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BRAVE NEW WORLD / ADMIRÁVEL MUNDO NOVO / UN MUNDO FELIZ (Part 2 of 2)

THE MIKE WALLACE INTERVIEW - GUEST: ALDOUS HUXLEY - 05/18/1958. ENTREVISTA DE MIKE WALLACE -  CONVIDADO: ALDOUS HUXLEY - 18/05/1958....

03 abril 2012

SIGNIFICADO DOS NÚMEROS

INTERESSANTE SABER PORQUE OS NÚMEROS TEM A FORMA QUE UTILIZAMOS HOJE.

Números Iido-arábicos em sua forma primitiva que é muito parecida com a atual.

Os "números indo-arábicos" que todos usamos atualmente (1, 2, 3, 4, 5, …) são distintos dos “números romanos” (I, II, III, IV,…).

Porém o verdadeiro motivo dos números serem escritos dessa maneira é devido ao total de ÂNGULOS que eles possuem na sua forma primitiva (veja a figura acima).

Portanto:

  • O Número "1" tem UM Ângulo;

  • O Número "2" tem DOIS Ângulos;

  • O Número "3" tem TRÊS Ângulos.

    Assim sucessivamente.

    Porém o Número "0" tem ZERO Ângulos.

    Alguém pergunta: "Corta o sete?" "Sim, corta o sete".

    Paleografia dos algarismos indo-arábicos.

    Os algarismos indo-arábicos são os simbolos mais usados atualmente para representar os números.

    Na Idade Média o sistema de numeração indo-arábico era grafado nesta sequência:
    1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, o. O símbolo "0" era um círculo pequeno.

    Atualmente o sistema de numeração indo-arábico emprega os símbolos seguintes:
    0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9

    Os símbolos são derivados dessa versão ainda hoje utilizada nas culturas muçulmanas:
    ٩, ٨, ٧, ٦, ٥, ٤, ٣, ٢, ١, ٠

    Porém, lá se escreve da direita para a esquerda.


    * * * * *

    22 março 2012

    SOME HEAVY METAL SONG

    Music: THUNDER FORCE.
    Album CD: ROCK SOLDIERS 4.
    Released: 2000.
    Group: HATE FOR REVENGE.

    THUNDER FORCE - Original Sound Track.

     
    "Thunder Force" - "Hate for Revenge" - Album "Rock Soldiers 4" - 2000.

    Line up:

    • Vocals: Roberto Furnari (Furna);
    • Bass: Cláudio Henrique (Claudião);
    • Guitars: Samuel (Samuca);
    • Drums: Sidney Nonato (Sidão).

    Recorded at Black Jackets Studio (Santo André / São Paulo / Brasil) Brazil.

    *   *   *   *   *

      14 março 2012

      THE STRANGE CASE OF DR JEKYLL AND MR HYDE

      "O estranho caso de Dr. Jekyll e o Sr. Hyde" (1886). Um resumo dos 10 capítulos do livro de Robert Louis Stevenson.

      The Strange Case of Dr.Jekyll and Mr.Hyde. Longmans, Green, and Co. 1886.
      First Edition.

      Capítulo 1

      O advogado Utterson era um sujeito frio, concentrado, de poucas palavras, reservado, magro, alto, parcimonioso e melancólico, e tendo Richard Enfield, sendo o seu parente distante.

      Foram a uma ruazinha de um bairro comercial em Londres, onde próximo havia uma construção sombria de dois andares, cuja única porta, sem campainha nem batente, estava empenada e suja. Era a porta de um laboratório.

      Enfield e Utterson começaram a conversar sobre a porta. Aquele narrou que certa vez um homem (o qual Enfield não sabia descrevê-lo perfeitamente) esbarrou em uma menina (que tinha entre oito e dez anos) e passou em cima dela tranqüilamente. Pessoas da família formaram um grupo em torno da menina enquanto o homem continuava a andar. O homem era torturado sendo-lhe dito que se gozava de consideração perderia tudo, que seu nome seria amaldiçoado de um extremo a outro de Londres.

      Estipulou-se uma indenização (proposta pelo sujeito estranho) à família: cem libras. Para arranjar o dinheiro, o homem os arrastou àquela porta; tirou uma chave, entrou, voltou com dez libras em ouro e um cheque autêntico assinado com um nome muito conhecido, que figura muitas vezes nos jornais. O homem (odioso e parecido com Satanás, segundo Enfield) disse que ficaria com Enfield até os bancos abrirem e que ele próprio descontaria o cheque.

      O advogado Utterson quis saber o nome do indivíduo que atropelou a criança. Chamava-se Hyde. Utterson e Enfield combinaram de não mais referirem-se ao assunto.

      Capítulo 2

      Utterson regressou ao seu apartamento, foi ao escritório, apanhou do cofre um envelope que continha o testamento do Dr. Jekyll. No testamento, constava que em caso de falecimento de Henry Jekyll todos os seus bens passariam às mãos do seu “amigo e protegido Edward Hyde”, o que indignava o advogado. Este foi encontrar seu amigo Dr. Lanyon. Conversando, o Dr. Lanyon diz que há mais de dez anos Henry Jekyll tornou-se um mistério e começou a trilhar por caminhos errados. Dr. Lanyon, respondendo a Utterson, disse que nunca ouviu a respeito de Hyde.

      Em seu leito, o advogado imaginou a situação narrada por Enfield; enfim debateu-se com o problema. E queria ver o rosto de Hyde.

      Utterson começou a rondar a ruazinha cheia de lojas. Disse “Se ele é o Sr. Hyde eu serei o Sr. Seek”, fazendo um jogo de palavras com os verbos “to hide” (ocultar) e “to seek” (procurar) em inglês.

      Enfim, Hyde dirigia-se com a chave na mão à porta. Encontraram-se. Hyde disse a Utterson que não encontraria o Dr. Jekyll. Mas Utterson ainda não via o rosto de Hyde, que era pálido e baixo. Utterson pediu-lhe para poder ver seu rosto. Os dois olharam-se com firmeza durante alguns instantes.

      Utterson foi até a uma casa procurar pelo Dr. Jekyll. Foi atendido por um criado velho, Poole, mas o Dr. Jekyll não estava lá. Poole, em conversa com Utterson, comentou que Hyde tinha a chave da porta e que geralmente entrava e saía pelo laboratório.

      Utterson tinha o pressentimento de que Henry Jekyll estava em maus lençóis.

      Capítulo 3

      Quinze dias depois, Dr. Jekyll — homem grande, bem proporcionado, de rosto liso, beirando os cinqüenta anos — ofereceu um jantar a uns seis velhos amigos.

