tóquio e mais notadamente nas cidades alemãs de Dresden, Hamburgo e Colônia pelos Aliados ocidentais, que resultou na destruição de mais de 160 cidades e matou um total de mais de 600 mil civis alemães.

Obs.: Recomenda-se a leitura de "O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO", escrito no final da década de 90 após a queda da União Soviética, URSS. Nesse livro encontram-se em detalhes estudos e relatos de crimes ocorridos também durante o período da Segunda Guerra Mundial por países comunistas, e que se tornaram públicos devido à abertura dos inúmeros arquivos da KGB que tinham sido mantidos em segredo por décadas. A conta dos crimes chega a milhões de vítimas!


Mortes da Segunda Guerra Mundial (WWII) - (clique na imagem para ampliar).


Mortes da Segunda Guerra Mundial (WWII), escala vertical monolog - (clique na imagem para ampliar).




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