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THE MIKE WALLACE INTERVIEW - GUEST: ALDOUS HUXLEY - 05/18/1958. ENTREVISTA DE MIKE WALLACE -  CONVIDADO: ALDOUS HUXLEY - 18/05/1958....

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14 dezembro 2024

CONTO DE NATAL / A CHRISTMAS CAROL (Charles Dickens)

Conto de Natal (a Christmas Carol)

Resumo do Livro – Autor: Charles Dickens – 1843



A Christmas Carol (Conto de Natal) by Charles Dickens.


Ebenezer Scrooge, personagem principal do conto, após a morte do seu sócio Jacob Marley, ainda trabalha na empresa “Scrooge & Marley” sem alterar o nome. Sete anos mais tarde, na Noite da Véspera de Natal, Scrooge, enquanto trabalha no escritório, despacha o seu sobrinho, que veio convidar o tio para a ceia. Ebenezer é um homem muito opulento, mas não contribui para as doações dos voluntários que lhe solicitam dinheiro para os pobres e indigentes. Scrooge diz ao seu assistente que não fornece dinheiro para festejos públicos e como sempre não é gentil com ele. Depois de ir para casa, observa algo insólito – o seu sócio falecido, Jacob Marley, surge no meio do quarto, aprisionado sob portentosas correntes. O fantasma fala-lhe sobre o castigo que agora o marginaliza pela sua avareza que apresentou em vida e adverte Scrooge de que lhe está reservado um destino terrível caso não altere o seu comportamento avarento e indigno. O defunto precede mais três fantasmas que tentarão modificar o espírito do velho forreta. Uma hora mais tarde surge o primeiro – um fantasma do passado que lhe fornece lembranças da cidade da sua infância, a Noite de Natal gloriosa com a sua irmã, bons tempos com amigos, e finalmente a separação da sua noiva, que o deixou por causa do seu amor ao dinheiro. O segundo proporciona-lhe uma visão da Noite de Natal do presente: pobres, mas felizes nas casas dos seus empregados. Lá Scrooge vislumbra Tim, o filho doente do seu trabalhador subjugado por ele. O fantasma informa-o de que em breve Tim morrerá. O último fantasma é o do futuro – visitam a casa do empregado depois do enterro do pequeno Tim. Por fim ele observa a sua própria morte, muito humilhante, sozinho e detestado. Ele desperta na manhã de Natal e decide não desperdiçar este Natal. Scrooge acaba por modificar toda a sua vida.

Ebenezer Scrooge



O fantasma de Jacob Marley, intrerpretado por Frank Finlay, visita Ebenezer Scrooge para adverti-lo.


Ebenezer Scrooge é a personagem principal da história Conto de Natal (A Christmas Carol) (1843), de Charles Dickens. A personagem mais tarde serviria como inspiração para Carl Barks criar o Tio Patinhas. No início da história, Scrooge apresenta uma frieza desmedida no coração, além de ser ganancioso e avarento. Indiferente com o Natal e tudo o que condiciona felicidade, Ebenezer Scrooge é descrito por Charles Dickens como tendo lábios azuis e nariz pontiagudo.

O sobrenome "Scrooge"

O sobrenome do personagem é um sinônimo de avareza (característica evidente em Ebenezer).

A Christmas Carol – movie

A Christmas Carol – 1984 movie

A Christmas Carol is a 1984 made for television film adaptation of Charles Dickens' famous 1843 novella of the same name. The movie is directed by Clive Donner who had been an editor of the 1951 movie Scrooge and stars George C. Scott as Ebenezer Scrooge.



The great actor George C. Scott as Ebenezer Scrooge – A Christmas Carol (movie 1984).



The movie: A Christmas Carol (1984) - George C. Scott as Ebenezer Scrooge.



*   *   *

09 outubro 2014

FÁBULA CHINESA (3)

Senhor Dongguo e o Lobo.


"Um letrado a quem todos chamam-no como senhor Dongguo era muito antiquado e costumava atuar agarrado às rotinas escritas nos livros. Um dia, o senhor Dongguo ia buscar um posto de funcionário no País de Zhongshan, levando seu burro que carregava um saco de livros. A meio caminho, um lobo ferido saiu à sua frente rogando: “senhor, os caçadores estão me perseguindo, feriram-me com flechas e querem a minha vida. Permite-me esconder no saco de livros e vou agradecê-lo com ricas retribuições”. O senhor Dongguo, que bem sabia que o lobo era animal vicioso, viu que fora ferido e teve compaixão. Pensou um pouco e disse: “se vou salvá-lo, desagradarei os caçadores. Mas, uma vez que viesse pedir-me o favor, tenho que salvá-lo”. Dito isto, o senhor mandou o lobo encolher-se, atou suas quatro patas e escondeu-o no saco de livros.

Pouco tempo depois, os caçadores chegaram e perguntaram ao senhor Dongguo pelo lobo: “Já viu um lobo passando por aqui?” O senhor Dongguo respondeu: “Não, não vi nenhum lobo. Aqui há muitos caminhos. Ele pode já fugir por outros caminhos”.