      Utterson perguntou aflito a Jekyll sobre seu testamento. Jekyll queria ter o assunto por encerrado, pedindo no final que caso morresse ajudasse Hyde.

      Capítulo 4

      Um crime incomum abalou Londres em 18 de outubro. Uma criada, por volta das onze horas, recolheu-se no quarto de sua casa (não longe do rio) para se deitar. Testemunhou dois indivíduos conversando (conversa que em princípio não parecia ser de grande importância), reconhecendo um certo Sr. Hyde em um deles, que repentinamente foi tomado por um ataque de cólera, batendo o pé no chão, brandindo a bengala, agindo como um louco e, enfim, assassinou o outro, pisoteando-o, descarregando-lhe uma chuva de pancadas. Sua bengala foi quebrada ao meio; um pedaço rolou para a sarjeta próxima, e o outro decerto foi levado.

      Junto à vítima, havia um envelope selado e fechado para o senhor Utterson, o qual a polícia lhe entregou na manhã seguinte. Utterson foi à delegacia de polícia, aonde o cadáver foi transportado, e reconheceu-o: era Sir. Danvers Carew.

      O advogado e o inspetor foram aonde mora o Sr. Hyde. A criada velha estava relutante em deixá-los entrarem, mas assim o fizeram, e encontraram a outra metade da bengala. O policial satisfez-se: confirmou-se que Hyde foi o assassino.

      Capítulo 5

      Utterson transpôs a porta da casa de Jekyll. Conduzido por Poole, foi ao gabinete de Jekyll, atravessando o anfiteatro de anatomia, outrora freqüentado por estudantes turbulentos, mas agora frio e silencioso.

      Jekyll parecia mortalmente enfermo. Estendeu a mão fria a Utterson e cumprimentou-o com uma voz transtornada. Falaram sobre o assassinato e Jekyll jurou nunca mais vê-lo, dando sua palavra de que o riscou do mundo, descartou-se dele.

      Utterson queria saber se foi Hyde quem ditou os termos do testamento a Jekyll no que se referia ao seu desaparecimento. Embaraçado e sem abrir a boca, acenou afirmativamente com a cabeça.

      Jekyll deixou com Utterson uma carta assinada por Edward Hyde, deixando a seu cargo o que fazer com ela. Utterson deduziu que a carta só poderia ter sido recebida pela porta do laboratório, ou escrita no gabinete.

      Utterson retornou à sua casa. Mostrou a Guest, empregado seu e perito em caligrafia, a carta. Guest analisou-a. Disse ser a letra muito singular. Ao compará-la com uma carta de Jekyll para um jantar trazida pela criada, Guest disse que em muitos pontos as caligrafias são idênticas; apenas inclinadas de forma diferente.

      Só naquela noite, Utterson foi ver a carta que já havia guardado no cofre. Disse que Henry Jekyll forjou-a para salvar um assassino.

      Capítulo 6

      Milhares de libras foram oferecidas em recompensa a quem descobrisse quem foi o assassino de Sir Danvers. Com a ausência malévola de Hyde, o Dr. Jekyll passou a ter uma vida nova, retomou relações com amigos, praticava o bem. Durante mais de dois meses, o médico viveu em paz.

      Depois, a casa de Jekyll ficou fechada para Utterson. Este resolveu procurar pessoalmente Lanyon mais tarde.

      Lanyon teve mudança em sua fisionomia, perdeu a cor saudável, emagreceu, e parecia mais calvo e velho.

      Utterson perguntou-lhe sobre Jekyll. Lanyon não queria ouvir sobre ele.

      Logo que Utterson chegou à sua casa, escreveu para Jekyll indagando a causa do infeliz rompimento com Lanyon. Recebeu uma resposta extensa dizendo que o desentendimento com Lanyon não tinha conserto. Este, tempo depois, este faleceu. Na noite depois do funeral, Utterson, em seu escritório, lia uma carta confidencial a si. Dizia-se que enterrou um amigo e queria saber se isto lhe custaria a perda de um outro. Dentro, havia outro envelope avisando que não deveria ser lido antes da morte ou desaparecimento do Dr. Henry Jekyll. Queria ler, mas a honra profissional e a memória do seu falecido amigo não o permitiram.

      Jekyll, ao que parecia, exilava-se mais do que nunca no gabinete ao fundo do laboratório, onde muitas vezes chegava a dormir.

      Capítulo 7

      Utterson e Enfield passeavam em um domingo pela famosa rua. A porta e as três janelas, elas eram a parte posterior da casa de Jekyll.

      No pátio fresco e úmido, chamavam por Jekyll, pois havia uma janela que estava entreaberta. Falaram um pouco a Jekyll sobre sair de casa, mas ele se recusava. Propôs-se que conversassem como estavam. Jekyll sorriu aceitando, mas logo o sorriso desapareceu, surgindo uma expressão de terror. Aconteceu rápido como um relâmpago, pois Jekyll fechou instantaneamente a janela, mas foi o suficiente para deixar Utterson e Enfield surpresos com o incidente.

      Capítulo 8

      Certa noite, Poole visitou o Dr. Utterson dizendo-lhe haver uma coisa sórdida. Foram ver o Dr. Jekyll. Este, em seu laboratório, disse a Poole, quando o invocou, que não receberia ninguém. Sua voz parecia muito mudada.

      Poole contou que era recebia a tarefa de ir a farmácias buscar medicamentos ao Dr. Jekyll. Conta também que certa vez foi à sala de anatomia, e quando Jekyll o viu chegar, deu uma espécie de grito e fugiu ao gabinete com pressa.

      Utterson entendeu que o médico estava com uma doença que deforma o doente, e por isso sua voz se alterava, evitava ver amigos, procurava com ansiedade um remédio.

      Para Poole, aquele não era Dr. Jekyll: calculava que fosse o Sr. Hyde.

      Utterson ameaçava o Dr. Jekyll de usar a força para entrar, se ele não abrisse a porta. “Por amor de Deus, tenha piedade!” soava a voz de Hyde. Então, arrombaram a porta. No meio do gabinete, reconheceram o corpo contorcido de Edward Hyde jazendo no chão. Procuravam por Jekyll, mas não o encontravam. Não tinha por onde escapar.

      Na mesa de trabalho, o advogado abriu um envelope e vários documentos caíram no chão. Ainda que com medo, leu uma carta de Henry Jekyll para si. Ele pedia a Utterson ler a narrativa de Lanyon.

      Saíram do laboratório, e Utterson foi ler as duas narrativas em que este mistério seria finalmente explicado.

      Capítulo 9

      Na narrativa de Lanyon, diz-se que Jekyll escreveu uma carta a Lanyon pedindo-lhe um favor: apanhar uma gaveta com substâncias químicas, em resumo. Lanyon não podia compreender o porquê desse favor, mas o fez em consideração a Jekyll.