Os caçadores acreditaram nas palavras de Dongguo e continuaram a caçar o lobo. O lobo no saco, ouvindo que os caçadores se afastaram, pediu de novo ao senhor Dongguo: “senhor, por favor, deixe-me sair”. O bondoso homem desatou o saco e libertou o lobo. Mas, este, com um uivo, disse: “estou com fome danada da vida. Já me salvou uma vez, que tal me salvará mais uma vez? Deixe-me comê-lo”. E lançou-se ao senhor Dongguo.

O senhor Dongguo, lutando contra o lobo, maldizia sua ingratidão. Neste momento, um agricultor passou por eles com uma enxada aos ombros. O senhor Dongguo contou-lhe o acontecido e pediu-o a julgar o justo e o injusto, enquanto o lobo negou que o letrado o tivesse salvado. O agricultor pensou um pouco e disse: “Não acredito em suas palavras. É impossível que esconda um lobo deste tamanho num pequeno saco de livros. Poderia fazê-lo de novo para que veja a meus próprios olhos”. O lobo concordou e encolheu-se de novo para que o senhor Dongguo o atasse e colocasse no saco de livros. Vendo o lobo no saco, o agricultor bem fechou a boca do saco e disse ao senhor Dongguo: “a natureza de um animal vicioso jamais mudará. Você até tem piedade com ele e é realmente um homem confuso”. Depois de dizer estas palavras, o agricultor brandiu uma enxada e matou o lobo.

O senhor Dongguo entendeu tudo de repente e agradeceu ao agricultor pela salvação."

* *   *    *     *

No Chinês atual, “o senhor Dongguo” e “o lobo de Zhongshan” viraram dois provérbios:

  • O primeiro indica as pessoas que abusam da compaixão e;
  • O último, pessoas ingratas.



18 maio 2014

AINDA HÁ BOAS PESSOAS NO MUNDO / THERE ARE STILL GOOD PEOPLE IN THE WORLD (compartilhe / share this)

CORTESIA
Совершай добрые дела!

Nos dias que correm, muitas pessoas esqueceram o que é ser cortês, ou o verdadeiro sentido da palavra cortesia. O termo cortesia, derivado de "court" (corte) era usado para designar o conjunto de qualidades do nobre e o modo de viver da aristocracia. A cortesia não é apenas o código de etiqueta próprio do modo de vida da corte, mas uma verdadeira moral idealizada da elite feudal. É uma noção muito concreta, ainda que muito ampla, pois supõe a perfeição moral e social do homem: lealdade, generosidade, valentia, boa educação, convivência, concórdia, etc.. Aquele que é cortês sabe que não é o centro do mundo, é uma pessoa que pensa nos demais e em seus sentimentos, tal como o cavaleiro fazia, que colocava o bem-estar da sua rainha e do seu reino acima da sua própria vida. A cortesia tem de nascer do coração pois é um ato de generosidade. Gastón Courtois disse que a cortesia "é filha do respeito ao próximo e irmã da caridade".

Simples assim, apenas assista (Tempo: 05 min. 33 seg.). Boas ações gravadas na Rússia.
(Share the inspirational video to spread the kindness! Feel free to make a better world by helping! Good people are everywere! Yet!).
Song: The Arrival of the Birds - Cinematic Orchestra.
Song link: http://fblink.us/NslSE

Textos do vídeo:

"Любой поступок способен стать самым добрым, если в нет корысти.
Совершай добрые дела!
Когда вы последний раз совершали доброе дело?"

"Qualquer ato é capaz de se tornar o maior bem, se não houver interesse.
Praticar boas ações!
Quando foi a última vez que você fez uma boa ação?"

Cena extraída do vídeo citado acima.

Esta deve estar presente sempre, e em tudo, ou seja, não basta sermos generosos e até colaborar de vez em quando com instituições de caridade, é preciso também, por exemplo, cortesia no diálogo, pois esta é a ponte perfeita para uma boa conversa, há que ter a noção que: o que é interessante para mim pode não o ser para os outros, então, há que parar e escutar também, o silêncio também se pode partilhar, aliás, esses momentos de silêncio entre dois amigos podem ser muito importantes para a alma, pois esses são os momentos em que esta se pode manifestar.

Uma dica para nos facilitar esta dura tarefa que é ser corteses: trabalhem a atenção, ou seja, estejam atentos ao que dizem, pensam e falam, pois no dia em que o conseguirmos, estaremos mais próximos.

A cortesia é um dos alicerces para cimentar o nosso crescimento interior, esta deve refletir nos nossos atos, pensamentos e emoções, só assim a nossa Alma é livre de seguir crescendo.

- Será que somos verdadeiramente corteses?
- Estamos agindo corretamente no nosso dia a dia sem prejudicar outras pessoas?
- Quantas vezes será que já falhamos?