      Lanyon foi à casa de Jekyll e de lá levou o conteúdo à sua própria casa, onde receberia um enviado de Jekyll. Este indivíduo, vestido ridiculamente, depois de entrar na casa de Lanyon (que o aguardava com uma arma, no caso de precisar defender-se em legítima defesa) e conversar consigo, tomou de uma só vez a fórmula: começou a transformar-se e Lanyon não entendia o que acontecia. Henry Jekyll aparece como um ressuscitado diante de Lanyon.

      Lanyon, na narrativa, diz a Utterson que, segundo confissão do próprio Henry Jekyll, a pessoa que havia entrado na casa era conhecida pelo nome de Mr. Hyde e perseguida pelo assassínio de Carew.

      Capítulo 10

      Henry Jekyll, enfim, confessa, em uma carta, ter utilizado uma fórmula que ocasionou o aparecimento de um eu — Edward Hyde (conceituado por Jekyll como “pura essência maléfica”) — em si. Hyde era repugnante, um sujeito mau, entregue ao pecado. Conta sobre a força que Hyde usava para se manifestar, ter sua liberdade. Finalmente, disse que punha ponto final à infeliz vida do médico infortunado chamado Henry Jekyll.

      ANÁLISE

      Esta tendência humana pecaminosa estaria oculta por Jekyll (I kill – eu mato, em inglês) e se manifestaria em Hyde (hidden – oculto, em inglês). Quando Hyde surge, atos como o de assassinar surgem também.

      O protagonista deve lidar com seus dois "eus": um inclinado ao bem (Jekyll), e outro ao mal (Hyde).

      Hyde sofre por ser reprimido por normas religiosas, morais, aceitas por Jekyll; já Jekyll sofre pelo remorso de ter praticado o mal, ação de Hyde. Logo, existe uma dualidade na pessoa: uma propensa ao bem e outra ao mal. O ideal seria que cada uma das partes da alma fosse independente uma da outra.

      Convém observar também que parece não existir uma oposição perfeita entre Jekyll e Hyde. Este foi definido como pura essência maligna, enquanto não se sugere que Jekyll seja "pura essência benigna”. A obra não menciona elementos da infância e juventude do Dr. Jekyll, que poderiam ser relevantes na personalidade do Sr. Hyde.



      *  *  *

      COLISEU DE ROMA / COLOSSEUM / ANFITEATRO FLAVIANO

      O Coliseu, conhecido também como Anfiteatro Flaviano, nome original em latim Colosseum (ou Coliseus, no latim tardio), devido à estátua colossal de Nero, que estava situada perto da edificação.

      O Coliseu situa-se no centro de Roma, é considerado uma exceção dentre os anfiteatros por seu volume e relevo arquitetônico. Tinha capacidade original para cerca de 50.000 pessoas. Tem 48 metros de altura, e era utilizado para vários tipos de espetáculos e apresentações. Foi construído a leste do Fórum Romano e demorou entre oito e dez anos para ser finalizado.

      "Coliseu de Roma". Foto que tirei a partir da "Via dei Fori Imperiali" em 06 de Janeiro de 2011. No lado direito aparece parte do "Arco de Constantino".

      Vídeo que fiz da área interna do "Coliseu de Roma" em 360 graus, em Novembro de 2010 - Time 00 m 44 s.

      O Coliseu foi utilizado durante aproximadamente 500 anos, tendo sido o último registro efetuado no século VI da nossa era, bastante depois da queda de Roma em 476. O edifício deixou de ser usado para entretenimento no começo da Idade Média, mas foi mais tarde usado como habitação, oficina, forte, pedreira, sede de ordens religiosas e templo cristão.

      Embora esteja hoje em ruínas devido a terremotos e pilhagens, o Coliseu sempre foi visto como símbolo do Império Romano, sendo um dos melhores exemplos da sua arquitetura. Atualmente é uma das maiores atrações turísticas em Roma e em 7 de julho de 2007 foi eleito uma das "Sete maravilhas do mundo moderno". Além disso, o Coliseu ainda tem ligações à igreja, com o Papa liderando a procissão da Via Sacra até ao Coliseu todas as Sextas-feiras Santas.

      História da construção

      Mapa do centro de Roma durante o Império Romano, com o Coliseu a nordeste, fora do núcleo urbano, no canto superior direito.

      O Coliseu de Roma foi construído entre 70 e 90 d.C. Iniciado por Vespasiano de 68 a 79 d.C., mais tarde foi inaugurado por Tito por volta de 79 a 81 d.C., embora apenas tivesse sido finalizado poucos anos depois. Empresa colossal, este edifício, inicialmente, poderia sustentar no seu interior cerca de 50 000 espectadores, em três andares. Durante o reinado de Alexandre Severo e Gordiano III, foi ampliado com um quarto andar, podendo abrigar então uma quantidade maior de espectadores. Finalmente foi concluído por Domiciano, filho de Vespasiano e irmão mais novo de Tito, por volta de 81 a 96 d.C..

      A construção começou sob ordem de Vespasiano numa área que se encontrava no fundo de um vale entre as colinas de Celio, Esquilino e Palatino. O lugar fora devastado pelo Grande incêndio de Roma do ano 64, durante a época de governo do imperador Nero, e mais tarde havia sido reurbanizado para o prazer pessoal do imperador com a construção de um enorme lago artificial, da Domus Aurea (em latim, "casa dourada"), situada num complexo de uma villa, e de uma colossal estátua de si mesmo.

      Vespasiano, fundador da dinastia Flaviana, decidiu aumentar a moral e auto-estima dos cidadãos romanos e também cativá-los com uma política de pão e circo, demolindo o palácio de Nero e construindo uma arena permanente para espectáculos de gladiadores, execuções e outros entretenimentos de massas. Vespasiano começou a sua própria remodelação do lugar entre os anos 70 e 72, possivelmente financiada com os tesouros conseguidos depois da vitória romana na Grande Revolta Judaica, no ano 70. Drenou-se o lago e o lugar foi designado para o Coliseu. Reclamando a terra da qual Nero se apropriou para o seu anfiteatro, Vespasiano conseguiu dois objetivos: Por um lado realizava um gesto muito popular e por outro colocava um símbolo do seu poder no coração da cidade. Mais tarde foram construídos uma escola de gladiadores e outros edifícios de apoio dentro das antigas terras da Domus Aurea, a maior parte da qual havia sido derrubada.