O Lobo e a Ovelha (uma fábula sobre cortesia)

"Um lobo, muito ferido devido às várias mordidas de cachorros, repousava doente e bastante debilitado em sua toca.

Como estava com fome, ele chamou uma ovelha que ia passando ali perto, e pediu-lhe para trazer um pouco da água de um regato que corria ao lado dela.

Assim, falou o lobo, se você me trouxer água, eu ficarei em condições de conseguir meu próprio alimento.

Claro, respondeu a ovelha, se eu levar água para você, sem dúvida eu serei esse alimento."

Moral da História: um hipócrita não consegue disfarçar suas verdadeiras intenções, mesmo quando tenta se expressar com cortesia.

Notas sobre O Autor: Esopo, o mais conhecido dentre os fabulistas, foi sem dúvida um grande sábio que viveu na antiguidade. Sua origem é um mistério cercado de muitas lendas. Mas, pode ter ocorrido por volta do ano 620 A.C.

19 setembro 2013

INOCENTE OU CULPADO? (Fábula)

INOCENTE OU CULPADO?


"Conta uma lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor do crime era uma pessoa influente no reino e, por isso, desde o primeiro momento, se procurou um bode expiatório para acobertar o verdadeiro assassino.

O homem injustamente acusado de ter cometido o assassinato foi levado a julgamento. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo das falsas acusações. A forca o esperava!

O juiz, que também estava conluiado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência.

Disse o desonesto juiz: — Como o senhor, sou um homem profundamente religioso. Por isso, vou deixar sua sorte nas mãos de Deus. Vou escrever em um papel a palavra INOCENTE e em outro a palavra CULPADO. Você deverá pegar apenas um dos papéis. Aquele que você escolher será o seu veredicto.

Sem que o acusado percebesse, o inescrupuloso juiz escreveu nos dois papéis a palavra CULPADO, fazendo, assim, com que não houvesse alternativa para o homem. O juiz, então, colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem, pressentindo o embuste, fingiu se concentrar por alguns segundos a fim de fazer a escolha certa. Aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e o engoliu. Os presentes reagiram surpresos e indignados com tal atitude.

O homem, mais uma vez demonstrando confiança, disse: — Agora basta olhar o papel que se encontra sobre a mesa e saberemos que engoli aquele em que estava escrito o contrário."

*  *  *

14 julho 2013

A EXECUTIVA BEM SUCEDIDA

"A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Foi tudo muito rápido. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um 'meeting' importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É.

- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do gênero?

- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências: nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular, a executiva bem-sucedida custou a admitir que havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana iria receber o 'bônus anual', além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.

E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.

Mas a executiva havia feito um curso intensivo de 'approach' para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do século 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um 'insight'. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial, ali na nova 'corporation'.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando à toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um 'upgrade' na produtividade sistêmica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PhD em 'reengeneering'. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um simples programa de 'targets' individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- !!!...???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de 'leverage', maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um 'downsizing' progressivo, encontrar sinergias 'high-tech', redigir manuais de procedimento, definir o 'marketing mix' e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um 'board' de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os 'fringe benefits' e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um 'Turnaround' radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?

- Não, minha cara executiva. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno..."

Sem comentários.

Qualquer semelhança com a vida real, é mera coincidência.

29 maio 2013

O HOMEM QUE SEMEAVA ÁRVORES (Fábula)

O HOMEM QUE SEMEAVA ÁRVORES

É uma fábula que relata o trabalho paciente e abnegado de Elzéard Bouffier, um pastor de ovelhas que decide plantar árvores em uma região desolada da França. Vencedor do Oscar de Melhor Animação Curta-Metragem em 1988, além de diversos outros prêmios, é um testemunho do poder do espírito humano.

O Homem que Semeava Árvores (30 min. 10 seg.).

"Há cerca de quarenta anos, fiz uma longa caminhada na antiqüíssima região dos Alpes que entra pela Provença, a altitudes então absolutamente desconhecidas dos turistas.

Esta região é delimitada a Sudoeste e a Sul pelo curso médio do rio Durance, entre Sisteron e Mirabeau; a Norte pelo curso superior do rio Drôme, desde a nascente até Die; a Oeste pelas planuras de Comtat Vesaissin e pelos contrafortes de Mon-Ventoux. Compreende toda a parte Norte do departamento dos Alpes-Baixos, o Sul do Drôme e um pequeno enclave de Vaucluse.

Eram, na altura em que empreendi o meu longo passeio por esses desertos, terras nuas e monótonas, a cerca de 1.200 - 1.300 metros de altitude. Apenas alfazemas silvestres cresciam por lá.

Atravessei esta região na sua maior extensão, e, após três dias de marcha, achava-me numa desolação sem par. Acampei ao lado de um esqueleto de aldeia abandonada. Já não tinha água desde a véspera e precisava encontrá-la. Estas casas aglomeradas, embora em ruínas, como um velho ninho de vespas, fizeram-me pensar que devia ter por ali existido, em tempos, uma fonte ou um poço. Havia efetivamente uma fonte, mas seca. As cinco ou seis casas sem telhado, corroídas pelo vento e pela chuva, a pequena capela, de campanário desmoronado, alinhavam-se como as casas e as capelas nas aldeias vivas, mas toda a vida tinha desaparecido.

Era um belo dia de junho cheio de Sol, mas, nestas terras sem abrigo e de altitude, o vento soprava com uma brutalidade insuportável. O seu ribombar na carcaça das casas fazia lembrar o ronco de uma fera perturbada durante o seu repasto.

Árvores.

Vi-me forçado a levantar o acampamento. Ao fim de cinco horas de marcha não tinha ainda encontrado água e nada indicava que a viesse encontrar. Por toda a parte, a mesma secura, as mesmas ervas lenhosas. Pareceu-me entrever, ao longe, de pé, uma pequena silhueta negra. Tomei-a pelo tronco solitário de uma árvore. Ao que desse e viesse, dirigi-me para lá. Era um pastor. Uma trintena de carneiros deitados na terra ardente, repousavam perto dele.

Deu-me de beber de sua cabaça e, pouco depois, conduziu-me ao seu redil, numa ondulação do planalto. Tirava a sua água, excelente, de um poço natural, muito profundo, por cima do qual tinha instalado um sarilho rudimentar.

Era um homem de poucas falas, o que é feitio dos solitários, mas revelava-se seguro de si e confiante nessa segurança. Não deixava de ser insólito numa região desprovida de tudo.

Habitava não numa cabana, mas numa verdadeira casa de pedra, na qual se reconhecia muito bem como, com o seu trabalho pessoal, tinha reconstruído as ruínas que encontrara à chegada. O telhado era sólido, estanque. O vento fazia nas telhas um ruído que lembrava o do mar nas praias.

Todo o interior estava em ordem, a louça lavada, o soalho varrido e a espingarda oleada; uma sopa fervia sobre o fogo. Notei, então, que estava também barbeado de fresco, que todos os botões se apresentavam solidamente cozido e a roupa repassada com o cuidado minucioso que torna os remendos invisíveis. Partilhou comigo a sua sopa e quando, pouco depois, lhe oferecia minha bolsa de tabaco, disse-me que não fumava. O cão dele, silencioso como o dono, era afável sem subserviência.

Combinamos de imediato que eu passaria ali à noite, pois a aldeia mais próxima ficava ainda a mais de dia e meio de marcha. Além disso, eu conhecia bem o gênero de pequenos e raros povoados da região. Haveria quatro ou cinco aldeias, distantes umas das outras e dispersas pelas encostas, nas matas de carvalhos brancos, situadas no extremo das estradas transitáveis por carroças. São habitadas por lenhadores que fazem carvão de madeira. Trata-se de locais onde se vive mal. As famílias confinadas umas contra as outras, neste clima excessivamente rude, tanto no verão como no inverno, dão largas ao seu egoísmo. A ambição cega torna-se desmedida, na expectativa continuada de fugir da região.

Os homens vão levar o carvão à cidade nos seus caminhões, depois regressam. As mais sólidas virtudes esboroam-se sob a ação deste perpétuo banho escocês. As mulheres fervilham rancores. Há concorrência sem tréguas em tudo, tanto na venda de carvão como pelo banco na Igreja; há concorrência nas virtudes, que se combatem entre si; nos vícios, que se combatem também entre si, e há concorrência ainda na confusão geral de vícios e virtudes. Ainda por cima, o vento, que sopra sem descanso, irrita os nervos. Acontecem epidemias de suicídios e os casos de loucura, quase sempre assassina, são numerosos.

O pastor que não fumava, foi buscar um pequeno saco e espalhou sobre a mesa um monte de landes. Pôs-se a examiná-las, uma após outra, com toda a atenção, separando as boas das más, enquanto eu fumava meu cachimbo. Propus-me ajudá-lo. Disse-me que era tarefa sua. Com efeito, vendo o cuidado que ele punha na sua escolha, não insisti. E a nossa conversa ficou-se por aí. Quando juntou do lado das boas um monte de landes bastante grande, contou-as em conjuntos de dez. Ao mesmo tempo, examinando-as de perto. Eliminava os frutos menores ou que estavam ligeiramente estalados. Quando acabou de juntar, diante de si, cem landes perfeitas, parou e fomo-nos deitar.

A companhia deste homem transmitia paz. No dia seguinte, pedi-lhe que me autorizasse a descansar em sua casa por mais uma jornada, o que ele achou muito natural. Ou, mais exatamente, deu-me a impressão de que nada o poderia incomodar. Esta pausa não me era absolutamente necessária, mas eu estava intrigado e queria saber mais. Fez sair o rebanho e conduziu-o à pastagem. Antes de partir, molhou num balde de água o pequeno saco onde tinha posto as landes cuidadosamente escolhidas e contadas.