      Vespasiano morreu mesmo antes de o Amphitheatrum Flavium ser concluído. O edifício tinha alcançado o terceiro piso e Tito foi capaz de terminar a construção tanto do Coliseu como dos banhos públicos adjacentes (que são conhecidos como as Termas de Tito) apenas um ano depois da morte de Vespasiano.

      A grandeza deste monumento testemunha verdadeiramente o poder e esplendor de Roma na época dos Flávios.

      Utilizações do Coliseu

      Jogos inaugurais do Coliseu

      Mapa da Roma medieval representando o Coliseu.

      Os jogos inaugurais do Coliseu tiveram lugar ano 80 d.C., sob o mandato de Tito, para celebrar a finalização da construção. Depois do curto reinado de Tito começar com vários meses de desastres, incluindo a erupção do Vesúvio, um incêndio em Roma e um surto de "peste", o mesmo imperador inaugurou o edifício com jogos pródigos que duraram mais de cem dias, talvez para tentar apaziguar o público romano e os deuses. Nesses jogos de cem dias teriam ocorrido combates de gladiadores, "venationes", lutas de animais, execuções, batalhas navais, caçadas e outros divertimentos numa escala sem precedentes.

      03 março 2012

      TODAS AS EXPLOSÕES ATÔMICAS (Parte 2) / ALL NUCLEAR EXPLOSIONS (Part 2)

      Este vídeo foi criado pelo artista japonês Isao Hashimoto, e exibe todas as explosões nucleares executadas desde 1945 até 1998.

      Se você acessar a postagem anterior [Todas as Explosões Atômicas (Parte 1) / All Nuclear Explosions (Part 1)], poderá perceber que o número total de bombas atômicas detonadas é um pouco diferente. Isso foi devido às variações nas fontes, mas ambos os números totalizam acima de 2000 detonações realizadas no mundo. Um número alarmante.

      No vídeo, durante a maior parte do tempo, cada segundo representa 1 mês. 2053 foi a quantidade final de artefatos nucleares (bombas) explodidos até 1998.


      O vídeo deve ser assistido com total atenção. Ele inicia mais detalhadamente com o primeiro experimento "Trinity", e os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki em 1945.

      Após as 3 explosões iniciais o vídeo parte para uma contagem onde cada segundo que passa representa 1 mês, e ao longo da passagem do tempo as milhares de bombas atômicas vão explodindo até a última detonação feita pelo Paquistão em 1998 (não constam as detonações feitas pela Coréia do Norte neste início de século XXI).

      A Bomba Rei (Tsar Bomba / Царь-бомба) de 1961 detonada pela União Soviética URSS, foi o mais poderoso dos testes nucleares realizados. Porém foi apenas uma das mais de 2000 bombas atômicas já detonadas no planeta Terra.

      São poucos os países que detém tecnologia de fabricação de bombas nucleares, mas fizeram todas essas explosões pelo mundo afora num ritmo que parece alucinador de acordo com a escala cronológica do vídeo. Nota-se a grande escalada da quantidade de detonações que aconteceu nas décadas de 1960 e 1970.

      Mais de 1000 detonações foram executadas somente pelos Estados Unidos, o que representa mais de 50% do total realizado.

      No ano de 1962 foi atingido o pico de quase 140 bombas detonadas. Somente após a dissolução da União Soviética e o consequente fim da "Guerra Fria", as explosões finalmente declinaram.

      29 fevereiro 2012

      TODAS AS EXPLOSÕES ATÔMICAS (Parte 1) / ALL NUCLEAR EXPLOSIONS (Part 1)

      Mapa com todas as explosões nucleares, entre testes e ataques realizados no mundo.

      Mapa de todos os testes e ataques nucleares realizados entre 1945 e 2006 no mundo. Clique na imagem para ampliar e estudar o mapa.
      O mapa mostra todos os testes e ataques nucleares desde "TRINITY" (TRINDADE) a primeira bomba atômica do mundo concebida pelo "MANHATTAN PROJECT" (PROJETO MANHATTAN) dos Estados Unidos em 1945 e explodida em seu próprio território no Novo México, até os testes nucleares da Coréia do Norte em 2006. Foram milhares de explosões nucleares executadas.
      No mapa há uma tabela que informa os totais de explosões por país, e quais foram os tipos de explosões executadas: "Underground" (abaixo do solo), "Underwater" (sob a água), ou "Atmospheric" (ao ar livre).

      (1)  (2)
      (1) Gráfico com os totais de bombas detonadas por países.
      (2) O mesmo gráfico com os totais de bombas detonadas por países, mas com o eixo vertical em escala logarítmica (na base 10) para facilitar a visualização.

      Os 2 únicos ataques nucleares da história com as bombas de fissão nuclear "LITTLE BOY" (PEQUENO RAPAZ) e "FAT MAN" (HOMEM GORDO) foram feitos contra o Japão respectivamente nas cidades de Hiroshima e Nagazaki em 1945 durante a Segunda Guerra Mundial (esse foi o resultado prático do "MANHATTAN PROJECT"). Os ataques são exibidos com dois círculos azuis, exatamente de acordo com a escala de quilotons no mapa, e como "atmospheric attacks" (ataques atmosféricos).
      De todas, a maior explosão nuclear da qual temos notícia, foi o teste feito com a "Царь-бомба" (TSAR BOMBA - BOMBA REI), uma Bomba-H (bomba de fusão de hidrogênio) detonada pela União Soviética em 1961 e estimada em 57 megatons de TNT (57.000.000 de toneladas de TNT, ou 57 milhões de toneladas de dinamite). A bomba explodiu na Baía de Mityushikha ao norte do Círculo Polar Ártico, na ilha de Nova Zembla, também território soviético. A explosão foi vista na Finlândia!

      28 fevereiro 2012

      AYRTON SENNA POR ALAIN PROST

      Amores e ódios à parte, todo admirador de Ayrton Senna com verdadeiro conhecimento do automobilismo deve concordar que Alain Prost foi um dos maiores pilotos de todos os tempos. O único que, com carros idênticos, era capaz de ser tão rápido quanto o brasileiro, mesmo tendo um perfil de pilotagem completamente diferente.


      Ayrton Senna e Alain Prost em 1986.