Reparei que, em jeito de cajado, levava um varão de ferro de grossura de um polegar e com cerca de metro e meio de comprimento. Fiz de conta que passeava para descansar e fui seguindo um caminho paralelo ao dele. A pastagem dos seus animais era no fundo de um pequeno vale.

Deixando o rebanho à guarda do cão, subiu em direção ao sítio onde eu me encontrava. Receei que viesse censurar-me pela minha indiscrição, mas nada disso: era esse o seu caminho e convidou-me a acompanhá-lo, caso não tivesse nada de melhor para fazer. Dirigia-se a uma elevação, duzentos metros mais acima.

Chegando ao local almejado, pôs-se a espetar o varão de ferro na terra, fazendo assim um buraco em que depunha uma lande, e depois tapava o buraco. Ele semeava carvalhos! Perguntei-lhe se o terreno lhe pertencia. Respondeu-me que não. Sabia de quem a terra era? Não sabia. Supunha que se tratasse de uma área comunal, ou então de propriedade abandonada pelos donos. Era questão que não o preocupava. Assim, semeou as suas cem landes, com um cuidado extremo.

Após a refeição do meio-dia, recomeçou a escolher as suas sementes. Fui, penso, bastante insistente nas minhas perguntas, pois se deu ao trabalho de me responder. Há três anos que semeava árvores nesta solidão. Tinha, entretanto, semeado cem mil. Dessas cem mil, vinte mil tinham vingado. E destas vinte mil contava perder ainda metade, devido aos roedores ou por força de tudo quanto há de imprevisível nos desígnios da Providência. Restavam dez mil carvalhos que iriam crescer neste lugar onde dantes nada havia.

Foi então que quis saber a idade deste homem. Tinha visivelmente mais de cinqüenta anos. Cinqüenta e cinco, disse-me. Chamava-se Elzéard Bouffier. Tivera uma quinta na planície. Aí vivera em plenitude a sua vida. Tinha perdido o seu único filho, depois a mulher. Retirara-se para esta solidão, onde se dava o prazer de viver vagarosamente, com suas ovelhas e o seu cão. Parecera-lhe que esta região morria por falta de árvores. Não tenho ocupações muito importantes, acrescentou, tinha decidido remediar tal estado de coisas.

Vivendo eu próprio nessa época e apesar de ser ainda jovem, uma vida solitária, eu sabia tocar com delicadeza as almas solitárias. No entanto, cometi um deslize. A minha juventude, precisamente, levava-me a imaginar o futuro em função de mim mesmo e de uma certa busca da felicidade. Disse-lhe que, dentro de trinta anos, esses dez mil carvalhos seriam magníficos. Ao que ele me replicou, muito simplesmente que, se Deus lhe concedesse vida, dentro de trinta anos, teria semeado tantas outras árvores que aqueles dez mil carvalhos seriam como que uma gota de água no mar.

Estudava já, de resto, a reprodução das faias e tinha perto de casa um viveiro delas; os exemplares que aí cresciam, protegidos dos seus carneiros por uma cerca que ele construíra, eram de grande beleza. Pensava igualmente em bétulas, para os fundos, onde me dizia ele, uma certa umidade se esconderia a alguns metros abaixo da superfície do solo.

Separamo-nos no dia seguinte.

Um ano depois, começou a guerra de quatorze, na qual estive mobilizado durante cinco anos. Um soldado de infantaria não podia, em tal situação, refletir muito sobre árvores. E para falar com verdade, o fato não me tinha marcado; tinha-o considerado como algo de pueril, uma coleção de selos, e esquecido.

Saído da guerra, vi-me na posse de um prêmio de desmobilização minúsculo, mas com um grande desejo de respirar um pouco de ar puro. Assim, foi sem qualquer idéia preconcebida, salvo esse simples objetivo, que retomei o caminho dessas paragens desertas. A região não tinha mudado. Contudo, passada a aldeia morta, divisei ao longe uma espécie de nevoeiro cinzento que cobria as elevações como um tapete. Desde a véspera, tinha recomeçado a pensar naquele pastor que semeava árvores. Dez mil carvalhos ocupam realmente um espaço muito grande.

Tinha visto morrer muita gente, durante cinco anos, para não imaginar facilmente a morte de Elzéard Bouffier, tanto mais que, quando se tem vinte anos, consideram-se aqueles que têm cinqüenta anos como velhos a quem não resta senão morrer. Mas Elzéard Bouffier não tinha morrido. Tinha mesmo rejuvenescido e mudara de ocupação. Ficara apenas com quatro ovelhas e, em compensação, cuidava de uma centena de colméias. Desfizera-se dos carneiros que punham em perigo as suas árvores. Porque, disse-me (e eu constatava-o), sem dar qualquer atenção à guerra, continuava imperturbavelmente a semear árvores.

Os carvalhos de 1910 tinham então dez anos e estavam mais altos que qualquer um de nós. O espetáculo era impressionante. Eu sentia-me literalmente sem palavras e, como ele não falasse, passamos todo o dia em silêncio a passear na sua floresta. Esta tinha, em três troços, onze quilômetros na sua maior extensão. Se considerar que tudo era obra das mãos e da alma de um só homem, sem meios técnicos, compreende-se que os seres humanos poderiam ser tão eficazes como Deus, em domínios diferentes da destruição.

Ele tinha posto em prática a sua idéia e as faias, que chegavam à altura dos meus ombros e se espalhavam a perder de vista, eram bem testemunho disso. Os carvalhos eram fortes e tinham passado a idade de estarem à mercê dos roedores. Quanto aos desígnios da própria Providência, para destruir a obra assim criada, precisaria lançar mão dos ciclones. Mostrou-me admiráveis bosquezinhos de bétulas que, com os seus cinco anos, haviam sido semeados em 1915, altura em que eu combatia em Verdum. Tinha-as semeado nos terrenos fundos, onde, com razão, ele suspeitava haver umidade quase à flor da terra. Tinham o porte tenro e decidido de adolescentes.

A criação tinha, aliás, o ar de se repercutir em cadeia. Ele não dava atenção a isso; prosseguia obstinadamente a sua tarefa muito simples. Ao descer de novo para a aldeia, vi correr água em riachos que a memória dos homens sempre recordara secos. Era a mais formidável reação natural em cadeia que me tinha sido dado observar. É que esses riachos, em tempos recuados, haviam transportado água. Algumas das tristes aldeias de que falei, no início desta narrativa, haviam sido construídas sobre as ruínas de antigas aldeias galo-romanas de que ainda subsistiam vestígios, postos a descoberto por arqueólogos. Entre tais vestígios, constavam anzóis, encontrados em sítios onde, no século XX, era forçoso recorrer a cisternas para recolher alguma água.

O vento, por sua vez, dispersava determinadas sementes. Assim, com a água, ressurgiram também os salgueiros, os vimes, os prados, as hortas, as flores e uma certa razão de viver. A transformação operava-se tão lentamente que entrara nos hábitos sem suscitar espanto. Os caçadores que subiam às tais solidões, em perseguição de lebres ou javalis, bem tinham constatado o pulular de pequenas árvores, mas atribuíram-nas aos caprichos naturais da terra. Por isso ninguém tocava na obra daquele homem. Se tivessem suspeitado dele, tê-lo-iam contrariado. Só que ele era absolutamente insuspeito. Quem poderia imaginar, nas aldeias e nas repartições, uma tal obstinação na generosidade mais magnífica?

A partir de 1920, não deixei nunca de passar mais de um ano sem visitar Elzéard Bouffier. Jamais o vi recuar ou duvidar. Mas Deus saberá, se é que Deus cresce em semelhantes paragens. Não cheguei nunca a inventariar os seus dissabores. Pode-se bem imaginar, no entanto, que para chegar a um tal sucesso, há de ter sido forçoso vencer a adversidade; que, para assegurar a vitória de uma tal paixão, terá sido inevitável bater-se com o desespero. Semeara, durante um ano, mais de dez mil olmos. Morreram todos. Um ano depois, abandonou os olmos para retomar as faias, que vingaram ainda melhor que os carvalhos. Para ter uma idéia aproximada deste caráter excepcional, é necessário ter presente que se manifestava numa solidão total; tão completa que, perto do fim da vida, Elzéard Bouffier tinha perdido o hábito de falar. Ou talvez não visse necessidade disso!

Em 1933, recebeu a visita de um guarda florestal aparvalhado. Este funcionário intimou-o a não fazer fogo ao ar livre, para que não pusesse em perigo aquela floresta natural! Era a primeira vez, disse-lhe aquele homem ingênuo, que se via uma floresta crescer sozinha. Por essa época, ele ia semear faias a doze quilômetros de sua casa. Para se poupar tal caminhada de ida e volta, pensava em construir uma cabana de pedra na própria área de suas plantações. Foi um ano mais tarde.

Em 1935, uma verdadeira delegação administrativa veio inspecionar a floresta natural. Compunham-na um alto funcionário das Águas e Florestas, um deputado e técnicos. Pronunciaram-se muitas palavras inúteis. Decidiu-se fazer alguma coisa, mas, felizmente, nada se fez, a não ser a única coisa útil - pôr a floresta sob a proteção do Estado e proibir que se fizesse carvão no seu perímetro. É que era impossível não se ser subjugado pela beleza destas árvores jovens e cheias de saúde. E essa beleza não deixou de seduzir o próprio deputado.

Um dos responsáveis florestais que fizera parte da delegação era meu amigo. Expliquei-lhe o mistério. Na semana seguinte, fomos ambos à procura de Elzéard Bouffier. Encontramo-lo em pleno trabalho, a vinte quilômetros do sítio onde tivera lugar a inspeção. Este responsável florestal não era um amigo qualquer. Ele conhecia o valor das coisas e soube guardar silêncio. Ofereci alguns ovos que tinha levado de presente. Partilhamos os três uma merenda frugal e passamos algumas horas em contemplação silenciosa da paisagem.