      Em 1998, quatro anos após a morte de Ayrton, Prost pela primeira vez falou sobre a pessoa que se tornou seu maior inimigo. É o tipo de entrevista fundamental para um exercício um tanto difícil no Brasil: entender melhor o outro lado, sem procurar heróis ou vilões.
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      “Sinceramente, para mim é muito difícil falar sobre Ayrton, e não apenas porque ele não está mais entre nós. Ele era tão diferente, sabe, tão completamente diferente de qualquer outro piloto – qualquer outra pessoa – que eu já conheci…
      Conversando agora, mais de quatro anos após a morte de Ayrton Senna, Alain Prost está em uma posição desagradável. Por muito tempo os dois estiveram ligados. Indiscutivelmente os melhores pilotos de sua geração, um era basicamente o único inimigo do outro. Sendo assim, ao debater sobre Senna, Prost não pode vencer, e sabe disso. Se disser apenas palavras gentis, alguns dirão que seu tom era completamente diferente quando Ayrton vivia; se for pelo caminho inverso, todos o crucificarão por se atrever a criticar um ícone que não pode se defender.
      “É por isso que sempre me recusei a falar sobre ele” disse Prost. “Quando ele morreu, disse que senti que uma parte de mim havia morrido também, porque nossas carreiras estavam tão interligadas. E realmente quis dizer aquilo, mas sei que algumas pessoas não acharam que fui sincero. Bem, tudo o que posso fazer é tentar ser o mais franco possível”.
      Desde o começo da carreira de Ayrton Senna na Fórmula 1, em 1984, sua mira estava fixa em Prost. De certa forma era inevitável, já que Ayrton era um homem de uma intensidade extraordinária, alguém que precisava provar ser o melhor em todas as coisas, e naquela época Alain era a referência. Seu primeiro encontro definiu o tom de sua relação no decorrer dos anos.
      “Eu me lembro bem. Na primavera de 1984, a nova Nürburgring foi inaugurada, e houve uma corrida de celebridades para pilotos da época e do passado, em carros de rua da Mercedes. Eu fui de Genebra a Frankfurt em um voo comercial, e Ayrton chegaria meia hora depois, então Gerd Kremer da Mercedes me pediu para que o trouxesse à pista. No caminho conversamos, e ele foi bem agradável. Chegamos então à pista, e treinamos nos carros. Fui pole, com Ayrton em segundo – depois disso ele não mais falou comigo! Parecia engraçado na época. Então na corrida, assumi a liderança – e ele me empurrou para fora da pista depois de meia volta. Então acho que foi um bom começo”.
      Aquele ano, 1984, foi o primeiro de Senna na F1, e seu Toleman-Hart não estava à altura do pelotão da frente. Em Mônaco, no entanto, choveu, e quando a corrida foi encerrada, pouco antes de completar metade das voltas previstas, o novato estava prestes a tomar a liderança da McLaren de Prost.
      “Desde o começo ele parecia bom, apesar de que nunca se pode ter certeza quando se está em uma equipe pequena. Ele fez uma grande prova em Mônaco, mas na época – quando os chassis eram bem menos rígidos do que agora – era possível ver um carro que se saia mal no seco correr bem no molhado. Claro que todos nós ficamos impressionados, mas com a ressalva de que às vezes um jovem piloto parece bom, mas então se junta a uma grande equipe, e parece medíocre. Sempre há essa dúvida até que o piloto consegue um carro veloz. Com Ayrton, no entanto, ficou bem claro que ele tinha um talento especial.”
      Outra coisa que todos deveriam lembrar é que, há quase 30 anos atrás (considerando fevereiro de 2012), havia muito mais pilotos muito bons na F1 do que hoje. Claro que Ayrton foi bem desde o começo, mas ele não mostrou nada que fosse realmente excepcional antes de Mônaco. Mônaco foi o começo: depois daquilo todos o descobriram, e começaram a falar dele. Sem isso, talvez demorasse um pouco mais, mas a coisa que impressiona, como eu digo, foi que ele parecia tão bom em uma época com tantos bons pilotos…
      Senna desde o começo não mostrou muito apreço por reputações, e isso aborreceu muitas das estrelas da época. Depois de uma única temporada na Toleman, ele foi para a Lotus-Renault em 1985, venceu de forma brilhante o Grande Prêmio de Portugal (sob chuva), e esteve consistentemente nos pelotões de ponta. Mas em Hockenheim, por exemplo, ele cometeu um erro na Ostkurve, e quando Michele Alboreto foi ultrapassá-lo, Ayrton ziguezagueou à sua frente para não ser ultrapassado. Na época esse tipo de manobra não era bem vista pela comunidade da F1.
      Hmmm, sim, Senna era firme assim, desde o começo. Na verdade, uma coisa na qual acredito agora é que não era tanto uma questão de ser durão tanto quanto ter suas próprias regras. Ele as tinha, acreditava nelas, e era isso.”
      “Ele era extremamente religioso, e costumava falar sobre isso, sobre falar a verdade, sobre sua educação, sua criação e tudo mais. Na época, eu costumava acreditar que algumas das coisas que ele fazia na pista não condiziam com tudo aquilo, mas agora me parece que ele realmente não sabia que estava errado. Como disse, ele tinha essas regras, as seguia e não se interessava no resto. Olhando agora, eu realmente acho que ele acreditava estar sempre certo, sempre dizendo a verdade – e na pista era a mesma coisa.”
      Não foi, no entanto, até Senna se tornar colega de Prost, em 1988, que começaram os problemas entre eles. Um ano antes, a Lotus usou motores Honda, e Ayrton estabeleceu uma forte relação com os engenheiros japoneses. Além de sua chegada à McLaren, os japoneses chegaram também. E uma fonte na equipe definiu assim a situação: “Costumavam enxergar Prost como um piloto da McLaren com motor Honda, e Senna como um piloto Honda com chassi McLaren.”
      “Sim, me parece uma boa definição. Meu maior problema foi que eu realmente amava a McLaren, e queria fazer de tudo pela equipe. Para meu colega em 88, as opções eram Senna e Piquet. Quando fui ao Japão com Ron (Dennis), para encontrar o pessoal da Honda, eu disse que Ron deveria optar por Ayrton, porque ele era um piloto mais talentoso, e para mim a equipe vinha em primeiro lugar. Se eu pudesse voltar agora para o início de minha carreira, eu teria a feito de forma diferente – me concentraria em mim e em meu trabalho”.
      “Por sinal, eu poderia ter dito não à chegada de Ayrton na McLaren. Um ponto forte que tenho é que normalmente quando decido algo, não me arrependo, mas, no meu ponto de vista atual, naquele momento certamente cometi um erro”.
      No primeiro teste de pré-temporada que fizeram juntos, no Rio, Prost viu que Senna não estava ali para brincadeira. “Estávamos testando os pneus, usando apenas um carro. Fui à pista primeiro, para depois ele assumir o volante. Fui aos pits, e os mecânicos começaram a trocar as rodas. Pude ver Ayrton ali, com o capacete, apressado, esperando que eu saísse, então decidi ficar no carro um pouco mais. E ele ficou furioso, dizendo a todos, ‘não é justo, não é justo!’ Então sai, e comecei a rir. Ele não…