O lado de onde viéramos estava coberto de árvores de seis a sete metros de altura. Eu lembrava-me bem do aspecto da região em 1913 - o deserto... O trabalho pacífico e regular, o ar vivo das alturas e, sobretudo, a serenidade da alma tinham dado a este ancião uma saúde quase solene. Era um atleta de Deus. E eu perguntava-me quantos hectares iria ele ainda cobrir de árvores?

Antes de partir, o meu amigo fez simplesmente uma breve sugestão a propósito de certas espécies arbóreas às quais o terreno, ali, parecia ser conveniente. Não insistiu. "Por uma boa razão", disse-me ele depois, "é que este bom homem sabe mais do que eu". Ao fim de uma hora de marcha, tendo nele amadurecido o pensamento, acrescentou: "Ele sabe muito mais do que todos nós. Descobriu um meio fabuloso de ser feliz".

Foi graças a este responsável que não só a floresta, mas a felicidade desse homem foram protegidas. Providenciou para que fossem nomeados três guardas florestais que assegurassem essa proteção e atemorizou-os de tal forma que eles permaneceram insensíveis a todas as tentativas de corrupção por parte dos lenhadores.

A obra só correu um risco sério durante a guerra de 1939. Os automóveis moviam-se então a gasogênio, e não havia madeira que chegasse. Começaram a fazer-se cortes nos carvalhos de 1910, mas a região ficava tão longe de todas as redes de estradas que a iniciativa se revelava péssima do ponto de vista financeiro, sendo por isso abandonada. O pastor nem se apercebeu do que tinha se passado. Andava, então, a trinta quilômetros de distância, prosseguindo a sua tarefa e ignorando a guerra de 1939 como já ignorara a de 1914.

Vi Elzéard Bouffier, pela última vez, era junho de 1945. Tinha ele, então, 87 anos. Retornara eu, pois, uma vez mais, a estrada do deserto, mas, agora, apesar do descalabro em que a guerra tinha deixado o país, havia um carro a fazer serviço entre o vale de Durance e a montanha. Atribuí a este meio de transporte relativamente rápido o fato de não reconhecer os lugares das minhas primeiras caminhadas. Parecia-me, também, que o itinerário me levava por sítios novos. Foi-me necessário ver o nome de uma aldeia para concluir que me encontrava, de fato, na mesma região que eu conhecera, outrora, desolada e em ruínas. O carro deixou-me em Vergons.

Em 1913, esta aldeola com dez ou doze casas tinha três habitantes. Eram selvagens, detestavam-se, viviam da caça com armadilhas, mais ou menos no estado físico e moral dos homens das cavernas. A vegetação devorava, então, as casas abandonadas. Não havia esperança, na sua contradição. Para eles não havia mais nada a esperar senão a morte, situação que, de modo algum, predispõe às virtudes.

Tudo mudara. Até o próprio ar. Em lugar das ventanias secas e brutais que me acolhiam outrora, soprava uma brisa doce e carregada de odores. Um rumor semelhante ao da água vinha das alturas: era o soprar do vento nas florestas. Por fim, coisa mais espantosa, ouvi o ruído da própria água a correr para uma represa. Reparei, então, que tinham construído uma fonte donde a água corria abundantemente e, fato que me comoveu ainda mais, alguém plantara nas proximidades uma tília que deveria ter já quatro anos, vigorosa, símbolo incontestável de uma ressurreição.

Além disso, Vergons apresentava sinais de atividade para a qual a esperança é requisito indispensável. A esperança tinha, pois, voltado. As ruínas tinham sido removidas, os troços de muros instáveis haviam sido desmontados e cinco casas tinham sido restauradas. O lugarejo albergava agora vinte e oito habitantes entre os quais se contavam quatro jovens casais. As casas novas, caiadas de fresco, estavam rodeadas de hortas onde cresciam misturados, mas alinhados, os legumes e as flores, as couves e as roseiras, os alhos-porros e as bocas-de-lobo, os aipos e as anêmonas. Era, agora, um local onde apetecia viver.

A partir daí, fiz o meu caminho a pé. A guerra de que mal aspiramos não possibilitava o desenvolvimento completo da vida, mas Lázaro levantara-se do túmulo. Sobre os flancos menos declinosos da montanha, podia ver pequenos campos de cevada e de centeio; e no fundo de vales estreitos verdejavam alguns prados.

Bastaram os oito anos que nos separam dessa época para que toda a região resplandecesse de saúde e prosperidade.

Sobre as ruínas que tinha visto em 1913, erguiam-se agora quintas bem cuidadas, caiadas, que denotavam uma vida feliz e confortável. As antigas nascentes, alimentadas pela água das chuvas e das neves, que as florestas armazenavam, tinham voltado a jorrar. E as águas tinham sido canalizadas. Ao lado de cada quinta, os bosques transbordavam sobre tapetes de fresca hortelã. As aldeias foram sendo reconstruídas pouco a pouco. Uma população vinda de planície, onde o preço da terra é elevado, fixou-se na região, trazendo-lhe juventude, movimento, espírito de aventura.

Encontram-se nos caminhos homens e mulheres bem alimentados, rapazes e raparigas que sabem rir e retomaram o gosto pelas festas campesinas. Contrastando com a antiga população, agora irreconhecível, porque vive com gosto, com os novos residentes, mais de dez mil pessoas devem a sua felicidade a Elzéard Bouffier.

Quando penso em que um só homem, apenas com os seus recursos físicos e morais, foi capaz de fazer surgir de deserto esta terra Canaã, descubro que, apesar de tudo, a condição humana é admirável. Mas ao constatar quanto terá sido necessário de constância na grandeza de alma e de perseverança na generosidade, para alcançar tal resultado, sou tomado de um imenso respeito por este velho camponês iletrado que soube levar a cabo esta obra digna de Deus.

Elzéard Bouffier morreu em paz, em 1947, no Hospital de Banon."

Árvores.

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03 fevereiro 2013

FÁBULA CHINESA (2)

O sonho de Zhuangzi (Zhuangzi)

"Uma vez, ao pôr do sol, Zhuangzi cochilava debaixo de uma árvore quando sonhou que havia se transformado numa borboleta.


O sonho da borboleta.

Ele bateu asas, certo de que era uma borboleta...

Esvoaçou aqui e ali com tal regozijo que logo se esqueceu de que era Zhuangzi. E ficou confuso: era essa a magnífica borboleta que Zhuangzi havia sonhado, ou era essa borboleta que havia sonhado ser Zhuangzi?

Talvez Zhuangzi fosse a borboleta! Ou talvez a borboleta fosse Zhuangzi!

Esse é o resultado da transformação das coisas.

Zhuangzi (369-286 a.C.).

11 dezembro 2012

FÁBULA CHINESA

O amor pelos dragões (Shen Buhai)

"Zigao, o Senhor de Ye, gostava tanto de dragões que havia mandado esculpir e pintar vários deles na sua casa e nas roupas e só vestia roupas que tinham dragões bordados.

O dragão do céu.

O dragão do céu, sabendo disso, desceu à Terra, entrou com a cabeça pela porta da casa e enfiou a cauda na janela. Ao perceber o que estava acontecendo, o Senhor de Ye fugiu, morrendo de medo.

Isso mostra que o Senhor de Ye não gostava verdadeiramente de dragões. Ele gostava daquilo que parecia ser um dragão, mas não dos dragões de verdade."

Shen Buhai (385?-337? a.C.) era um jurista do reino de Zheng, no período dos Estados Combatentes, antes da era atual (475-221). Exerceu o cargo de primeiro-ministro do reino de Han durante quinze anos. A sua fábula "O amor pelos dragões", é considerada uma das obras-primas das fábulas chinesas.

23 novembro 2011

O CALDEIREIRO

Uma fábula interessante


Um caldeireiro foi contratado para consertar um enorme e complexo sistema de caldeiras de um navio a vapor que não estava funcionando bem. Após escutar a descrição feita pelo engenheiro quanto aos problemas e de haver feito umas poucas perguntas, dirigiu-se à sala de máquinas. Olhou, durante alguns instantes para o labirinto de tubos retorcidos. A seguir, pôs-se a escutar o ruído surdo das caldeiras e o silvo do vapor que escapava. Com as mãos apalpou alguns tubos. Depois, cantarolando suavemente só para si, procurou em seu avental alguma coisa e tirou de lá um pequeno martelo, com o qual bateu apenas uma vez em uma válvula. Imediatamente, o sistema inteiro começou a trabalhar com perfeição e o caldeireiro voltou para casa.

Quando o dono do navio recebeu uma conta de R$ 5.000,00 queixou-se de que o caldeireiro só havia ficado na sala de máquinas durante quinze minutos e solicitou uma conta pormenorizada.

Eis o que o caldeireiro lhe enviou:
  • Martelada: R$ 1,00
  • Onde martelar: R$ 4.999,00
  • Total: R$ 5.000,00
- xxx -

Postado por Furnari.

03 março 2011

CLIMA ORGANIZACIONAL - MOTIVAÇÃO E DESMOTIVAÇÃO


 "Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.

O gerente besouro estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.

Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O besouro ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.

Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!

O besouro concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.

A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente besouro, que era preciso fazer um estudo de clima.

Mas, o besouro, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!

E adivinha quem o besouro mandou demitir?

A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

Já viu esse filme antes?

Bom trabalho a todas as formigas!!!

31 dezembro 2010

FÁBULA DO RATINHO

“O QUE É RUIM PARA ALGUÉM É RUIM PARA TODOS...”


U
m rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.


Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!!!

A galinha disse: - Desculpe-me Sr. rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até ao porco e disse: - Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira! - Desculpe-me Sr. rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações...

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: - O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira...

Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro levou a esposa imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, (matou a galinha).

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la... Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.

Moral da História:

“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre o risco. O problema de um, é problema de todos!”