      “Na verdade, nossa relação de trabalho na primeira temporada foi boa. O único problema foi em Estoril, no final da primeira volta.”
      Foi um momento que nunca será esquecido por aqueles que o presenciaram. Na reta dos boxes Prost pegou o vácuo de Senna, então abriu para a ultrapassá-lo, quando Ayrton jogou o carro em sua direção, o deixando talvez a cerca de 15 centímetros do muro dos pits. Alain não tirou o pé, e tomou a liderança que perduraria até a bandeirada, mas logo depois dela deixou claro o que pensava.
      “A manobra em Estoril foi muito perigosa, e sim, depois eu fiquei furioso. Eu estava praticamente no muro, e realmente achei que iríamos nos tocar, e ter um grande acidente – com todo o pelotão logo atrás de nós. Não gostei nem um pouco, e disse isso a ele, mas, de certa forma, não o posso culpar pelo que fez, porque ele nunca teve problemas com isso. Quantas vezes em sua carreira na Fórmula 1 Ayrton foi punido por aquele tipo de coisa? Nunca.”
      “Mas, fora isso, o primeiro ano não foi ruim. Em algumas ocasiões ele foi rigoroso comigo, mas não tivemos outros problemas. E, por sinal, ele me pediu desculpas pelo que aconteceu em Portugal.”
      A dupla teve uma temporada sensacional em 1988. Prost marcou mais pontos (105, com sete vitórias e sete segundos lugares) que Senna (94, com oito vitórias e três segundos), mas Ayrton faturou o mundial de pilotos, 90 pontos contra 87, graças à regra na época, que considerava apenas os 11 melhores resultados.
      “No final de 88 eu estava bastante satisfeito pela equipe – fomos primeiro e segundo no campeonato, e não estava tão chateado por ele ter faturado o título; eu já o havia conquistado duas vezes naquela época, não foi um problema.”
      “Em 89, no entanto, estava preocupado com a Honda. E acho que meu maior problema foi que eu nunca tive com eles a relação que Ayrton teve. Desde o começo, era algo sobre o qual eu nunca senti que tinha o controle. Eu nunca me preocuparia tanto se eles simplesmente preferissem um dos pilotos da equipe – mas a maneira como lidaram com a situação foi muito difícil para mim, porque Senna e eu tínhamos estilos de pilotagem bem diferentes.”
      “Eu nunca entendi porque a Honda tomou tanto seu partido. Não era uma questão do mercado de automóveis no Brasil ou o francês, ou coisa assim. Era algo mais humano. Trabalhei com a Honda novamente no ano passado [1997] – desta vez como dono de equipe – e notei isso novamente: acho que os japoneses simplesmente trabalham diferente. Em uma equipe, eles sempre favorecem alguém em relação aos outros. Já ouvi isso sobre suas equipes de motociclismo também.”
      “Deixe me dar um exemplo. Em certo ponto durante 88, o último ano em que usamos turbos, pedi algumas mudanças específicas no motor para combinar com meu estilo de pilotagem e trabalhamos nisso durante dois dias em Paul Ricard. Ao final do teste fiquei bastante satisfeito – mas na corrida seguinte, uma semana depois, não deixaram que eu usasse a estratégia em meu motor.”
      “Fomos então para o Grande Prêmio Francês – em Ricard – e de repente o motor estava como eu queria! Entende o que eu digo? Ayrton e eu competimos juntos por duas temporadas com os McLaren-Hondas, e em ambos os Grandes Prêmios da França eu fui pole e venci a prova. Todos diziam, ‘Veja, é Prost vencendo em casa’, esse tipo de coisa. Não foi nada disso; foi que nessas corridas eu tive algo que me permitiu brigar…”
      “Entenda bem, não é nada contra Ayrton, ok? Ayrton era muito rápido, e durante os treinos de classificação ele era muito melhor do que eu – muito mais comprometido, assim como eu acho que era na minha época de piloto mais jovem da equipe, contra Niki (Lauda).”
      “Enfim, antes da temporada 89 eu jantava no golf club em Genebra com o então presidente da Honda, Sr. Kawamoto e outras quatro pessoas. E ele admitiu que eu estava certo em acreditar que a Honda estava mais por Ayrton do que por mim.”
      “Ele disse, ‘Você quer saber por que apoiamos tanto Senna? Bem, não posso estar 100 por cento certo.’ Mas uma coisa que ele me disse foi que a nova geração de engenheiros trabalhando nos motores estava a favor de Ayrton, porque ele era mais um samurai, e eu era mais um computador.”
      “Então, aquilo era uma explicação, e eu fiquei satisfeito, porque então eu pelo menos sabia que algo não estava correto. Parte do meu problema foi que Ayrton era tão rápido, e não era fácil saber o quanto isso vinha dele, e quanto era a ajuda da Honda. Então depois desse jantar com o Sr. Kawamoto, eu pensei, ‘Bem, pelo menos não sou estúpido – algo realmente acontecia, e agora entendia a situação.’”
      Mesmo assim, a situação não iria melhorar. Muito pelo contrário, por sinal. Em 1989, a frágil relação entre Prost e Senna se esfacelou, e a que existia entre Alain e a McLaren não estava muito melhor.
      “Até então, eu nunca tivera problema algum com qualquer um na McLaren, mas 89 foi diferente. Meu contrato estava para terminar ao final do ano, mas o de Ayrton não. Ron sabia que o futuro de sua equipe estava com a Honda – logo, com Senna. Ele tentou me convencer a ficar, mas na realidade não podia manter nós dois, e eu lhe disse em julho que sairia ao final da temporada. Em minha opinião, ele não foi justo comigo em 89. Ainda somos bons amigos, e, apesar de tudo, ainda penso na McLaren como a minha equipe. Mas Ron sabe minha opinião sobre aquela época.”
      “Naquele período, estava completamente desiludido, Depois de tudo o que eu havia feito com a equipe, e pela equipe, eu não achava que poderia ser tratado daquela forma. Mas no final das contas, você sabe, Ron tentava levar sua equipe adiante, e claro que posso entender isso.”
      Em Ímola, a maior rivalidade no automobilismo foi semeada. Senna e Prost, como sempre, classificaram na primeira fila, um segundo e meio à frente do resto, e Ayrton sugeriu que não colocassem em risco a prova em uma briga na primeira curva, Tosa, da primeira volta: quem quer que chegasse primeiro nela manteria a liderança. Alain concordou. Na largada, Senna assumiu a liderança, e na Tosa, Prost se manteve atrás.
      No entanto, a corrida foi interrompida quando Gerhard Berger sofreu um grave acidente. Na relargada, foi Prost que tomou a ponta – mas na Tosa, Senna a recuperou.
      “Mais tarde, ele argumentou que não era a largada – era a relargada, então o acordo não se aplicava. Como eu disse, ele tinha suas próprias regras, e algumas vezes elas eram muito… bem, vamos dizer estranhas. Foi ideia de Ayrton, para início de conversa, e eu não tinha problemas com ela. Depois, no entanto, eu disse que era o fim; continuaria a trabalhar com ele, em assuntos técnicos, mas no que se referia à nossa relação pessoa, era o fim. E a atmosfera na equipe ficou muito ruim, claro.”
      Quando chegamos a Monza, eu estava à frente dele no campeonato, por cerca de 10 pontos. Mas aquela corrida. Foi o verdadeiro fundo do poço entre a McLaren e eu. Senna tinha dois carros, com 20 pessoas ao seu redor, e eu tinha apenas um carro, com talvez quatro ou cinco mecânicos trabalhando por mim. Eu estava absolutamente só, em um canto da garagem, e esse foi talvez o mais duro final de semana da minha carreira automotiva. A Honda estava pegando pesado comigo na época, e era difícil tentar lutar pelo campeonato naquela situação. Na prática, Ayrton era quase dois segundos mais rápido do que eu – ok, eu disse, ele certamente se classificava melhor do que eu, mas dois segundos? Aquilo era uma piada.”
      Na corrida, no entanto, Senna abandonou, e Prost venceu; quando se dirigiram para Suzuka e Adelaide, as duas últimas provas da temporada de 1989, Alain liderava por 16 pontos. Naquele momento, a McLaren-Honda essencialmente trabalhava como duas equipes diferentes, que por acaso operavam do mesmo boxe. Novamente, os dois carros alvirrubros estavam na primeira fila, com seus pilotos em um estado provocador, Senna sabia que tinha que vencer, enquanto Prost deixava claro que não facilitaria as coisas.
      “Eu disse a equipe e a imprensa, ‘Não há chance alguma de que eu abra passagem para ele’.”
      Conversávamos com freqüência, saiba você, sobre a primeira curva, a primeira volta, e Ron sempre dizia que o importante era que não batêssemos um no outro, devíamos pensar na equipe. Bem, no que me dizia respeito, Senna pensava sobre si, e era isso. Por exemplo, na largada do Grande Prêmio da Grã-Bretanha daquele ano, chegando à Copse, se eu não tivesse me movido três ou quatro metros fora do traçado, teríamos nos atingido, e ambas as McLarens teriam abandonado na hora. Esse tipo de coisa aconteceu demais; já era o bastante para mim.”
      “Quanto ao acidente entre nós na chicane, sim, eu sei que todos pensam que eu fiz de propósito. O que eu digo é que não abri passagem, e só. Eu não queria terminar a prova daquele jeito – eu liderei desde a largada, e queria vencer.”
      “Eu tinha um bom carro; fui muito mal durante a classificação, comparado com Ayrton, e eu me concentrei totalmente na corrida. Durante o aquecimento fui quase um segundo mais rápido do que ele, e na corrida em si estava bem confiante, mesmo quando começou a me alcançar.”
      “Não o queria muito perto, claro, mas queria que estivesse perto o bastante para que seus pneus se desgastassem mais rápido; meu plano então era que eu pisasse fundo nas últimas dez voltas. Então ele tentou me ultrapassar – e para mim a maneira como ele fez parecia impossível, porque ele estava muito mais rápido que o normal em uma zona de frenagem.”
      “Não podia acreditar que ele tentou naquela volta porque, quando chegamos na chicane, ele estava longe. Quando você olha nos retrovisores, e o cara está 20 metros atrás de você, é impossível julgar, e eu nem imaginei que ele tentava me ultrapassar. Mas ao mesmo tempo eu pensei, ‘Não há chance alguma de eu deixar um espaço, nem de um metro. Sem chance.’ Eu tirei o pé do acelerador, freei – e virei.”
      Um ano depois os dois estavam de volta a Suzuka, novamente para decidir o Mundial, e desta vez era Alain que tinha que vencer. Apesar de não estarem mais na mesma equipe, ele e Ayrton não tinham diluído a intensidade de sua briga. Era melhor que Prost, disse Senna, não tentasse fazer a primeira curva à sua frente: ‘Se ele tentar, não vai terminar…’ Na corrida, a 240 km/h, a McLaren foi na traseira da Ferrari.
      “Bem, o que se pode dizer daquilo? Depois que eu abandonei conversamos sobre isso, e ele me admitiu – assim como fez para a imprensa – de que fez aquilo de propósito. Ele me explicou porque fez. Ele estava furioso com (o presidente da FIA) Balestre por não concordar em mudar o grid, para que ele pudesse começar na esquerda e não do lado sujo, e ele me disse que decidiu que se eu chegasse à primeira curva na sua frente, me tiraria.”
      “O que aconteceu no Japão em 90 é algo que nunca esquecerei, porque não envolvia apenas Ayrton. Algumas pessoas na McLaren, vários dirigentes – e muitos na imprensa – concordaram com o que ele tinha feito, e isso eu não podia aceitar. Sinceramente, quase me aposentei depois daquela corrida.”
      “Como eu sempre disse, sabe, ele não queria me derrotar, metaforicamente ele queria me destruir – essa era sua motivação desde o primeiro dia. Mesmo naquela corrida com carros de turismo da Mercedes, lá em 84, eu percebi que ele não estava interessado em derrotar Alan Jones, Keke Rosberg, ou qualquer outro – era eu, apenas eu, por algum motivo.”
      No final da carreira de Prost como piloto, a situação nunca mudou. Mas no pódio em Adelaide em 1993, a última corrida de Alain, os dois se abraçaram, e foi como se, agora que Alain já não era um rival, Ayrton não via motivos para hostilidade. Prost ficou surpreso com o gesto.
      “Sim, eu fiquei – e também um pouco desapontado, para ser sincero. Isso irá mostrar algo sobre Ayrton. No Japão, na prova anterior, ele venceu, e eu fui segundo. Enquanto caminhávamos do pódio para a coletiva de imprensa, eu lhe disse, ‘Esta pode ser a última corrida em que estamos juntos em uma coletiva de imprensa, e eu acho que devemos mostrar algo agradável às pessoas – talvez um aperto de mãos, ou algo.’ Ele não me respondeu, mas não disse não também, então eu achei que talvez ele tivesse concordado. Fomos à coletiva – e ele nem sequer olhou para mim.”
      “De fato, eu até pensei que talvez na Austrália nós pudéssemos trocar de capacetes, os últimos capacetes que usamos em uma prova um contra o outro – mas depois do Japão, eu esqueci disso, porque ele não parecia interessado em nenhum tipo de reconciliação.”
      “Fomos então para Adelaide, e terminamos em primeiro e segundo novamente. No caminho para o pódio, ele já começava a conversar um pouco, e ele me disse, ‘O que você vai fazer agora?’ Fiquei muito surpreso! ‘Ainda não sei’, eu disse. ‘Você vai ficar gordo’, disse ele, e sorriu. Então no pódio ele pôs seu braço em minha volta, apertou minha mão, e tudo. Por quê? Porque agora foi sua idéia, e sob suas condições. Ok, de qualquer forma aquilo foi bom. Mas aquele era Ayrton – se fosse sua idéia, certo; caso contrário, esqueça.”
      Mais tarde, Senna admitiria para um amigo próximo que somente após a aposentadoria de Prost ele percebeu o quanto de sua motivação vinha de brigar com seu rival. Apenas alguns dias antes da sua morte, em uma filmagem em Ímola para a Elf, ele surpreendeu a todos com uma saudação espontânea: ‘Gostaria de dar as boas vindas ao meu amigo Alain – todos sentimos sua falta…’. Prost ficou comovido com aquilo.
      De fato, depois que me aposentei conversamos com certa freqüência ao telefone. Ele me chamou diversas vezes, geralmente para conversar sobre segurança; ele queria me manter envolvido com aquilo, e tínhamos concordado em conversar sobre o assunto em Ímola. Naquele final de semana ele falou, falou, falou, sobre segurança, e parecia mais suave do que antes – para mim, ele mudou completamente em 94. Me parecia muito para baixo de certa forma, sem a mesma força de antes.”
      “Tivemos esta conversa na sexta, e o encontrei novamente na manhã do domingo – depois do acidente fatal de Roland Ratzenberger, claro. Eu estava com diversas pessoas no motorhome da Renault. Você sabe como era Ayrton geralmente – ele iria da garagem, direto para seu motorhome, mas naquela manhã eu fiquei muito surpreso, porque ele veio no meio de todas aquelas pessoas, o que ele normalmente não fazia, para chegar até mim. Conversamos, e ele realmente tentou ser simpático e amigável.”
      “Eu o vi rapidamente então na garagem. Não queria incomodá-lo, mas sabia que ele queria de ajuda, que ele precisava conversar com alguém. Aquilo era óbvio. Nós iríamos conversar novamente na semana seguinte…”
      O funeral de Senna aconteceu em São Paulo, quatro dias depois, e Prost foi um dos muitos pilotos que compareceram. Não foi uma decisão particularmente difícil de tomar, disse ele, exceto por um único motivo.
      Sabia que queria ir, mas Ayrton e eu tínhamos uma história de tanto tempo que eu realmente não sabia como o povo brasileiro a enxergava: ficariam eles incomodados se eu fosse, incomodados se eu não fosse, ou o que? No dia seguinte ao acidente, eu estava em Paris, e um amigo de Jean-Luc Lagardère (o presidente da Matra) me ligou. Sua esposa era brasileira, e eu lhe pedi um conselho. ‘Já tenho a passagem’, eu lhe disse, ‘mas o que você acha que devo fazer?’ Ele me disse que deveria ir, que o povo brasileiro iria gostar disso. Eu não queria ser empurrado – eu realmente queria ir – mas ele me convenceu. E eu agora sei que se não tivesse ido, teria me arrependido pelo resto de minha vida.”
      “Não houve hostilidade contra mim em São Paulo – muito pelo contrário, por sinal. Ainda tenho contato com a família de Ayrton; no dia seguinte ao funeral, seu pai me convidou para sua fazenda, e conversamos por um bom tempo. E eu vejo sua irmã com freqüência, faço o que posso para ajudar na fundação.”
      Ayrton certamente foi o melhor piloto contra quem corri, por uma longa margem. Ele foi, de longe, o piloto mais comprometido que eu já vi. Para ser sincero, eu acho que talvez o melhor piloto de corrida – em termos de realmente aplicar inteligência – foi Niki Lauda, mas no geral Ayrton Senna era o melhor, de longe. Ele foi muito bem sucedido em tudo o que importava para ele, tudo o que ele definiu como metas para si.”
      (Prost competiu também contra Nigel Mansell, Nelson Piquet, Michael Schumacher, Gerard Berger, Niki Lauda, Gilles Villeneuve, Didier Pironi, Emerson Fittipaldi, Alan Jones, René Arnoux, Jody Scheckter, Keke Rosberg, Mario Andretti, etc.).
      “Na verdade, eu acho que não seria impossível que, com tempo, nós nos tornássemos amigos. Dividimos muitas coisas, afinal de contas, e uma coisa nunca mudou – mesmo quando nosso relacionamento estava no seu pior ponto – houve o grande respeito de um pelo outro como pilotos. Eu não acho que nenhum de nós se importou muito com qualquer outro. E houve ainda as vezes em que nos divertimos juntos, sabe. Nada muito freqüente, mas…”
      “Ele era estranho, sabe. Em 1988, me lembro, tínhamos que ir ao Salão de Genebra para a Honda; são apenas 40 quilômetros da minha casa, então o convidei para um almoço antes, e depois iríamos juntos até lá. Ele veio a minha casa – e dormiu por duas horas! Quase não falou nada.”
      “Então, depois do almoço, saímos para caminhar, e eu ainda lembro claramente de nossa conversa. Gostava de conversar com ele: às vezes podia ser entediante se prolongava sobre algo, mas geralmente era fascinante. Sim, acho que poderíamos ter ficado amigos eventualmente. Uma vez que já não éramos adversários tudo mudou.”
      “Olho para aqueles dias agora e penso, ‘Jesus, o que era aquilo? Por quê passamos por tudo aquilo?’ Às vezes tudo parece um sonho ruim. Talvez pelo fato de geralmente estarmos tão à frente, era inevitável que houvessem problemas entre nós, mas por quê (a relação) se tornou tão venenosa? – por quê precisamos viver aquilo? Eu costumava dizer às pessoas, ‘Você é fã de Ayrton Senna? Bom, tudo bem – mas por favor, não me odeie!’ Foi o mesmo com a imprensa.”
      “A pressão era tão grande, tão grande… Se tivéssemos que fazer tudo novamente, acho que diria a Ayrton, ‘ouça, nós somos os melhores, podemos destruir todos os outros!’ Com muita inteligência, poderia ter sido um sonho bom. Mesmo assim, com tudo o que aconteceu, foi uma história fantástica, você não acha? E eu acho, que de certa forma, nós sentimos a falta disso hoje.”
      Alain Prost
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      Disponível também no site www.jalopnik.com.br.

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